Colunistas

26/06/2013

Vem aí um novo Brasil com novos cidadãos - por Ivar Hartmann e Dr. Eduardo Lucho Ferrão

É claro que são reprováveis a violência de alguns e os atos de vandalismo. Devem ser censurados e punidos. Embora nalguns casos, veiculem o desabafo da retribuição do “tapa na cara”. Vem aí um novo Brasil com novos cidadãos. Sem pacatez.

Caro leitor!

Nunca tinha mandado um texto que não  fosse meu. Não obstante, com a atual conjuntura política, tomo a liberdade de enviar a análise feita por alguém que conhece os meandros dos Poderes.

O Dr. Eduardo Lucho Ferrão é um dos mais prestigiados advogados de Brasília e sua banca representa interesses de pessoas físicas e jurídicas das mais importantes do país. Sua lúcida, crítica e isenta análise, merece ser compartilhada com os leitores deste órgão de imprensa e divulgação.

Um abraço

Ivar Hartmann

 

  O ex-pacato cidadão.

                                                

por Eduardo A.L.Ferrão

 

Oh ! Pacato cidadão !

Eu te chamei a atenção

Não foi à toa, não

C’est fini na utopia

Mas a guerra todo dia

Dia a dia, não…”(SKANK)

                                                                                                         

Há algum tempo escrevemos sobre a crise das instituições.

Ponderávamos, à época,  que o problema era  tópico e conceitual, na seara dos serviços públicos. E agora também dos partidos políticos e do crescente descrédito dos respectivos protagonistas.

Ressaltávamos que todas as concepções político-ideológicas de estado , sejam liberais, conservadoras, totalitárias ou até mesmo fundamentalistas, convergem no sentido da busca do bem-estar coletivo, com maior ou menor expressão dos chamados direitos fundamentais.

Como estado é uma noção política,  fruto de abstrações jurídico-filosóficas , sua atuação é dimensionada pelo desempenho dos respectivos agentes. Não importa a natureza do cargo ou função, nem a forma de investidura. Seja mandato eletivo, seja cargo, haja ou não vitaliciedade.

Todos, absolutamente todos, existem para servir ao cidadão, que, aliás, os legitima na origem.

E é exatamente na falta de conscientização do principio ético-político que viceja a insatisfação generalizada.

Há uma brutal inversão axiológica de instrumentos e mecanismos estatais, por parte de seus operadores.

É o burocrata maltratando o usuário dos serviços públicos, expondo-o a constrangimentos e humilhações no atendimento. Carimbos, senhas, filas, repartições, setores, departamentos, diretores, supervisores, chefes, subchefes, vice-chefes, crachás ,  ordens de serviço, despachos e outros signos infernais, tudo em ambiente manifestamente hostil ao cidadão humilhado. Que, não raras vezes, depois de horas de uma espera vergonhosa,  recebe o equivalente a um “tapa na cara”, com uma voz cretina emitindo um grito de “volte outro dia. Caiu o sistema”.

Age o barnabé  como se prestasse um favor, quando, na  verdade, cumpre um dever.

É o profissional da saúde pública tratando os  pacientes como animais ou, na melhor das hipóteses, como um número a ser adicionado em sua planilha de desempenho . Sem a menor preocupação com a eficácia do tratamento , quando prescrito.  Tudo sob o pretexto da baixa remuneração e das más condições de trabalho.

É o policial, arbitrário e truculento, fazendo de delegacias, postos ou viaturas verdadeiros circos de horrores para os cidadãos que demandam por segurança . Que são  vítimas indefesas  de assaltos, seqüestros e outras violências inomináveis.

É o magistrado, que vê no ato jurisdicional e nas liturgias pertinentes fatores de demonstração de poder e de afirmação social.

Atender pessoalmente ao jurisdicionado - seu verdadeiro patrão, na concepção democrática de Estado -  com educação e presteza,  somente quando o humor o permitir e nos raros espaços de uma agenda congestionada por “outros compromissos” e por  viagens acadêmico-recreativas .

É o parlamentar fazendo do mandato uma alavanca de satisfação de interesses pessoais ou de mera afirmação político-eleitoral perante feudos , setores econômicos ou corporações.

É o ministro de estado, cercado de uma corja de companheiros ou  correligionários , direcionando as verbas mais  expressivas  para seu reduto eleitoral, embora outras regiões do Pais  estejam a demandar mais urgência em seus pleitos naquele ministério.

É o sucateamento das universidades públicas, com a conseqüente debandada dos melhores professores para o exterior ou para os estabelecimentos particulares.

São apenas alguns exemplos da derrocada de nosso serviço publico. Há exceções, é verdade. Raras, mas há. E, como toda exceção, permanece sufocada pela generalidade da regra.

Lamentavelmente, numa dramática deturpação institucional, os agentes públicos ou políticos  querem mesmo é ser autoridade. De preferência com veículo oficial, estacionamento e elevador privativos; assessores, diversos, para lhes servir de anteparo ao público ou para lhes compensar deficiências, inapetências e inoperâncias. Mais um auxílio-moradia perfeitamente cumulável com o “auxílio-habitação”, mais quintos, sextos, sétimos e oitavos, neste “teto” repleto de chaminés. Sem falar no indefectível passaporte diplomático, que lhes permite fugir de filas e constrangimentos a que são submetidos os viajantes humanos e mortais.

Até ontem, os cidadãos pacatos submetiam-se passivamente a isso tudo.

Agora, alguém chamou a atenção e eles acordaram. Estão deixando de ser pacatos.

Não suportam mais a guerra de todo o dia, apanhando da gente poderosa.

Querem o que lhes é de direito: um País decente, com políticos e servidores (repito, de qualquer nível) trabalhando assidua e honestamente  para seu patrão.

Não engolem mais esse lero-lero nojento, esse cinismo canalha  e esse desprezo humilhante com que foram tratados até hoje.

E aí estão eles, altivos, lotando as ruas e as praças, numa bela demonstração de cidadania.

É claro que são reprováveis a violência de alguns e  os atos de vandalismo.  Devem ser censurados e punidos. Embora nalguns casos,  pouquíssimos talvez,  veiculem o desabafo da retribuição do “tapa na cara”.

Vem aí um novo Brasil com novos cidadãos.

Sem pacatez.

*Ivar Hartmann é promotor público aposentado, colunista do diário Jornal NH, Grupo Sinos, Novo Hamburgo, RS, e colaborador do portal BrasilAlemanha e da mala direta BrasilAlemanha Neues.



Comentários

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sLwABFQo 25/01/2014, às 14:35

I\'m currently readnig this book and it\'s great. :) But what do you mean by short story? It\'s around 300 pages long, which is pretty much the same length as most Kate Daniels novels. http://igylftb.com [url=http://tglwsmuraf.com]tglwsmuraf[/url] [link=http://xagxgkc.com]xagxgkc[/link]

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VdtIF91ck9f1 09/01/2014, às 11:33

Gunmetal Magic is only a nvollea? Wow, that is one long nvollea. lol. It\'s the length of all the books in the Kate series. Huh, I forgot Magic Gifts was in there as well. Cool! Thanks! I have it here on the shelf and look forward to reading it soon.

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cc5dVzjp 08/01/2014, às 06:33

Mervi - The entire book is 433 pages long dievidd into two stories. Gunmetal Magic is from pages 3 to 326. Magic Gifts is from pages 329 to 433. Maybe I just gotten used to reading a Kate Daniels book which is a 400 pages long, thus a 300-page one is rather short for me :)

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STANLEY CALYL DE SOUZA BUENO 28/06/2013, às 12:26

PREZADO SENHOR IVAR HARTMAN, A NOSSA BRAVA GENTE BRASILEIRA COM SEU BRADO RETUMBANTE ABALOU AS ESTRUTURAS DO PODER. EU TENHO CERTEZA QUE É HORA DE NOS ORGANIZARMOS PARA PROPOSTAS CONCRETAS COM RELAÇÃO A UM MAIOR CONTROLE SOBRE A CORRUPÇÃO E DESMANDOS. O CONTROLE E FISCALIZAÇÃO POPULAR SOBRE OS INVESTIMENTOS PÚBLICOS NAS ESFERAS MUNICIPAL, ESTADUAL E FEDERAL É A MEU VER UMA PROPOSTA MUITO INTERESSANTE QUE PUDE VISUALIZAR EM CARTAZ NAS MANIFESTAÇÕES. ESTÁ IMPLÍCITO E MUITAS DAS VEZES EXPLÍCITO NO MOVIMENTO, TODAS AS QUESTÕES QUE O SENHOR COLOCA EM DISCUSSÃO EM SEU TEXTO, PARABÉNS. CORDIALMENTE, STANLEY

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STANLEY CALYL DE SOUZA BUENO 28/06/2013, às 12:26

PREZADO SENHOR IVAR HARTMAN, A NOSSA BRAVA GENTE BRASILEIRA COM SEU BRADO RETUMBANTE ABALOU AS ESTRUTURAS DO PODER. EU TENHO CERTEZA QUE É HORA DE NOS ORGANIZARMOS PARA PROPOSTAS CONCRETAS COM RELAÇÃO A UM MAIOR CONTROLE SOBRE A CORRUPÇÃO E DESMANDOS. O CONTROLE E FISCALIZAÇÃO POPULAR SOBRE OS INVESTIMENTOS PÚBLICOS NAS ESFERAS MUNICIPAL, ESTADUAL E FEDERAL É A MEU VER UMA PROPOSTA MUITO INTERESSANTE QUE PUDE VISUALIZAR EM CARTAZ NAS MANIFESTAÇÕES. ESTÁ IMPLÍCITO E MUITAS DAS VEZES EXPLÍCITO NO MOVIMENTO, TODAS AS QUESTÕES QUE O SENHOR COLOCA EM DISCUSSÃO EM SEU TEXTO, PARABÉNS. CORDIALMENTE, STANLEY

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Edo Inácio Scheibler 28/06/2013, às 10:51

Parabéns ao caro cidadão Ivar Hartmann. Descrição perfeita da situação política, ou melhor, dos políticos no Brasil. Aqui, tudo é corporativismo(nefasto), concentrando a defesa de interesses pessoais e espúrios, em detrimento do cidadão comum e mortal. Seja em que nível for. E quando eventualmente alguma voz se manifesta contra esse sistema, como é o caso das poucas instituições, ainda com alguma confiança e credibilidade por parte do cidadão comum, como é o caso do Ministério Público, Polícia Federal e Judiciário, tentam calar estas com as famosas PEC´s 33, 37, 99, etccc.... Parece que este povo cordeiro, digo, ordeiro, acordou; e o elefante.... Os políticos que se lembrem disso; em especial os fisiologistas, oportunistas, demagogos, legisladores de causas próprias, tipo Renam \"avaCalheiros\", Marcos \"Maliciano\", Denadon, e outros tantos exemplares dessa fauna imensa que assola o congresso, vivendo as nossas expensas, sem lembrar que são pagos por nos; e que assim sendo,

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Edo Inácio Scheibler 28/06/2013, às 10:50

Parabéns ao caro cidadão Ivar Hartmann. Descrição perfeita da situação política, ou melhor, dos políticos no Brasil. Aqui, tudo é corporativismo(nefasto), concentrando a defesa de interesses pessoais e espúrios, em detrimento do cidadão comum e mortal. Seja em que nível for. E quando eventualmente alguma voz se manifesta contra esse sistema, como é o caso das poucas instituições, ainda com alguma confiança e credibilidade por parte do cidadão comum, como é o caso do Ministério Público, Polícia Federal e Judiciário, tentam calar estas com as famosas PEC´s 33, 37, 99, etccc.... Parece que este povo cordeiro, digo, ordeiro, acordou; e o elefante.... Os políticos que se lembrem disso; em especial os fisiologistas, oportunistas, demagogos, legisladores de causas próprias, tipo Renam \\\\\\\\\\\\\\\"avaCalheiros\\\\\\\\\\\\\\\", Marcos \\\\\\\\\\\\\\\"Maliciano\\\\\\\\\\\\\\\", Denadon, e outros tantos exemplares dessa fauna i

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Edo Inácio Scheibler 28/06/2013, às 10:47

Parabéns ao caro cidadão Ivar Hartmann. Descrição perfeita da situação política, ou melhor, dos políticos no Brasil. Aqui, tudo é corporativismo(nefasto), concentrando a defesa de interesses pessoais e espúrios, em detrimento do cidadão comum e mortal. Seja em que nível for. E quando eventualmente alguma voz se manifesta contra esse sistema, como é o caso das poucas instituições, ainda com alguma confiança e credibilidade por parte do cidadão comum, como é o caso do Ministério Público, Polícia Federal e Judiciário, tentam calar estas com as famosas PEC´s 33, 37, 99, etccc.... Parece que este povo cordeiro, digo, ordeiro, acordou; e o elefante.... Os políticos que se lembrem disso; em especial os fisiologistas, oportunistas, demagogos, legisladores de causas próprias, tipo Renam \\\\\\\"avaCalheiros\\\\\\\", Marcos \\\\\\\"Maliciano\\\\\\\", Denadon, e outros tantos exemplares dessa fauna imensa que assola o congresso, vivendo as nossas expensas, sem le

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Edo Inácio Scheibler 28/06/2013, às 10:46

Parabéns ao caro cidadão Ivar Hartmann. Descrição perfeita da situação política, ou melhor, dos políticos no Brasil. Aqui, tudo é corporativismo(nefasto), concentrando a defesa de interesses pessoais e espúrios, em detrimento do cidadão comum e mortal. Seja em que nível for. E quando eventualmente alguma voz se manifesta contra esse sistema, como é o caso das poucas instituições, ainda com alguma confiança e credibilidade por parte do cidadão comum, como é o caso do Ministério Público, Polícia Federal e Judiciário, tentam calar estas com as famosas PEC´s 33, 37, 99, etccc.... Parece que este povo cordeiro, digo, ordeiro, acordou; e o elefante.... Os políticos que se lembrem disso; em especial os fisiologistas, oportunistas, demagogos, legisladores de causas próprias, tipo Renam \\\"avaCalheiros\\\", Marcos \\\"Maliciano\\\", Denadon, e outros tantos exemplares dessa fauna imensa que assola o congresso, vivendo as nossas expensas, sem lembrar que são pagos por nos; e


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