Colunistas

02/09/2018

Vida que te quero viva - por Lissi Bender*

As pombas que habitam nossas áreas urbanas são animais de estimação, amansadas há muitos séculos.

De maneira que se tornaram aves muito distantes de sua condição silvestre original. Diferentemente de seus ancestrais, não mais chocam duas vezes por ano, mas durante todo o ano. Isto se deve ao fato de terem sido domesticadas e criadas com vistas à reprodução para serem usadas como pombos correio, por exemplo. Nessa conformidade, a proliferação de pomba(o)s é consequência da intervenção humana.

Também em nossa cidade elas se multiplicam e se ouve queixas: estariam sujando a praça, trazendo piolhos, transformando-se em pragas. Junto com as reclamações, crescem os debates acerca de formas para seu controle. Não raro, me deparo com sugestões nada pacíficas para a diminuição da população de pombas. Há quem defenda a ideia de eliminação por meio de envenenamento. Outros acham que se deva deixa-las passar fome ou construir arapucas para as aprisionar e depois matar. Todas estas alternativas seguem um movimento contrário ao desenvolvimento de um mundo mais pacífico entre nós humanos e as de outras espécies com as quais compartilhamos vida.

Em Basel, na Suíça, foram feitos experimentos científicos para o controle da população de pombas já no final dos anos 80. Lá pôde ser comprovada uma maneira eficaz e, ao mesmo tempo, voltada para a dignidade de vida da espécie:  a construção de pombais, pois as pombas não fazem ninho em árvore. Junto aos pombais deve haver orientações à população sobre as consequências negativas da alimentação aleatória das aves.

Na contemporaneidade cresce a consciência para artgerechte Tierhaltung – a manutenção e manejo de animais com vistas à vida digna de acordo à espécie. Em Tübingen, onde fiz meu doutorado, pude conhecer como funciona o controle de multiplicação de pombas por meio da instalação de pombais. Quando se reúne as pombas em torno de um local provido de alimento e água fresca, com condições adequadas para nele fazerem seus ninhos, torna-se fácil trocar a cada semana os ovos por outros similares de gesso, com o mesmo formato e peso dos originais. As pombas os aceitam como seus e os chocam. Não vale apenas subtrair os ovos, pois a pomba ficaria muito estressada e passaria a pôr mais ovos.

O manejo desses pombais é, via de regra, assumido por voluntários de diferentes associações. O governo municipal entra com a edificação da casa e com o custo da alimentação. Os ovos arrecadados passam a ser incorporados a alimentos de outros animais. Esses procedimentos oferecem às crianças, e à população, exemplo edificante de como se pode cuidar humanamente da vid

Lissi Bender é Doutora em Ciências Sociais, Vice-Presidente da Academia de Letras de Santa Cruz e comentarista do programa radiofônico AHAI,    

lissi.bender@gmail.com



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