Leonel Brizola não se tornou presidente por que se voltou contra a mídia?

Como parte da programação especial sobre os 50 anos do golpe militar, a TV Cultura de São Paulo abriu espaço para uma testemunha ocular dos momentos em que João Goulart foi deposto da presidência da República. A fonte, no caso, trata-se do filho de Jango, o filósofo e empresário João Vicente Goulart, que falou ao ‘Provocações’, programa comandado por Antônio Abujamra, desta semana.

Durante a conversa com o apresentador, Vicente Goulart afirmou ter poucas lembranças dos últimos instantes de seu pai à frente do Palácio do Planalto. “Nós não tínhamos, como crianças, a dimensão do que foi o golpe”, reforçou, antes de responder a questão: por que Jango não resistiu à ofensiva dos golpistas? “Não havia condições. Não havia condições”, enfatizou, explicando que seu pai era um “legalista” e evitou “uma guerra civil no Brasil”.

Além de falar de seu pai, Vicente Goulart comentou ações de outro político de destaque no embate contra os militares, o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (foto/TV Cultura), que era seu tio. Na análise do filósofo, Brizola só não se tornou presidente da República, mesmo depois do fim do ciclo ditatorial, porque manteve conflitos com o trabalho de grande parte da imprensa nacional.

“Ele [Brizola] quis enfrentar um poder da mídia muito forte e muito estruturado que existe no nosso país. Agora, evidentemente, para abrir [a política pós-ditadura], a mídia controlou certos setores e nós viemos a ter o primeiro presidente eleito [na retomada do processo democrático, Fernando Collor de Mello] que representava os interesses do capital internacional ”, avaliou Vicente Goulart

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