A Cruzada: diario político-religioso, litterario, commercial e noticioso

Católico, moralizador, preocupado com os problemas que estavam “convulsionando a sociedade contemporânea” e “ao lado dos opprimidos” – este o perfil desejado pelo maranhense A Cruzada, tal como se apresentou (“O nosso Programa”), na primeira edição, de 11 de outubro de 1890. Durante um período trazia sempre duas epígrafes. À esquerda, um versículo, de valor um tanto polêmico, de S. Mateus: “Quem não é comigo, é contra mim”; à direita, o dístico “Deus, pátria e liberdade”. Também em sua primeira edição o jornal fazia duras críticas ao governo do marechal Deodoro da Fonseca (o primeiro da República), chamando-o de ditadura.

O jornal também criticou o elitismo do projeto da primeira Constituição da República: “Infelizmente, o projecto já em parte sanccionado pela Dictadura e cuja integra tem de ser apresentada a approvação do congresso, está muito aquem do ideal de uma constituição digna d’este nome (…). Entre estes destaca-se á primeira vista o que priva do direito do voto dos cidadãos que não sabem ler, ou, por outra, a massa quase total do nosso povo”. A Constituição, que entraria em vigor em 1891, tornava o Estado laico e institucionalizava o casamento civil, minimizando o poder da Igreja Católica.

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