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Colunistas

16/04/2017

Visite esta cabana, é preciosa - por Ivar Hartmann

Saí para ir ao cinema. Como somos uma colônia americana a maior maravilha de nossas vidas é poder mandar os filhos a Disney e fazer compras em Miami ou Nova York. Aquela coisa das impressões que tinham os hindus miseráveis do século passado, de que os ingleses eram superiores e que Londres era a capital do mundo.

Justo então que os filmes que passam em nossos cinemas sejam as besteiras de sempre, enviada pela pátria-mãe aos subdesenvolvidos latinos, e aceitas por nossos proprietários de cinema e público. Então, semana passada tínhamos á disposição os filmes Velozes e Furiosos, A Bela e a Fera, Os Smurfs e o Poderoso Chefinho. Obras primas de Hollywood, capazes de engrandecer nossa mente e nosso povo.

O único filme de título diferente chamava-se A CABANA e fui vê-lo, pensando, pelo que li no jornal, ser um filme  de suspense. Na minha ignorância não sabia que era baseado em um livro de autor canadense e que vendeu mais de 15 milhões de exemplares pelo mundo, com traduções em várias línguas. E que o autor passou parte de sua infância com os pais, missionários na Papua-Nova Guiné. Um autor com estas características, em um filme rodado no Canadá, com um diretor inglês, já é uma exceção digna ao menos de ser vista para comentar. E, podem crer, melhor do que a indústria de cinema americana, sinônimo de mau gosto e primariedade. 

Como uma vez comentei uma série da Netflix que quem viu gostou, me atrevo a falar do A CABANA. É um filme maravilhoso, capaz de fazer bem a mente e ao coração dos brasileiros, afogados pela Lava Jato. Uma criança é raptada e pela prova, supõe-se assassinada em uma velha cabana de montanha. A família entra em desagregação, o pai sentindo-se culpado e com saudades da filha morta. Então recebe um bilhete misterioso que o manda ir de novo até a tal cabana de difícil acesso, perdida nas montanhas, e no meio da floresta. A maior parte do filme se passa lá. Surpresas, amor, ternura, beleza, otimismo.

É a possibilidade que o pai tem de discutir com Deus. De pôr sua vida em exame. Mormente porque ele tinha um passado nada glorioso que o obcecava. Aquela coisa comum a todos nós: julgamos o cheiro do vizinho e esquecemo-nos de usar o nariz para examinar nossos cheiros. Quer passar duas horas esquecido dos escândalos brasileiros, do consumismo que nos corrói, saindo do cinema tranquilo, de alma leve? Veja A CABANA.

ivar4hartmann@gmail.com 


*Ivar Hartmann é promotor público aposentado, colunista do diário Jornal NH, Grupo Sinos, Novo Hamburgo, RS, e colaborador do portal BrasilAlemanha e da mala direta BrasilAlemanha Neues.



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