Na Porto Alegre dos sonhos viáveis – por Sílvio Aloysio Rockenbach

Na PORTO ALEGRE dos Sonhos Viáveis vejo um imponente letreiro branco hollywoodiano no alto do Morro da Polícia/Embratel. No mesmo branco, linhas contínuas separam as pistas nas ruas da cidade, disciplinando circulantes.

As faixas de pedestres, sempre com ar de tinta fresca, sinalizam que a cidade tem governo comprometido com os cidadãos e  induzem condutores educados a garantirem passagem tranquila, como em Gramado, por que não?  Ou seriam eles, lá, seres superiores, de outra cultura?… As calçadas viraram apelo direto a distraídas caminhadas na contemplação de vitrines, de gente risonha indo e vindo e de carrinhos de bebê desfilando sem solavancos as encantadoras promessas do amanhã.  Para tanto, o prefeito decidiu que a capital dos gaúchos é uma cidade turística! E chamou todos os proprietários de terreno à responsabilidade. Quem não arrumou sua calçada foi alertado. A calçada irregular foi consertada por empresa habilitada em licitação pública por áreas e regiões, a preços coletivos surpreendentemente baixos e lançados na conta do IPTU dos recalcitrantes. Terrenos baldios deram lugar a hortas comunitárias.

Ruas deploráveis com crateras e esgoto a céu aberto tiveram tratamento de emergência com comprometimento de comissões de moradores e operações emergenciais dos órgãos municipais. Pichador virou limpador! E rua sem nome virou vergonha do passado. Na minha Porto Alegre dos Sonhos Viáveis, o Carnaval combalido de 2018 virou Carnaval do Mercosul, da Integração, da Convergência. O Carnaval de uma nota-samba só virou Carnaval da marchinha, da valsa, do vanerão, da polca, do bugio e até do samba, a exemplo dos vibrantes Carnavais do axé, do frevo, do sertanejo, do maxixe, do maracatu na Bahia, Recife e Fortaleza. Argentinos, uruguaios , paraguaios, chilenos contam maravilhas do agora Carnaval de referência continental.

Afinal, Carnaval não é só brasileiro, mas também alemão (Colônia, Düsseldorf, Aachen e Mainz), italiano (Veneza), francês (Nice), espanhol (Ilhas Canárias), português (entrudo de Lisboa), todos sem um sambinha sequer. Ou melhor: em Colônia, na Alemanha, há 41 anos tem Carnaval Brasileiro com muito samba, que deixamos lá plantado a partir de 1977, 78, 79, o colega capixaba/carioca Severino Alvas da Silva e este articulista.

A propósito: lá também deixou saudades o African Club, frequentado dois anos e meio nos campos de futebol, e a admiração pelo futebol subsahariano, muito antes do fantasma do Mazembe. Porto Alegre finalmente deixou de ser uma cópia desbotada do Carnaval do Rio e um tracinho nas estatísticas. Ah, e o Porto Alegre Airport, da Fraport-Frankfurt, deu asas de Varig aos sonhos de chegada e saída da capital. O RS na sua diversidade cultural já foi tema de sucesso de escola de samba no Rio. Por que não daria certo por aqui?

Porto Alegre voltou a ter também o seu Festival das Etnias, espalhado ao longo do calendário anual.  O Carnaval agora é de todos, assim como a FENADI de Ijui, a Festa da Uva de Caxias do Sul, a São Leopoldo Fest, a Oktoberfest de Igrejinha, de Santa Cruz do Sul, o ENART e a Semana Farroupilha são de todos e o Zumbi dos Palmares deveria congraçar a todos. Ainda dá para se acreditar no Rio Grande do Sul, mas só quando ele, a exemplo de Porto Alegre?…, resolver se unir e reinventar o ideal das Reduções Jesuíticas, nosso glorioso Patrimônio Cultural da Humanidade, sem segregação e sem donos de tribos locais, agora todos contagiados por uma redentora “torcida mista”.

Veja também: Porto Alegre, “a cidade dos alemães”. E Oktoberfest questionada > A propósito: em breve teremos Bicentenário da Imigração Alemã. Veja em www.brasilalemanha.com.br > Calendário Nacional de Eventos  e campanha “Educação em 1º lugar”. Tudo a ver!

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