Destino dos jogadores de futebol – por Ivar Hartmann*

A imprensa nacional está com um prato cheio para vender jornal, aproveitando os aspectos mais macabros do julgamento de um jogador de futebol. Os jornais deleitam-se, as televisões indicam que é o assunto mais palpitante da atualidade brasileira. Em suma, todos dão comida para os espíritos dos brasileiros lúcidos, interessados em um caso mais importante que todos os demais do cotidiano nacional.  De origem humilde, ele viu – como centenas de outros – aparecer todo mês o dinheiro que a maioria dos brasileiros não ganha em uma vida.

Junto com ele, a proximidade de mulheres bonitas, desejosas de sexo, em troca de parte destes ganhos. Como são fáceis de serem auferidos, nada demais em reparti-los. Algumas destas companheiras eventuais, mais inteligentes, mais vividas, levam adiante a empreitada, engravidando e garantindo o futuro, via pensão alimentar. As noitadas alegres em boates e cabarés, regadas a álcool e talvez outras drogas, fazem estes jogadores perderem a cabeça. Não são os pais, deixados no interior ou longe de si, seus agentes, com os quais têm um tênue vínculo, ou seus clubes, que não são capazes de lidar nem com suas torcidas organizadas, quem ditará normas, cuidados, horários e responsabilidades dos jovens atletas com seus corpos. Coitados. Ninguém lhes alerta para o futuro negro que os espera. Esquecem o quanto é rápido seu tempo de futebol. 

Seus pagadores não se preocupam com isso. No mundo do consumismo, também eles são mercadorias descartáveis. Todo clube grande convive com estes meninos-jogadores que ganham bons salários e que iniciam carreiras brilhantes e logo se eclipsam. Desponta uma estrela, decide partidas, a imprensa elogia e meses depois ela é mandada para a vala dos insensatos e desaparece. Nunca tiveram a oportunidade do aconselhamento. Todos os clubes, todos os anos. Assim, mais importante que o júri do jogador matador, é a entrevista do jogador sério. No caso Zé Roberto, capitão do Grêmio, com 38 anos e fôlego de guri, como os jornais e TV propalam.  Atleta consagrado, deve ter economizado dinheiro como economizou seu corpo. Por isso, foi muito além da média dos jogadores que preferem as companhias da noite às atividades do dia. E que terminam logo ali para o futebol. Sem dinheiro para sustentar as amizades que se vão. Nunca chegarão a um Zé Roberto.  O arrependimento virá antes.

*Ivar hartmann é promotor público aposentado e colunista do Jornal NH, de Novo Hamburgo, RS.

Fonte: O Autor, por e-mail
Contato: ivarhartmann@terra.com.br

 

Fonte:

Ivarhartmann@hotmail.com

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