Colunistas

28/03/2015

Rico estuda de graça. E reclama - por Ivar Hartmann*

Este país não é exemplo para ninguém. Nem o fato de sermos o maior consumidor de próteses de silicone do mundo nos leva a um patamar melhor.

O título, no entanto, refere-se ao direito que têm as classes A e B de brasileiros, de estudar de graça. Fruto da Constituição feita por quem nos governa e que assim abocanha mais um pouco dos nossos impostos, pois libera os próprios filhos de taxas escolares nas universidades públicas. Meu pai, que era um homem direito e minha mãe que era uma mulher séria, nunca colocaram os filhos em colégios públicos. A alegação era de que os colégios públicos eram destinados aos alunos que não podiam pagar seus estudos. Bobagem, já se vê, mas pensamento comum nas décadas de quarenta a sessenta, quando as famílias brasileiras ainda não tinham aprendido, pela televisão, que certo estava o Gerson: “deve-se levar vantagem em tudo"!

Com os cortes do orçamento, as universidades públicas estão passando dificuldades: não têm dinheiro para cortar o mato dos pátios, para trocar o vidro das janelas. Faltam sacos para levar o lixo, e o material de uso comum está acabando. Imaginem: nem papel higiênico os filhos dos abonados brasileiros têm para limpar o fiofó! Isto é um descalabro! Nem um reitor, é óbvio, pensou em ver quantos alunos tem, quais os rendimentos declarados pelos pais e com quanto eles poderiam ajudar sua universidade.

Uma vez trabalhei em um ginásio estadual em Irai (cidade próxima ao rio Uruguai, na divisa com Santa Catarina). Gratuito. No entanto os alunos pagavam uma taxa escolar proporcional aos ganhos dos pais. Para melhorar as condições do colégio onde seus filhos estavam sendo educados e formados para a vida. Nenhum dos pais pagantes pensava em reclamar da taxa e ficar isento como os mais pobres. Era um tempo em que a coletividade brasileira do interior ainda não estava infestada do vírus da antidemocracia. Antes dos lares se abriram para a televisão e as novelas da Globo, que retrata as vidas de alguns como se fossem as da maioria.

Voltando às universidades públicas. Afora as quotas das minorias, quem as frequenta são os alunos que sempre tiveram regalias nos estudos, patrocinadas pelos pais que podem pagar. Pagaram o ensino fundamental e o médio. Porque não pagam a universidade? Os que não têm posses rumam para as particulares. Os que têm, reclamam da falta de papel higiênico, que, infelizmente, não limpa a cabeça dos gestores públicos.

Ivarhartmann@hotmail.com 

*Ivar Harmann é promotor público aposentado e colunista do Jornal NH, do Grupo Sinos, de Novo Hamburgo, RS.

 



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