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27/03/2017

Jacob Rheingantz e seu bicentenário: um grande motivo para se comemorar a data - por Edilberto Luiz Hammes*

O empresário Jacob Rheingantz trouxe, durante quatro décadas, um contingente enorme de gente que mudaria as feições econômicas da zona meridional da então Província do Rio Grande do Sul que só se ocupava com a pecuária.

 
 Fotos Divulgação

A agricultura será a salvação da Província do Rio Grande; e os seus filhos que isso reconhecem, muito terão feito na Assembleia Provincial para animar o seu desenvolvimento.

     O lado norte da Província tendo abraçado com fervor esse ramo de vida, acha-se hoje florescente, enquanto que o sul definha por cuidar meramente do gado vacum.

     Verdade é que se fizeram algumas experiências com as projetadas colônias do Monte Bonito e do Fragata, mas, ou por falta de vontade ou por esterilidade do terreno, nenhuma das duas chegou a vingar!

     Hoje as coisas têm tomado outro rumo e, ao que parece, o município de Pelotas passará em breve a ter um estabelecimento colonial graças aos esforços de um estrangeiro ativo e laborioso, o sr. Jacob Rheingantz que, compenetrando-se dessa necessidade, tomou a deliberação de ir à Europa engajar braços.

     Esse senhor regressou dessa viagem no vapor passado e, há dois dias, viu largar âncora no nosso porto o navio holandês com 91 colonos para o seu novo estabelecimento.

     Bem-vindos sejam eles.

     As vantagens que nos trará a colônia do sr. Rheingantz está ao alcance de todos. Situada ela nas margens de São Lourenço, a poucas milhas de distância das cidades de Rio Grande e Pelotas. Abastecerá esses mercados com seus produtos, privando-nos, assim, de maiores misérias.

     O sr. Rheingantz espera mais três navios com colonos. Deus lhes proporcione uma boa e rápida viagem."

    


Essas palavras, publicadas na capa da edição número 2.703, de 9 de janeiro de 1858 do jornal Diário de Rio Grande, eram um grande estímulo ao empresário Jacob Rheingantz que traria, durante cerca de quatro décadas, um contingente enorme de gente que mudaria as feições econômicas da zona meridional da então Província do Rio Grande do Sul que só se ocupava com a pecuária. Até aquele ano não havia lavoura organizada em toda a região. Não havia quem plantasse de forma ordenada e com a finalidade de exportar. Toda a plantação era feita individualmente para consumo próprio, embora tenha havido tentativas infrutíferas em regiões do interior do município de Pelotas... Havia um anseio na população e nos meios políticos para que, finalmente, houvesse uma colônia agrícola organizada por aqui.

E foi graças a Rheingantz que nossa Zona Sul começou a desenvolver e a mostrar sua pujança plutonômica no setor agrícola. Trazendo milhares de colonos, especialmente da Pomerânia, num período que durou aproximadamente de 1858 a 1890, Jacob proporcionou a alavancagem do progresso, com a fundação da Colônia de São Lourenço que, à época, fazia parte do município pelotense.

Com todos os obstáculos que um investimento de um porte inimaginável, como o da imigração - realizada em épocas de dificuldades em transportes e de comunicações -, que a ele se opunham, mesmo com eventuais e poucos desafetos que procuraram minar seus esforços no meio de tanta gente boa, Rheingantz venceria todos os desafios.

A angústia com o resultado que, por questão de honra, deveria ser positivo para ele, minou sua saúde e seu coração que de forma fulminante o matou, aos 60 anos de idade, quando se encontrava caminhando pelas ruas da cidade norte-alemã de Hamburgo a procura de novos braços de trabalho para o progresso do Brasil.

Jacob Rheingantz nasceu no dia 10 de agosto de 1817 na pequena aldeia alemã de Sponheim, então pertencente à Prússia Renana. No próximo dia 10 de agosto de 2017 serão completados 200 anos de seu nascimento. Um motivo sobejo para que a data seja comemorada com júbilo. Afinal, foi um dos maiores divisores de água em nossa história: antes dele, uma zona despovoada, desprotegida, apenas pecuária e atrasada; depois dele, o intenso povoamento, o trabalho árduo e compensador de dedicados trabalhadores rurais, com o consequente desenvolvimento agrícola, até hoje admirado, começando, como previa o Diário de Rio Grande, uma era de abastecimento com os produtos coloniais extraídos da terra ou dos derivados de animais que criavam, aos mercados de Pelotas, de Rio Grande e da região, ”privando-nos, assim, de maiores misérias”, trazendo, como até hoje acontece, mais comida para as mesas dos rio-grandenses do sul e até de lugares mais longínquos.

É necessário que nossas autoridades regionais relembrem o próximo dia 10 de agosto, casualmente o dia em que se comemora o onomástico do santo Lourenço, padroeiro do município-sede da grande colônia alemã que se expandiu para os municípios vizinhos, fazendo-se comemorações efusivas ao feito de Jacob Rheingantz, vulto de peso de nossa história.    

Edilberto Luiz Hammes

Médico e historiador lourenciano

e-mail: hammesedilberto@gmail.com



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vivavideo 28/03/2017, às 05:53

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