Ler dá câncer – por Ivar Hartmann*

Cientistas dizem que o estresse pode, sim, ser causa de alguns tipos de câncer. Assim, na proteção de nossa saúde, não devemos mais ouvir noticiários de televisão (principalmente à noite, durante o jantar), pois são os mais sanguinolentos. E devemos passar por diante de todas as notícias brasileiras que falem de política, polícia, viagens da presidenta e ex, nomeação e demissão de ministros, inflação, esquemas de fraudes descobertos pelo Ministério Público ou polícia. Melhor, para resumir: só ler a página de esportes. Criam-se presídios em zona central de cidade, assaltantes mascarados atacam e dominam cidades, concorrências públicas são fraudadas de maneira elementar, mas trazem ganhos a empresários. Os caminhões com soja não podem descarregar porque as autoridades não fazem estradas (ferrovias nem pensar) e nossos portos não têm infraestrutura suficiente. 

O país não consegue seguir os passos do BRICS (ao qual pertence) e aumentar seu PIB anual. Criam-se ministérios de acordo com o número de partidos políticos que acompanham a presidenta e não por necessidades de aumento da produtividade. Dizem que já são mais de 30. Imagino que a presidente deva saber quantos são. Particularmente, nós os brasileiros, não nos importamos com os custos destes ministérios do faz de conta. Se forem criados para abrigar desempregados pouco competentes, está bem. Afinal, a todos interessa que a presidente se reeleja e é justo tirar dinheiro de nossos impostos para pagar esta gente sem eira nem beira. Ou se imagina que uma pessoa competente, que está trabalhando na iniciativa privada com promoções e ganhos maiores, troque o emprego por uma sinecura temporária?  

Há notícias que raiam o impossível: uma segunda ponde sobre o Guaíba, fundamental para o Rio Grande do Sul, que a iniciativa privada promete entregar de graça, com pedágio, em três anos, o governo federal prefere fazer em quatro anos, gastando o dobro do valor. Uma estrada que a iniciativa privada quer fazer para desafogar a Grande Porto Alegre só não foi arquivada como desejava o governador de parte dos gaúchos porque um prefeito de seu partido bateu pé ante o absurdo. E o desfile de vaidades, então? O PSDB lança um candidato a presidente que só conhece o sul do país por ouvir dizer, e prontamente seu ex-candidato ameaça trocar de partido. Porque partidos políticos no Brasil são isso: simples valhacoutos, de onde se entra ou sai conforme o apetite por cargos.

*Ivr Hartmann é promotor público aposentado e colunista do Jornal NH, Grupo Unisinos, Novo Hamburgo, RS

ivarhartmann@terra.com.br

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