As comunidades improvisadas - por Ivan Seibel*

Os imigrantes da Pomerânia que chegaram no Brasil, eram principalmente luteranos e calvinistas. Nessa época, a religião oficial do Império Brasileiro era a católica romana  e o Estado não tinha interesse em contratar e pagar pastores. 

Portanto, os imigrantes, também na assistência religiosa, tiveram que encontrar uma solução. Foi assim que se organizaram como "comunidades livres". Em muitos assentamentos no sul do Brasil, como também na vila de Belém,  no Espírito Santo, a partir de 1855, compatriotas com um pouco mais de conhecimento religioso, foram chamados como pastores para essas congregações.

O improviso igualmente teve que acontecer na organização dos seus templos. Ou melhor, aos imigrantes, sequer era permitido construírem suas próprias igrejas. Afinal, templos deveriam existir apenas para a população católica. E, se os construíssem, não poderiam ter características que os identificassem como igreja, como por exemplo, a presença de torres ou sinos.

Além disso, até 1889, para que os filhos de imigrantes não corressem o risco de serem considerados ilegítimos, os casamentos precisavam ser validados pelos padres católicos. Somente a partir da república os casamentos passaram a ser registrados em cartórios de registro civil.