Tradições alemãs e seus reflexos na Europa e no Brasil

Denis Gerson Simões, de Munique

É importante que as tradições sejam valorizadas e mantidas caso tenham sentido para a população. O que acontece neste contexto é uma mistura do que “veio com os imigrantes” com uma releitura do que é “copiado” da Alemanha, Áustria e Suíça da atualidade.

Não nos esqueçamos que a própria ideia de “folclore alemão” é fruto de uma realidade principalmente dos anos de 1920, 1930 e 1970 reconstruindo a identidade dos povos de língua alemã (o mesmo que acontece no RS com o MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho nas décadas de 1940, 1950 e 1970).

Todos querem fazer o seu melhor, contudo inevitavelmente criam-se elementos curiosos e que para os europeus são totalmente estranhos, como uma mistura (produzida nos últimos 40 anos) entre identidades da Baviera, do Palatinado, da Pomerania, da Áustria, entre outros.

Alguns chamariam de Frankenstein, outros pejorativamente de “samba do crioulo doido” ou poderia dizer simplesmente que é produto da sobrevivência. Isso acontece no RS, SC, PR, SP, RJ, ES, MG, entre outros estados brasileiros. Pode-se dizer que a mistura e a produção de um “nova” identidade teuto-brasileira (onde inclusive as tradições do Hunsrück e Pomeranas estão inclusas) ganhou fortes mutações a partir dos anos de 1950, com o pós-guerra e uma grande vontade de recuperar o tempo e culturas perdidos na América do Sul.

A revista Burda, por exemplo, ensinou os brasileiros o que era a “indumentária alemã” e ajudou a sepultar as antigas vestimentas típicas dos imigrados, por mais que simplesmente fossem modinhas ao estilo camponês.

A fama da Oktoberfest de Munique, outro exemplo, atropelou muitas festas, bailes e costumes regionais vindos da Europa, fazendo tudo parecer um tanto bávaro (ou hoje um tanto “Blumenauense”).

Neste contexto, assim, tem que se ficar feliz quando alguém se diz com tradições pomeranas ou alemãs, pois não se tem condições de julgar o resultado obtido, pois realmente é sorte que ainda algo sobreviva.

Se torce para que sempre se possa com o tempo melhorar.

Um comentário em “Tradições alemãs e seus reflexos na Europa e no Brasil

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.