Ponto de vista: Duas coisas que sei de Chávez – por Ivar Hartmann*

Primeira: Ele se matou. Provo. Lá atrás, quando os primeiros sintomas de seu câncer de próstata apareceram, Lula e Fidel ofereceram os melhores hospitais e médicos de seus países para atendê-lo. Com a importância de Chávez, a constatação de seu câncer foi no estado inicial de seu mal. Quando é curável. Ocorre que a medicina na Venezuela está nas mãos de cubanos com seus médicos e ideias. Como aceitar ir para o Brasil se o Governo da Venezuela diz que a melhor medicina do mundo é de Cuba e dos cubanos? Seria um contra-senso político. Como um líder continental, ligado pelo umbigo a Fidel, do porte do seu Presidente, poderia aceitar? Sob outro prisma: qual o doente latino-americano, capaz de arcar com os custos de sua doença, que iria para Cuba em tratamento e deixaria de lado os bem aparelhados hospitais e os bem conceituados médicos brasileiros de várias especialidades?  Qualquer pessoa que pensa, independente de suas convicções políticas, não pode comparar sua medicina com a do Brasil. Ela pode ser boa, mas que é de um país pobre, sem divisas fortes para investir em equipamentos e pesquisas, faz o feijão com arroz. Nós temos divisas sobrando, boas faculdades, centros médicos de elite. Querendo ou não, Cuba vivia dos favores dos soviéticos e agora vive dos favores da Venezuela. Sem estes recursos, que não são muitos, há muito tempo já estaria estrangulada pelos americanos. Já tinha falado sobre isso há meses. Como câncer de próstata não é letal se tratado no início, Chávez preferiu ir para o Norte. E para a morte.

Segunda: Gabriel Garcia Marques, amigo íntimo de Fidel de longa data, escreveu no Panamá, em março de 1995: “… Até mesmo os USA que gastam enormes fortunas em penetração cultural, enquanto que nós, sem gastar um centavo, estamos mudando o idioma deles, sua comida, sua música, sua educação, suas formas de viver, seu amor…” Dos cerca de 300 milhões de americanos, 45 milhões são latinos. Então, quando o Governo Chávez exorciza os americanos em geral, está dizendo que esta enorme massa de latinos, que ocupa cargos em todos os níveis do governo americano, nas Assembléias e nos Executivos estaduais e federal, está cooptada para ser inimiga dos demais latinos, isto é, daqueles que continuam nas nossas Américas? Que são seus avós, pais, irmãos, tios, sobrinhos, primos, parentes em geral e amigos? É lógico?

*Ivar Hartmann é promotor público aposentado e colunista do diário Jornal NH do Grupo Sinos, Novo Hamburgo, RS.

Fonte: O Autor, por e-mail.
Contato: ivarhartmann@hotmail.com

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