Colunistas

25/06/2016

Os alunos e os professores - por Ivar Hartmann* + Luiz Carlos da Cunha + Fernando Fontoura

Há alguns anos me mandaram, a toque de caixa, assumir a direção de uma escola estadual onde os crescentes níveis de anarquia não eram levados na devida conta, até o dia em que alguns alunos, na frente do educandário, viraram o jipe do diretor.

Seguramente a SEC não sabia que eu tinha pouco mais do que a idade dos alunos que ia dirigir e sem nenhuma experiência. Surpresa para mim, surpresa e preocupação para toda pequena cidade que tinha um de seus núcleos mais importantes nesta escola secundária. Professores, funcionários, pais e alunos, direta ou indiretamente, compunham a maioria da população.

O que não sabiam é que em meus tempos de aluno das melhores escolas de Porto Alegre ficara conhecido por fazer molecagens, destas de ser suspenso das aulas, ter os pais chamados amiúde e ter notas condizentes com a postura. No entanto, neste comportamento errado, aprendi algo que foi fundamental: as desordens que eu promovia com outros colegas, tinham uma nítida divisão. Os professores considerados antipáticos, aqueles que davam aulas com conteúdo e exigiam disciplina, eram respeitados. Os bonzinhos, de pouco saber, que ensinavam mal, e não ligavam muito para o comportamento de seus discípulos, estes penavam.

Assim, transformar a escola em Escola, onde os bons alunos e professores que eram maioria ansiavam por uma reviravolta, foi rápido. E os maus alunos e professores enquadraram-se no desejo desta maioria. Escrevo porque vi na TV uma cena grotesca, chocante, mas digna deste país onde os insubordinados ditam as regras para diretores, professores e funcionários submissos. Um professor de matemática escrevia uma fórmula no quadro verde, tendo um aluno revoltoso ao lado. Quanto terminou de escrever a equação, o aluno começou a apagar o que o mestre tinha escrito.

Escola é como quartel de qualquer país do mundo. Que soldado teria coragem de apagar o que o tenente escreve? Estas greves de professores, cujos dias letivos jamais serão recuperados, estas escolas onde os alunos invadem e fecham-nas impunemente, são demonstração, não de intrepidez, mas de estulticie. Minorias dominam professores e alunos que aceitam o jugo, esquecendo o mais importante: Nas escolas se forma o cidadão. Aprende-se o saber. Educa-se a mente. Qualificam-se os futuros ocupantes de todos os postos de trabalho da Nação. Então, como fica o futuro?

ivarhartmann@hotmail.com 


*Ivar Hartmann é promotor público aposentado, colunista do diário Jornal NH, Grupo Sinos, Novo Hamburgo, RS, e colaborador do portal BrasilAlemanha e da mala direta BrasilAlemanha Neues.

Sobre o mesmo tema, leia também duas opiniões divergentes, publicadas lado a lado, na página de Opinião de Zero Hora, Porto Alegre, em 24 06 2016:

Desordeiros precoces ou autoridades infantis - por Luiz Carlos da Cunha, Escritor

Ousar lutar, ousar vencer - por Fernando Fontoura, estudante ativista, diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas



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