Colunistas

21/12/2018

Natal entre singeleza e opulência - Lissi Bender*

Comemorar o Natal com opulência e, mais recentemente, com foguetório eu somente conheci aqui na cidade, depois de adulta.

Celebrar o nascimento de Cristo é enaltecer valores por ele legados como fraternidade, união familiar, harmonia entre os humanos. Valores estes que me parecem não se coadunarem com festança, barulheira e comilança. Até por que o aniversariante nasceu em condições precárias e pautou sua vida na simplicidade.

 Natal em minha infância bucólica era despretensioso. Nele o aniversariante era e continua a figura central. O pinheiro era ornamentado somente na véspera do grande dia, com pequeninas velas de cera e tufinhos de algodão. Tudo preparado por Christkind, conforme a Wowa alertava. Para não incomodarmos Menino Jesus, estávamos proibidos de entrar na sala. Nossos pais nos ocupavam com afazeres externos para deixar tudo digno do evento.

Durante todo o Advento a casa rescendia a especiarias. Na companhia da Wowa Lídia fazíamos Weihnachtsdoss. Enfeitávamos os Doss com fina camada branca de clara de ovo em neve – a simbolizar as neves natalinas dos ancestrais e os salpicávamos com cristais de açúcar – a lembrar estrelas. Biscoitos natalinos se fazem presentes desde sempre na celebração e para ofertar às visitas. O segundo dia de Natal também era feriado. Ia-se de casa em casa admirar os pinheirinhos e os presépios. E, claro, receber e oferecer biscoitinhos.

Muito mais tarde, já adulta, conheci, nos centros urbanos, o Natal com peru, mesa farta e muitos presentes. Também participei de natais na companhia de famílias de amigos na Alemanha. Lá entrei em contato com um Advento rico em tradições. Por diversos Natais estive na terra de meus antepassados. Em país rico, conheci Natal singelo. Os presentes, muitos, são confeccionados pela própria família (como na minha infância). Principalmente pacotinhos de biscoitinhos ou presentes artesanalmente feitos em casa, ou algo que se sabe ser do desejo do presenteado, principalmente livros. Crianças recitam versos, cantos natalinos ressoam. Mesa disposta com símbolos natalinos e luz de velas.

Na família de minha amiga Sabine Heinle a Königin Pastete (cestinha de massa folhada, recheada com Ragout Fin) é servida com salada. Na família de meu amigo professor Engels serve-se salsicha grelhada com salada de batata à moda schwäbisch. Na família Rosemann, cujo filho é deputado federal, sempre sou recebida com uma grande variedade de biscoitinhos, feitos pela sua mãe, minha amiga Jutta, e Champagne. Noite de véspera, 22:00 horas é a vez do culto natalino à luz de velas e canções natalinas que vêm de longe, presentes em natais há muitas gerações e se houve repicar de sinos por toda parte. No almoço em dia de Natal serve-se, principalmente, carpa ou ganso assado, com algum acompanhamento.

As visitas são recebidas com biscoitinhos e Christstollen – cuca natalina – diante da árvore natalina, como sempre foi na minha infância: Natal singelo mas, por toda parte percebo espírito natalino presente. A propósito, o segundo dia de Natal continua feriado lá, e sem foguetório, porque Natal não é Noite de São Silvestre.

i Bender – doutora em Ciências Sociais, vice-presidente da Academia de Letras de Santa Cruz do Sul, tradutora e comentarista AHAI desde 2003.

lissi.bender@gmail.com



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