“Como são cativantes os jardins de Berlim”

Conhecido por seu trabalho como professor da Universidade de São Paulo e por suas pesquisas, artigos e livros acadêmicos sobre o agronegócio, o paulistano Decio Zylbersztajn explora novos caminhos com sua primeira obra de ficção: o livro de contos Como são cativantes os jardins de Berlim, que sai em junho pela Editora Reformatório.

A opção pelo conto foi para Decio uma espécie de trilha natural. “Comecei pelo conto, que é muito interessante pelo fato de ser conciso. Exige foco narrativo. Nem sei se foi algo proposital. É o que tenho feito até hoje, embora alguns considerem o conto mais difícil.”

Leitor apaixonado, Decio resume em uma frase o papel dos livros em sua formação. “Escrever é menos importante do que ler.” Muita gente, porém, lê muito e nunca escreve. Por que então Decio, autor de diversos livros acadêmicos, decidiu escrever ficção? Tranquilo, ele responde que isso não representa uma mudança radical em sua vida. O desejo de fazer literatura sempre esteve presente, embora tenha havido um momento em que começou a sentir vontade de concretizar e um certo prazer. “Essa coisa de trabalhar o texto, de namorar com a palavra, de pegar o dicionário de sinônimos e olhar. Daí você passa a navegar. Participei de oficinas de texto, porque tem técnica em tudo, e isso me ajudou.”

Para Decio, “escrever é penoso e dá prazer. Tem momentos de dificuldade, de amassar e jogar fora. Hoje a gente não joga fora, deleta.”
A exemplo do excepcional escritor argentino Ernesto Sabato, que trocou a física pela literatura, Decio acredita que a ciência revela a verdade até certo ponto, a partir do qual só mesmo a arte pode ajudar a conhecer as pessoas e o mundo. “Isso ficou ressoando em mim, pois tenho um trabalho acadêmico, ainda sou bolsista de produtividade do CNPq”, afirma Decio, que é Master of Arts e Doutor em Economia pela Universidade de North Carolina, foi pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas e trabalhou no setor privado, na Agroceres. Depois prestou concurso na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, onde fez carreira e criou o Programa de Estudos do Agronegócio (Pensa), com a ajuda do empresário Ney Bittencourt de Araújo, que anos antes o tinha levado para a Universidade de Harvard para participar dos seminários de Ray A. Goldberg, criador do Programa de Agribusiness e de uma visão totalmente nova da atividade agrícola.

A lista de escritores prediletos de Decio é extensa. Mesmo assim não hesita em fazer referências a autores como Pedro Nava e Moacyr Scliar, ambos médicos sanitaristas e profundos conhecedores dos problemas do Brasil. Aprecia também expoentes da literatura judaica como Sholem Aleichem, I. L. Peretz e Isaac Singer, laureado com o Nobel de Literatura. “São pessoas que formam a vida da gente. A literatura judaica é uma referência para mim. Se conseguir chegar a um pedacinho do que eles fizeram, estarei bem”, afirma.

Fonte: Printec Comunicação
E-mail: printec@printeccomunicacao.com.br 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *