Trabalhar entre Alemanha, Áustria ou Suíça – Onde amarrar seu cavalo?

Trabalhar entre Alemanha, Áustria ou Suíça – Onde amarrar seu cavalo?

Igor Rafailov – Recife, setembro 2021

Dicas básicas para deseja sair do Brasil para trabalhar na Alemanha. Entre a ilusão e a realidade no mercado de trabalho fora do Brasil em países de língua alemã. Quais são as vantagens e desvantagens momentâneas (o salário) e futuras (a aposentadoria), e o possível desejo de aposentar na Europa e aposentado retornar ao Brasil. Uma reflexão para planejamento estratégico no cenário de setembro de 2021.

Tenho atendido consultas de diversos brasileiros que me perguntam sobre possibilidades de deixar o Brasil e irem trabalhar no Exterior. Se é melhor? Se o salário é mais bem pago? E tenho apenas competência para orientar interessados no que melhor conheço: os países de fala alemã: Alemanha, Áustria e Suíça. E no geral a minha resposta é: depende. Depende que projeto de vida e profissional pretende construir. Se for para ampliar o currículo profissional e pessoal, por curta temporada, sim! É super recomendado! Aproveite! Mas, se o objetivo é pura e simplesmente uma “fuga aos problemas financeiros” e supor encontrar um paraíso do seu presente e futuro na Europa, eu recomendo que fique em casa e não crie mais despesas para você. “Mudanças de países requerem planejamentos, e investimento financeiro próprio”. Custa muito caro e o prejuízo também. Residir num outro país não deverá significar ser acolhido como um “asilado financeiro”.

A Alemanha – seus atrativos e problemas.

O chefe da Agência Federal de Emprego Alemã, Detlef Scheele, é taxativo ao dizer em agosto de 2021 “que a Alemanha precisa de 400.000 imigrantes (qualificados) por ano”.  São vagas em todas as áreas e níveis profissionais. Mas um importante detalhe ser respeitado: serem já qualificados. Ou seja: já com formação, experiência profissional e com fluência mínima no idioma alemão comprovado. São vagas desde motorista de ônibus, cozinheiro, engenheiro, médico, enfermeiro, serralheiro, cuidador de idosos, mecânicos, profissionais de informática, etc…

A Alemanha tem hoje sérios problemas: faltam muitos jovens. A geração pós 2ª guerra trabalhou demais e não tiveram tempo para terem uma família mais numerosa em filhos. O princípio de se financiar uma previdência social através do “pacto de gerações” idealizado do Keiser Wilhem, não tem mais hoje como se pagar. Neste princípio as gerações mais jovens recolhiam para a previdência para pagar os mais idosos. Isto funcionou bem quando oito pagantes recolhiam para um aposentado. Hoje duas pessoas recolhem para pagar um aposentado. Mas, a Alemanha tem mais problemas de custeio previdenciário social, o RGPS.

Com o fim dos países comunistas, da União Soviética e da Alemanha Oriental, a Alemanha acolheu seus conterrâneos que haviam recolhido para a previdência em sistemas cuja moeda foi extinta e todo o tempo de contribuição passada ficou sob responsabilidade da previdência social da Alemanha.  Ou seja: vieram muitos conterrâneos novos (e a sua obrigação social) e o caixa evaporou. A conseqüência: o custeio social teve que incluir novos beneficiários e “encontrar uma solução” na redução dos valores pagos. Ainda mais: incluir os aposentados como “novos contribuintes” para a receita federal alemã. Até os anos 90 os aposentados eram isentos, e esta isenção terminou.

Exemplo Alemanha: 50 meses recolhidos, doutorado, e hoje 179,00 EUR

Um exemplo é a brasileira professora universitária M. G. com doutorado na Alemanha. É aposentada residente no Brasil, e lá trabalhou 4 anos e 5 meses. M.G. fez uso acordo previdenciário Brasil e Alemanha ter direito a receber uma parte da aposentadoria do que recolheu junto ao DRV. Em 2021 recebe do DRV mensalmente 179,00 EUR. O pedido de aposentadoria foi um processo lento, caro, com comprovação de documentos desde o ensino médio. Cada ano deve declarar o imposto em ambos os países. E num pais cobra imposto e nem pode deduzir os valores já feitos num país os rendimentos do outro. Assim é obrigada a pagar bitributação. Toda a operação não recompensa! Só o envio de documentos via sedex, correspondência, contadores qualificados para ambas as declarações tempo desperdiçado, acaba no fim das contas não sobrando valor do que se recebe de aposentadoria na Alemanha. E por fim o valor do reajuste de 2020 para 2021 que foi de 1 euro. Triste.

Áustria e Suíça – os países nas montanhas dos Alpes e seus dialetos germânicos

O problema da falta da mão de obra qualificada se repete também na Áustria. Faltam jovens austríacos, mas não possuem o lastro das obrigações sociais em repartirem o caixa previdenciário com novos conterrâneos advindos dos países da antiga cortina de ferro. Isto se replica também na Suíça. A Suíça ainda se esforça e defende a não inclusão a Comunidade Européia e mantém sua própria moeda; O franco suíço.

O idioma nestes países é o alemão, porém na Suíça ainda existem três outros idiomas oficiais: francês, italiano e reto-romanche. Tanto na Áustria e na Suíça o linguajar coloquial é carregado de sotaques quando se aprende o alemão da Alemanha.

A primeira vantagem àqueles que transitam e sonham retornar aposentados ao Brasil, é que o Brasil mantém em vigor acordo de não bitributação com a Áustria e a Suíça.

Enfim, “aonde vou amarrar o meu burro?”

Atualmente fazendo um comparativo básico de quanto vai receber de aposentadoria após anos de recolhimento entre Alemanha, Áustria ou Suíça, é da Alemanha quem é o pior retorno sobre que contribuiu. Sem contar ainda o “bônus chatisse” de ter todos os anos que enfrentar obrigações com a autoridade fiscal alemã – Finanzamt – que ao ver é injusta e até perversa com seus aposentados. E para piorar, o Brasil e a Alemanha, não tem tratado de não bitributação, ou seja, declarar e pagar em dobro.

Aposentados austríacos tem os vencimentos são quase o dobro do seu colega alemão. Aposentados suíços também têm uma melhor retribuição sobre que recolheram em vida para a previdência social – a 1ª. Coluna – e a quase totalidade dos profissionais também contribui para alguma previdência complementar em grupo – a 2ª. Coluna – para o reforço financeiro em sua aposentadoria.  E, Áustria e Suíça mantêm com o Brasil tratado de não bitributação.

Resumindo: “amarre seu burro” na Áustria ou na Suíça. Evite buscar e iniciar emprego e trabalhar na Alemanha! Quem for pra Alemanha terão um retorno pior e ainda o Finanzamt “chantageando”.

Igor Rafailov – Consultor previdenciário Brasil, Alemanha, Áustria e Suíça

Fundou a BRD Consultoria Previdenciária Brasil-Alemanha, em 2006 e é natural de São Paulo, tem dupla cidadania, e residiu 9 anos na Alemanha. Graduado em Gestão de Recursos Humanos e Especialista em Safety Aéreo. É piloto planador. Atua como coach de empregabilidade e trabalhabilidade na Alemanha, Áustria e Suíça. Atende pelo WhatsApp +5581991071767 ou pelo E-mail brdassprev@gmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *