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Dialetos Hunsrik e Talian na ofensiva no Sul

Em Santa Maria do Herval, região de Novo Hamburgo, RS, surge forte a mobilização em favor do Hunsrik - a faceta brasileira/latino-americana do Hunsrückisch. Em Serafina Correa, RS, floresce o talian.

Você conhece o hunsrik?

 

GUSTAVO DIEHL/JC
Solange destaca maior utilização do idioma em gibis e jornais
Solange destaca maior utilização do idioma em gibis e jornais

Uma língua usada por quase dois milhões de pessoas no Brasil, com forte presença em comunidades de colonização germânica. Este é o idioma hunsrik, comum entre os descendentes de imigrantes chegados há quase dois séculos da Alemanha. Por ter forte presença oral, um grupo de estudiosos montou um código em 2004, um modo de escrever adaptado à realidade das colônias da América Latina, para que assim as novas gerações possam estudá-lo. O projeto foi apresentado na Feira do Livro.

“Para muitas crianças, o hunsrik é a primeira língua, a que é falada em casa com pais e avós. Mas quando elas chegam à escola, aprendem o português, o que é muito difícil. Para elas, o português é a língua estrangeira’’, diz a professora Mabel Dewes, uma das idealizadoras do projeto. De acordo com ela, o hunsrik era um dialeto alemão até seu registro no Ethnologue, órgão da Unesco que cataloga as línguas vivas e mortas do planeta, em 2008.

Como as crianças já têm o hunsrik na cabeça, Mabel acredita que o ensino formal é a maneira mais adequada de mantê-lo vivo para as próximas gerações. Para isso, a professora e doutora em linguística e em fonética Úrsula Wiesemann, da Alemanha, coordenou, com a participação do linguista Martin Dillig, o desenvolvimento das normas para a língua escrita em 2004 em uma série de sessões com pessoas interessadas em Santa Maria do Herval. Com a participação de crianças e adultos, o novo código foi baseado na fonética da língua portuguesa, levando em conta a natural influência do meio devido à longa distância no espaço e no tempo dos primeiros falantes em solo brasileiro.

O código já está ativo, sendo usado em revistas e jornais locais, além de gibis para as crianças, que tem se mostrado um grande sucesso segundo a professora Solange Maria Hamester Johann. Também foram traduzidos textos bíblicos e teatrais.
 

Comunidade pede reconhecimento oficial

Outra conquista foi um decreto municipal de março de 2009 que permitiu que em Santa Maria do Herval se fale 50% em hunsrik em salas de aula até a 4ª série. Segundo Mabel Dewes, a força do hunsrik pode ser sentida no recreio, antes e depois das aulas, pois é a escolha das crianças para se comunicar.

Os próximos passos são a tentativa de inclusão do estudo do idioma nas classes até a 4ª série e a formação de professores nativos, especialmente em universidades sediadas em regiões de colonização germânica. Solange Johann acredita que a mobilização tem trazido bons resultados. “Em Antonio Carlos, Santa Catarina, o hunsrik já é considerado como segunda língua. É usado em sala de aula, e no serviço público é necessário que pelo menos uma pessoa fale”, explicou.

Para Solange, é preciso mudar a ideia de que no Brasil só se fala o português. “Dados de 2006 apontaram a existência de 200 línguas indígenas e de 30 de imigração. O hunsrik é a língua germânica mais falada no Rio Grande do Sul e, mesmo assim, estamos participando de um censo em que não se pergunta se falamos mais de um idioma”, avaliou.

Fonte: Jornal do Comércio - Porto Alegre, 05 11 2010
Site:  www.jcrs.com.br

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Por Ursula Wiesemann* (saiba mais sobre a mobilização em www.hunsrik.org)

Cada língua é parte de uma família lingüística, tem "parentes". Se uma destas já foi descrita fonologicamente, ou se esta já tem ortografia e talvez até literatura, é bom estudar esta situação. Para o Hunsrik isto se aplica: os imigrantes da Alemanha, Suíça, Áustria do século 19 e 20 saíram de uma cultura onde uma educação escolar já tinha um grande valor e estava ao alcance da maior parte da população, inclusive dos que migraram. Por isso, a língua Alemã – não do Hunsrik, que figurava como "dialeto" e não era codificado – foi ensinada nas escolas até a sua proibição durante a Segunda Guerra Mundial.

De outro lado o contexto social e político dos falantes da língua é de alta importância:
-- a língua oficial (majoritária) do país e sua ortografia.
-- a situação escolar de crianças e adultos.
-- a atitude dos falantes em relação à sua língua materna e a língua oficial.

No século 21, o português, uma língua romana, está bem estabelecida como a língua de comunicação no Brasil inteiro. O fato de se falarem também outras línguas não representa mais nenhuma ameaça para a unidade política. Os habitantes originais do pais, os descendentes dos índios, que até hoje falam suas línguas, já ganharam o direito de ensiná-las nas suas escolas. A primeira "escola normal indígena" bilíngüe no Brasil, nomeada de "Clara Camarão" foi fundada no município de Tenente Portela, RS, em 1970 pelo Dr. Queiróz Campos, o primeiro presidente
da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Foi em parceria com a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). A lingüista Dra. Ursula Wiesemann, da Alemanha, linguista da SIL Internacional, que tinha codificado a língua Kaingang, foi convidada a dirigir esta escola. Um pouco mais tarde, mais duas instituições foram criadas para os índios Karajá (Ilha do Bananal) e os Guajajara (Maranhão).

A educação escolar para os índios estabeleceu uma atitude nova. Mostrou-se que o índio é gente que fala uma língua humana, e que a unidade política não depende unicamente da língua, especialmente se os falantes se tornam bilíngües e versados na língua do pais, no português. O Índio parou de ser selvagem, inimigo ou perigoso.

Ao mesmo tempo, a importância internacional do Brasil cresceu. No "mundo afora" se fala mais Inglês, língua germânica de difícil aquisição para falantes nativos de uma língua românica. Falantes bilíngües, de uma língua românica e outra germânica, descobriram sua facilidade de aprender esta língua internacional. Assim o conhecimento do Hunsrik, ou outra língua germânica como pomerano, westfaliano, Boemiano ou alemão padrão (Hochdeutsch) se torna uma vantagem para os que querem aprender Inglês. De maneira semelhante, os falantes de outras línguas de imigrante, como talian, polonês, japonês, russo e outras têm grande vantagem sobre os que conhecem unicamente o português, porque quem aprendeu uma segunda língua tem mais facilidade para aprender uma terceira língua.

Os falantes da língua germânica Hunsrik, se quiserem escrever a sua língua materna, tinham que aprender Hochdeutsch que era codificado desde o século 16 quando o Dr. Martinho Lutero traduziu a Bíblia para o alemão e assim o estabeleceu. Quando estes migraram para o Brasil no século 19, alguns trouxeram suas Bíblias, e a formação escolar era parte firme da sua cultura.
Com os acontecimentos durante a Segunda Guerra Mundial esta educação perdeu-se em grande parte. A fala da língua Hunsrik permaneceu e continuou a desenvolver-se. Os falantes tornaram-se mais bilíngües em português e não aprenderam mais o alemão. Assim hoje o interesse renovado de ler na língua materna é desligado do conhecimento do Hochdeutsch que é percebido como uma ciência quase perdida e difícil de aprender.
De fato não tem nenhuma necessidade de saber ler Hochdeutsch para ler ou escrever Hunsrik.
Assim estamos propondo para o Hunsrik sul-americano escrevê-lo de maneira regular, segundo os fonemas (não os sons) da língua. Fizemos uma análise dos fonemas do Hochdeutsch da Alemanha (língua materna da autora) e a apresentamos na parte 2 deste trabalho. Também consideramos os fonemas da língua Portuguesa do Brasil como é falada no RS, e os apresentamos na parte 3 deste livro. Enfim na parte 4 explicamos a nossa análise fonológica do Hunsrik do Brasil e uma maneira de escrevê-lo ortograficamente, levando em consideração o seu contexto geográfico na América Latina e cultural em contato com o Português.
Seria perfeitamente possível ensiná-lo como língua de primeira alfabetização das crianças que o falam em casa como língua materna ou dos avós. De fato seria melhor alfabetizar cada criança na sua língua materna em vez de exigir que ela aprenda uma outra língua antes de ser alfabetizada.
A criança que chega na escola para ver que os seus conhecimentos já adquiridos em casa não valem nada fora dificilmente pode desenvolver a autoconfiança necessária para ter uma vida realizada. Diante dos problemas normais de toda a vida humana sempre se achará insuficiente. Isto pode levá-la até o desespero. Isto simplesmente porque a alfabetização foi feita numa língua que ela desconhece ou conhece mal.
Assim esperamos que nosso trabalho possa ser útil para uma nova escola brasileira, a escola que alfabetiza na língua materna do colono. Um direito que o índio já tem.

Fonte: Dra. Ursula Wiesemann
Site: www.hunsrik.org
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Serafina Corrêa
Fórum de talian destaca pioneiros

Foto: ADRIANA SABADIN / DIVULGAÇÃO / CP 
La Nave Degli Immigranti é o símbolo maior da imigração no município e umdos atrativos turísticos<br /><b>Crédito: </b> ADRIANA SABADIN / DIVULGAÇÃO / CP
La Nave Degli Immigranti é o símbolo maior da
imigração no município e umdos atrativos turísticos
 

O município de Serafina Corrêa promove até este domingo o III Fórum Nacional da Língua Talian e o XIV Encontro Nacional dos Difusores do Talian, em comemoração aos 135 anos da imigração italiana no Estado e no Brasil. Os eventos tiveram início nessa sexta-feira e acontecem no Centro da Cultura Italiana no Brasil da cidade, que celebra neste ano o seu cinquentenário de emancipação política.
Durante o fórum, que deve contar com a participação de delegações dos três estados do Sul do país, haverá debates, note dei talenti (festa musical), apresentação do inventário da língua no Brasil, messa talian (missa) e mateada das etnias. Um dos destaques da programação será o lançamento do dicionário Português/Talian, com sessão de autografos do autor Darcy Loss Luzzatto. Neste sábado, durante a Festa de Confraternização Italiana, acontece a premiação aos notáveis 2010, com entrega de diploma e do troféu Mérito Talian.

O objetivo das atividades é resgatar a história e promover novas perspectivas a essa língua, que surgiu dos diversos dialetos italianos falados no Brasil pelos imigrantes vindos da Itália, no final do século XIX. O talian ainda é muito falado, especialmente na Serra gaúcha. Serafina Corrêa é uma das cidades onde esse patrimônio cultural tem encontrado pessoas interessadas em manter viva a história da imigração. O prefeito Ademir Antônio Presotto, com o objetivo de valorizar a herança linguística e cultural, sancionou projeto de lei em 13 de novembro de 2009 tornando o talian língua cooficial do município. No mesmo ano, a governadora Yeda Crusius ratificou projeto de lei da deputada Silvana Covatti declarando o dialeto como integrado ao Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul.

Durante a programação, os participantes poderão conhecer pontos turísticos da cidade, como a La Nave Degli Immigranti, que é o símbolo maior da imigração no município. A obra de Paulo Batista de Siqueira está situada em frente ao Centro Administrativo. Os eventos são promovidos pela Prefeitura de Serafina Corrêa, Associação dos Difusores do Talian e Federação das Associações Ítalo-Brasileiras do Rio Grande do Sul.

Fonte: Correio do Povo - Porto Alegre, 13 11 2010
Site:
www.correiodopovo.com.br