Os pomeranos cobram a sua inclusão no Censo do IBGE em 2022

Jorge Kuster Jacob, capixaba (ES), pomerano, sociólogo, pesquisador e representante dos pomeranos na Comissão Nacional dos Povos e Comunidades (decreto 20.40 de 2007, do presidente Lula), de 2007 a 2013, cobra a inclusão dos pomeranos em suas pesquisas.

– “Na época, pela primeira vez um presidente da República chamou, dos grotões deste país, 16 povos tradicionais, aproximadamente 5 milhões de brasileiros, para propor políticas para essa parte da sociedade brasileira. Foi inédito. E hoje esses povos têm diversos editais federais e estaduais que proporcionam projetos para o seu reconhecimento e desenvolvimento, frutos dessa época”. – disse o pesquisador.

A comissão nacional na época tinha seus representantes: índios, negros, caiçaras, ciganos, faxinalenses, pomeranos, povos de terreiros, fundo de pastos, catadoras de mangaba, quebradeiras de coco-de-babaçu, pantaneiras, pescadores e pescadoras artesanais, seringueiros, ribeirinhos, jangadeiros, entre outros. “Frente à frente, esses povos, respeitando suas diferenças, debateram, durante dois mandatos federais, políticas para seus povos. “As reuniões realizavam-se de dois em dois meses, com debates intensos que deixaram frutos permanentes.”

Os povos e comunidades tradicionais, embora existentes, não eram visíveis para as estatísticas oficiais, acarretando um prejuízo social para os seus integrantes, que necessitam de políticas públicas desenvolvidas de forma adequada às suas realidades. A construção de uma metodologia, no âmbito do planejamento das operações estatísticas, que sinalize a existência, localização e identidades territoriais destas populações é o ponto inicial para implementação de um projeto institucional que contribuirá para o cumprimento da missão do IBGE “de retratar o Brasil com informações necessárias ao conhecimento da sua realidade e ao exercício da cidadania”.

“O IBGE precisa avançar no seus processo de pesquisa sobre os povos e comunidades tradicionais. O censo de 2022 vai ter apenas índios e quilombolas na pesquisa. Conforme decreto 6040, somos 16 povos e comunidades tradicionais no Brasil. No Governo Lula, especialmente de 2007 a 2014 tivemos um grande avanços na questão de políticas especificas para esses povos, especialmente no setor cultural. Toda essa política da época contribuiu para o censo de 2010. Mas precisamos avançar mais. Apenas destacar dois povos tradicionais no Censo de 2022 é muito pouco. Os pomeranos, por exemplo, precisam aparecer nas estatísticas para assim se poderargumentar com mais informações, números e consequentemente buscar políticas para o seu desenvolvimento local e sustentável”.

Numa estimativa feita por Jorge Kuster Jacob em 2012 no Espírito Santo, temos hoje 150 mil pomeranos em 17 municípios, com destaque para Santa Maria de Jetibá, Laranja da Terra, Vila Pavão, Domingos Martins, Pancas, Afonso Claudio, Santa Leopoldina, Baixo Guandu, Itaguaçu e Itarana. No Brasil temos mais de 300 mil pomeranos no Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia, Minas Gerais e Paraná. Ao todo, temos mais de 30 municípios onde a maioria são pomeranos.  

Mas as comunidades pomeranas não são só números. “Temos uma rica identidade histórica e cultural. Temos uma língua (cooficializada), agricultura familiar forte, religiosidade própria, dança, música, culinária, arquitetura, eventos culturais, museus no Brasil, literatura, filmes, cds musicais, programas de rádio, festivais folclóricos, bandas musicais, o rito do casamento, a tradicional concertina, entre outras manifestações típicas que muitos povos no Brasil já perderam. O pomerano é um dos três povos mais tradicionais do Brasil. Não existem mais na Europa ou outros continentes. Só existem no Brasil. A Pomerânia é Brasileira”.  – diz Jorge.

Ainda disse que vai encaminhar manifestações s igrejas, escolas, lideranças pomeranas espalhadas pelo Brasil para fortalecer esse movimento e, assim, incluir o povo pomerano no IBGE.

Para fazer o censo com os pomeranos, assim como com qualquer povo tradicional, os pesquisadores devem receber um treinamento especifico ou serem pomeranos para extrair de fato aquilo que a pesquisa quer na língua pomerana. Simplesmente falando português muitas informações podem não sair ou sair distorcidas.

Acompanhe mais informações aqui no Portal BrasilAlemanha, o órgão oficial da Imigração Alemã no Brasil

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