Colunistas

08/08/2013

"Parlons Hunsrückisch" - por Lígia Fleury

Nossa Educação é mesmo um mistério, para não dizer um insulto aos que nela acreditam, que dela fazem seu meio de vida, que nela colocam seus sonhos, que por meio dela realizam seus projetos de vida.

Estava pensando em todos os brasileiros que precisam estudar fora do Brasil para conhecer outra língua, aprimorar a cultura geral e vivenciar o que denominamos pluralismo cultural.

É infinitamente menor o número de alunos que procuram o Brasil para um intercâmbio do que o número de brasileiros que saem em busca de uma aprendizagem mais efetiva. Simplesmente porque no Brasil a Educação não tem espaço. Não há uma mobilização política que se preocupe em incentivar e aprimorar o nível de conhecimento da população. Ora, se sou de outro país e busco ampliar minha cultura, claro que optarei por algum lugar que me possibilite novos conhecimentos, novas redes sociais, novas aprendizagens. E o Brasil não sabe fazer Educação de qualidade. Essa é a realidade!

Prova disso é o que ocorreu recentemente, quando Ozías Alves Junior, editor do Jornal Biguaçu e São José em Foco, SC, lançou seu segundo livro no exterior. Ele é brasileiro, um estudioso linguístico que domina não só a estrutura do francês, tupi, alemão, inglês e quem sabe outras línguas, como conhece a história da colonização europeia no Brasil, assim como a origem de muitas cidades brasileiras, com sua herança cultural e as adaptações da população.

Ozías publicou dois livros no exterior; o primeiro, “ Parlons Nheengatu”, lançado em 2010, sobre o idioma tupi moderno hoje falado no Amazonas e o segundo, “Parlons Hunsrückisch”, um estudo sobre o dialeto alemão hunsrück, falado tanto na comarca de Biguaçu (SC) como também no norte do Rio Grande do Sul.

No Brasil, além de não haver interesse da própria escola em debater sobre a formação linguística e a questão cultural que a envolve, há a enorme dificuldade para o autor publicar seus conhecimentos, já que as editoras não subsidiam o trabalho. No exterior, as editoras costumam cobrir essas despesas, o que facilita a disseminação cultural.

Como fazer nossos alunos lerem se não há incentivo para os autores escreverem? Nossos autores precisam publicar no exterior seus trabalhos e continuam sem reconhecimento na própria língua materna? Até quando?

Essa é apenas uma das pontes que temos que atravessar para diminuir a  distância entre o Brasil e o mundo : a ponte da valorização cultural!  Ozías está tentando. Parabéns pelo seu sucesso no exterior e que ele seja apenas o começo do muito que precisa ser feito no nosso Brasil.

Fonte: Ozias Deodato Alves Jr
E-mail: ozias@jbfoco.com.br


 

 



Comentários

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