Colunistas

17/06/2017

Um brasileiro com honra - por Ivar Hartmann*

Quando o judiciário superior pender também para o clube dos maus, por absoluta falta de representatividade do governo, um golpe de estado é previsível. Não porque os militares sejam mais honestos, mas pela simples razão de existirem pesos e medidas. Quando os pesos da balança estão todos do lado ruim, sem apelação, a própria sociedade procura os contrapesos.

Nas repúblicas bananeiras, é o militar dono de tropas, que se arvora em defensor da nação. Por que o chamado da bandeira da honestidade, da probidade, da honra nacional dilacerada, é muito forte. Há dias um jogador de futebol do Grêmio, Michel, fez um gol chutando do meio do campo. Nem Pelé conseguiu isso. Ovacionado, respondeu: “Foi sem querer, eu errei um passe para o Ramiro (outro jogador)”. Tem mais honra ele no pé, que altos próceres em todo corpo.

Época triste, como negar? Estrangeiros que, em seus jornais, leem sobre nosso país, não têm dúvidas de que somos um país tropical com usos e costumes próprios das tantas republicazinhas sem futuro da América Central e por isso mesmo denominada pelos americanos, em tom depreciativo, de repúblicas de bananas.  Aludem as grandes plantações de banana destes países, em mãos de empresários americanos, que governavam estas pseudo repúblicas através da propinas a seus dirigentes, eleitos ou ditadores.  Corruptos na sua essência.

Com executivos e legislativos manipulados pelo dinheiro, a esperança dos cidadãos seria o judiciário local. Mas, também corrompido e nomeado pelos executivos para atender seus interesses, como defenderiam uma lei para o povo?  Em nenhum deles, em nenhuma época, seria possível uma Lava Jato, capaz de expulsar os governantes bandidos. No Brasil, com um Judiciário de primeiro e segundo graus e um Ministério Público composto por membros escolhidos através de concursos públicos, ainda é possível processar governantes.

Como se viu recentemente no TSE, os julgamentos em que a lei e a justiça são aplicadas nas instâncias finais por juízes nomeados isso é muito difícil. Falta a muitos ministros honra: a dignidade que leva o indivíduo a procurar merecer e manter a consideração dos seus concidadãos. A assim continuar, se a sociedade brasileira não der um basta ao avanço dos piratas da honra, o STF também se verá contaminado. E a população brasileira não terá mais em quem acreditar. Um golpe de estado é possível.

ivar4hartmann@gmail.com 


*Ivar Hartmann é promotor público aposentado, colunista do diário Jornal NH, Grupo Sinos, Novo Hamburgo, RS, e colaborador do portal BrasilAlemanha e da mala direta BrasilAlemanha Neues.



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