As estradas do interior pomerano – por Ivar Hartmann*

Até as primeiras décadas da segunda metade do século XX as áreas situadas nas regiões mais montanhosas, com suas poucas florestas tropicais remanescentes, tanto no Espirito Santo como em Santa Catarina sofriam os efeitos das chuvas torrenciais que rapidamente desciam pelas encostas.

As pessoas, com seus guarda-chuvas, em suas longas caminhadas esquivavam-se das águas da enchente que, tão rápido como subiam também voltavam ao seu nível habitual. Ainda outros, nas suas jornadas domingueiras para os ofícios religiosos seguiam descalços pelo campo e pelas trilhas do gado, para evitarem as barreiras nas estradas, sem antes, ao chegarem próximo ao templo luterano, lavarem seus pés em algum córrego à beira da estrada e paramentarem-se com sapatos para o oficio religioso para eles tão sagrado.

Nestes dias de chuvas torrenciais, não raro com pontes caídas, também os alunos procuravam pelas passagens mais enxutas nas colinas. Não raras vezes a enxurrada subia tanto que impedia a passagem, fazendo com que um ou outro precisasse pernoitar na casa de algum parente e no dia seguinte ser socorrido pelos pais aflitos. Era este o preço a ser pago pelos que viviam naqueles recantos isolados ou quem queria estudar…

*Ivan Seibel, Reg. Prof. Mtb 14.557, natural do Espírito Santo, é médico em Venâncio Aires, RS, escritor (“Imigrantes a duras penas”, entre outros), comentarista do programa radiofônico semanal AHAI – A Hora Alemã Intercomunitária > bl 03, colunista www.brasilalemanha.com.br e editor de Folha Pomerana Express >

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