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Colunistas

11/09/2014

Tosca, Ospa, Theatro São Pedro - por Décio Andriotti

O Theatro São Pedro (TSP) de Porto Alegre, a partir da inauguração (1858), quando a cidade contava 30 mil habitantes, começou os contatos para receber companhias líricas. Vieram logo. Italianos, na maioria, destinados à Buenos Aires.

O Theatro São Pedro (TSP) de Porto Alegre, a partir da inauguração (1858) começou os contatos para receber companhias líricas. Vieram logo. Italianos, na maioria, destinados à Buenos Aires. Parcela delas continuavam passando pelo Uruguai, chegando ao RS. Várias óperas achegam-se com rapidez. La Boheme de Puccini, por exemplo, foi levada aqui no TSP (1899) antes do Metropolitan de Nova Iorque (1900), antes das Óperas de Viena, Madrid… Este São Pedro perdia a compostura adiantando-se aos mais famosos. Maroto. Mesmo no Brasil. A ópera O Guarani (Il Guarany) de Carlos Gomes entra no Rio de Janeiro, Capital Federal, alegrando o imperador D. Pedro II no Teatro Lírico Fluminense. Após, foi a vez de Porto Alegre em 1877. Bem depois em outras capitais brasileiras. São Paulo recebeu-a no Teatro São José, 1880. Três anos depois do TSP ! Portanto, Porto Alegre foi a primeira dentre as capitais brasileiras, após a Capital Federal, apresentando O Guarani. Não, não, São Pedro; realmente merecias palmatória.

Tosca de Puccini. Estréia: Roma, Teatro Costanzi, 1900. Maio, 1904, já entra no Theatro São Pedro antecipando-se, quebrando hierarquias. Inclusive de um extraordinário teatro europeu. Fico calado, preservando a amizade que tenho com ele. Escrevo o trio daquele maio de 1904. Ida de Lorenzo, Roberto Mario e o barítono Zonzini, conhecido e admirado na Cidade. Desde então, Tosca penetrou na alma operística do porto-alegrense.

Adolescente, assisti em 1949 interessante Tosca. Solange Petit-Renaux da Ópera de Paris, já residente no Brasil, cantava em francês enquanto os outros, em italiano. No segundo ato, hora do confronto, ela para o Sílvio Vieira (Scarpia): “Combien?” Ele respondeu: “Combien?” Depois seguiu em italiano.

A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, OSPA, nasceu nos últimos meses de 1949. Estreou em março de 1950. Mas em novembro do ano anterior, Dante Barone falou para nós, grupinho fiel à ópera, que o maestro Pablo Komlós arregimentava músicos para isso. Consequência de importante histórico. Orfeão Rio-Grandense, o mais importante agente empresarial musical da história do nosso Estado, contratou o maestro Pablo Komlós, húngaro, residente em Montevidéo, para reger as óperas da Temporada Lírica de 1945. Veio. A 26 de junho de 1945 ele estreava no TSP com Aida de Verdi. Total de dez óperas encenadas, não contando reprises. No ano seguinte (1946) ele traz de Montevidéo boa parte do elenco para a Temporada Lírica do Orfeão Rio-Grandense. Doze óperas encenadas, não contando reprises. A Temporada Lírica de 1947 esteve `a cargo do maestro Carlos Estrada, uruguaio. 1948 sem óperas. 1949, Orfeão Rio-Grandense traz novamente Pablo Komlós. Nove óperas encenadas, sem contar reprises. Pela informação de Dante Barone, Komlós cogitava uma orquestra estável para resolver carências nas óperas e concertos. Principalmente nas óperas.

Conclusão: A OSPA brotou da ópera.

Agosto 2014. OSPA apresenta Tosca de Puccini no Theatro São Pedro, quatro récitas. Forma de concerto com inteligente esboço cênico chamando tópicos do drama pela imaginação. O trio central revezou-se. Marina Considera fez Floria Tosca nos dias 28 e 30. Rosimari Oliveira, 29 e 31. Duas sopranos categorizadas, diferenciadas in modum. Lindas vozes. Muito aplaudidas, principalmente ao terminar Vissi d’arte. Mario Cavaradossi coube aos tenores Juremir Vieira (28 e 30) e Richard Bauer (29 e 31). Biografias recheadas de apresentações no Brasil e no exterior. Registros adequados ao personagem. Cantaram com expressão requerida. Receberam fortes aplausos na ária E lucevan le stelle. Aquele infame Scarpia teve excelentes sósias em Rodolfo Giugliani (28 e 30) e Leonardo Páscoa (29 e 31). Não é fácil encontrar um barítono com extensão vocal aliada à força expressiva para caracterizar Scarpia. Pois tivemos dois. Encantaram o público.

Difícil formar elenco coadjuvante homogêneo na adequação possibilidade/personagem em relação às respectivas exigências. Observadas tais coordenadas, o staff escolhido foi de luxo, permanecendo nos quatro dias. Flávio Leite, tenor cuja voz faz belo Mozart e Rossini reciclou-se fácil, mostrando submissão e puxa-saquismo de Spoletta. Mais, com linguagem facial e modulação vocal, espelhou a vileza oculta do personagem. Carlos Rodriguez, barítono experiente por variadas óperas não encontrou empecilhos para a tessitura de baixo de Angelotti. Saiu-se aerosamente. Semelhante, Daniel Germano. Baixo, conhecido nosso de outras boas apresentações, fez o Sacristão que é barítono, sem dificuldade. Carlos Serapião (Sciarrone), jovem barítono em constante aperfeiçoamento. Masterclasses gabaritados, inclusive com Carlo Colombara. Quem canta o Pastor normalmente é garoto (voz branca). Suelen Matter, soprano porto-alegrense, foi quem cantou. Timbre limpo, seguro. Carlos Hübner, baixo, também porto-alegrense, fez o Carcereiro. Assim fecha elenco coadjuvante escolhido com probidade.

Coro Sinfônico da OSPA, 80 integrantes. Dirigido por quem está entre os melhores preparadores de coros do Brasil, Maestro Manfredo Schmiedt. Melhor, Herr Manfredo Schmiedt. A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, OSPA, 80 músicos, mais 9 convidados. Sob regência do tão apreciado e querido maestro Enrique Ricci, nascido em Buenos Aires, naturalizado espanhol, vivendo em Barcelona. Romântico, poeta do som. Leituras próprias traduzidas com sensibilidade e emoção.

Parabenizamos o Maestro Tiago Flores, Diretor Artístico da OSPA, pela idealização e organização. Globalizando escolhas, preparações, acompanhamentos. Agradecemos `a todos os envolvidos direta ou indiretamente neste evento. Porto Alegre e o Theatro São Pedro contentes.

Pablo Komlós bate palmas.

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Fonte:
Antonio A. B. Boaretto
MSN...: boaretto@outlook.com
Orkut..: Antonio A. B. Boaretto
Skype.: Toninho-Poa
Cel:.. (51) 9987.3632
Flickr: www.flickr.com/photos/boaretto/sets/

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Maria Salete Chiuchetta

E-mail: saleteopera9@gmail.com
TIM (51) 9966.7278
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