39ª Romaria da Terra reconta história missioneira no Noroeste do RS – por Vilson Winkler

Este dia foi o ápice das homenagens, pois, desde o dia 5 chegaram índios guaranis e caingangues, bicicleteiros vindos de Porto Alegre, além da juventude católica gaúcha. Cada um destes grupos tinha reuniões e eventos específicos sobre seus temas. No dia 7, o dia da martirização de Sepé foi realizado um grande evento.
Para a Romaria da Terra todos se reuniram e com a chegada de comunidades de todo estado se reuniram muitos milhares. A saída do procissão foi às 9:00 da manhã exatamente da Sanga da Bica, que é o local da morte de Sepé Tiaraju.

O pesquisador José Roberto de Oliveira ficou responsável pela parte histórica, especialmente para demonstrar os novos documentos que estão sendo encontrados internacionalmente sobre a Saga Guaranítica e os relatórios de Guerra. Desses documentos o base para as novas revelações foi o “DIARIO HISTORICO DE LA REBELION Y GUERRA DE LOS PUEBLOS GUARANIS, SITUADOS EN LA COSTA ORIENTAL DEL RIO URUGUAY, DEL AÑO DE 1754”, escrito pelo pároco de São Lourenço e que é a versão em espanhol escrita em latim pelo Padre Tadeo Xavier Henis, editada em 1836 por Pedro de Angelis.

Inicialmente se analisou a página 85 do relatório, onde diz que: Acometeu um numeroso esquadrão ao Capitão Sepé, a quem primeiro com uma lança e depois com uma pistola, mataram: jogaram o corpo já despojado de tudo e o queimaram com pólvora, mesmo que ainda estava respirando e o martirizaram de outras maneiras. Enterraram em uma vizinha selva, havendo buscado de noite os seus, com grande dor, à medida do amor que lhe tinham.

Na página 86, diz sobre a morte de Sepé Tiaraju: “Foi de admirar o quanto caíram de ânimo os índios com a morte tão intempestiva de seu capitão, em cujo valor, prudência e arte, tinham posto todas as suas esperanças”.

Na página 87 informa: No dia 10 de fevereiro de 1756, formados em batalha os esquadrões marcharam contra os índios. Nicolau Nenguirú e Pascual – Alferes Real de São Miguel se acercaram das linhas inimigas para ver o que queriam – disseram que iam às Reduções – mandaram então a Fernando para que fosse aos generais inimigos ver o que fazer. Foi levado frente ao general espanhol e acertou que esperariam por 3 dias, pois buscaria os padres que estavam em um lugar a um dia e meio de distância. Assim que saiu – as forças inimigas se formaram em batalha e atacaram, rompendo a palavra de guerra empenhada – que sairia confronto após três dias. Este fato reconta completamente tudo que se disse a respeito de como ocorreu à morte dos 1.500 nativos em Caiboaté, pois, em acreditar que não haveria batalha naquele dia os guaranis se desfizeram de seus cavalos e coisas de guerra, aguardando a vinda dos padres, quando foram inesperadamente traídos.

Na página 89 escreve: Não é de se admirar que os índios tenham sido vencidos, assim como não é gloriosa a vitória: 3.000 bem armados contra índios com arcos, flechas e lanças. Conta ainda que: Para ser mais cruel e feroz a guerra se encarniçaram e a tarde, voltaram a dar lançassos em quase todos os mortos, porque se algum estivesse vivo era para morrer.

Sepé Tiarajú liderou a revolta dos indígenas, que acabaram sendo massacrados pelo exército luso-espanhol de Gomes Freire de Andrade -hoje patrono da arma de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro. São Sepé, herói da resistência indígena, continua vivo no imaginário popular rio-grandense.
Sepé é oficialmente reconhecido como herói do Estado do Rio Grande do Sul pela lei 5516 de 2005 e herói da pátria brasileira pela lei federal 12.032 de 21.9.2009.

No dia 10 de novembro de 2015, com apoio de importantes lideranças da América Latina, a Igreja recebeu o pedido de canonização do herói nativo – agora se aguarda que as autoridades eclesiais remetam ao Vaticano a POSTULAÇÃO de reconhecimento de santidade de Sepé Tiaraju – com o título de “Servo de Deus” – para que sigam os ritos oficiais e possamos ter o mais breve possível nas mãos do povo pobre do Brasil e países vizinhos o “São Sepé” – a bem da verdade já canonizado pelo povo e agora a caminho do reconhecimento pela Igreja, como diz o principal líder da canonização, o Irmão Antônio Cechin.

José Roberto – 55.9638.6360
 
VILSON WINKLER
Jornalista MTB nº 14977
Representante de  jornais desde 01/02/1990
Representante dos jornais Noroeste e Sentinela
Oficial Administrativo e Assessor de Imprensa / Prefeitura Municipal de Porto Mauá
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