Educação, perseverança, fé e alegria – por Vítor Bley de Moraes*

Sou filho de mãe alemã. Cresci rezando e contando em alemão e em português. Meu pai, de origem portuguesa, se encarregou de me ensinar o alfabeto. Cheguei à escola praticamente alfabetizado e sabendo fazer as contas básicas. Aos domingos era uma tradição ir à igreja. Mesmo morando em Porto Alegre, fui criado sob forte influência das tradições alemãs, observadas nas diversas cidades de imigração germânica: a importância dada à religiosidade e à educação.

 

Qualquer comunidade de imigrantes alemães tem, obrigatoriamente, escolas e igrejas, normalmente muito próximas e, quase sempre, um salão para bailes e apresentação dos seus tradicionais coros musicais. Por isso, estranho alguns relatos que classificam os alemães como frios, carrancudos e pouco amistosos. Ao contrário, vejo nessa etnia, do qual me orgulho de ter fortes raízes, um exemplo de perseverança, de fé, vontade de aprender e uma enorme perseverança. Muitos não sabem, mas os imigrantes não encontraram nenhuma facilidade quando chegaram ao Brasil. Aliás, todo imigrante daquela época passou por dificuldades de adaptação, pois além do idioma, tiveram que enfrentar tantas outras diversas adversidades.

Sei por experiência própria os obstáculos enfrentados pelos meus avós, com oito filhos. Além de uma viagem longa, de mais de dois meses atravessando o Atlântico, se depararam com um clima completamente diferente, isto sem falar das doenças. Mas a fé em Deus e a vontade de vencer os fez superar tudo com muita dignidade. Assim como eles, graças à vocação para o trabalho, os alemães começaram a se adaptar à nova terra e a se destacar em vários segmentos. Hoje, perfeitamente integrados a nova pátria, num País aberto a todas as nacionalidades, os sobrenomes de origem alemã estão em todos os setores.

Esta longa tradição nas relações entre Brasil e Alemanha, que acontece há quase dois séculos, tem no ano “Alemanha + Brasil 2013-2014”  um momento para  estreitar ainda mais esta parceria. O Brasil, que apesar da crise mundial vem conseguindo superar as dificuldades, precisa se espelhar na organização e nos valores dados à educação, que transformaram a Alemanha num dos países mais desenvolvidos do mundo, para continuar crescendo de forma segura, pois as suas riquezas naturais são fantásticas.

Com a garra e a criatividade dos brasileiros e o know how alemão, os dois países têm muito a compartilhar para o sucesso de ambos nos mais variados campos. E para quem insiste em dizer que os alemães são sisudos, um grande momento para desfazer essa imagem é a tradicional Oktoberfest, que acontece no mês de outubro em várias partes do mundo. O evento, que começou em Munique, na Alemanha, atualmente acontece em várias cidades do Brasil, principalmente no Sul do País. Um brinde à alegria! Um brinde à confraternização dos povos! Um brinde a essa parceria teuto-brasileira! Ein Prosit!

 

*Vítor Bley de Moaes é jornalista

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