Colunistas

01/08/2015

Meus dias com Maria - por Ivar Hartmann*

Viajei sozinho porque queria conhecer a região dos cátaros, sul da França, sobre os quais falarei outro dia.

Para isso precisava de um carro para andar por estradinhas francesas pouco transitadas, em lugares remotos, que não são destinos turísticos internacionais. Como a Espanha e Portugal estão em crise econômica, e a mão de obra é barata, me sugeriram o apoio técnico de quem, mesmo não conhecendo história, era expert em geografia da região.

Acertados os valores pelo serviço, quando retirei o carro, Maria já estava á disposição para me acompanhar. Dentro da indumentária própria de um guia de viagem. Assim durante nove dias e noites a Maria e eu fomos companheiros únicos em uma viagem por lugares estranhos onde cada noite era passada em um hotel diferente. Os hoteleiros hoje são espertos: tem duas camas no quarto, use um ou duas, o preço é o mesmo. De sorte que tanto fazia quantas camas eu usasse. Foi uma experiência interessante. Como sou de natureza recatada, deixo as ilações para os maldosos e me atenho à parte diurna da viagem.

Quanto à competência, diria que ela entendia do assunto e valeu a pena pagar. Conhecia a região por viagens anteriores e normalmente acertava no rumo a tomar nas encruzilhadas. Foi indispensável em alguns momentos. Reclamações? Várias. Primeiro: não sabia como português é teimoso. Se embestava - com as informações que tinha dos apontamentos que possuía - que o rumo era um, não adiantavam as placas indicativas de trânsito informar o contrário. Só me restava um “Cala, pelo amor de Deus!”. Segundo: nas cidades maiores era um zero á esquerda ao escolher ruas, procurar o número das casas ou indicar soluções quando estávamos os dois perdidos. A tal ponto que, mesmo com a obviedade de que números pares eram de um lado e ímpares do outro, insistia em buscar outra solução.

Tantas vezes ocorreu que ao final eu apenas repetia: “É. Em Portugal é assim, mas aqui não é!” Mas para quem ia viajar sozinho, a companhia dela nestes dias foi ótima. Sempre é bom ouvir alguém falar quando a gente está silencioso, preocupado com o trânsito. Falar deve ter sido o grande atributo que seus pais lhe deram. Falava e falava. Tanto que, por certo cansada, de noite silenciava. E era melhor mesmo, porque melhor que falar é agir. E a noite, cansado do dia, nada como deitar e usufruir a vida. Resumindo: foi ótimo meu GPS.

ivarhartmann@hotmail.com 

*Ivar Hartmann é promotor público aposentado e colunista do Jornal NH, do Grupo Sinos, de Novo Hamburgo, RS, parceiro BrasilAlemanha na transmissão do programa radiofônico AHAI - A Hora Alemã Intercomunitária/Die deutsche Stunde der Gemeinden.



Comentários

Participe! Aqui sua opinião vale muito.


  • brasilalemanha
  • brasilalemanha
  • brasilalemanha
  • brasilalemanha
Logomarca oficial da imigração alemã no Brasil. Reprodução liberada e recomendada, para uso não comercial.
Para uso comercial e originais em alta resolução: contato@brasilalemanha.com.br.

© 2004-2019 BrasilAlemanha - O portal oficial da imigração alemã no Brasil - Todos os direitos reservados

Desenvolvido por Sapiência Tecnologia

Publicidade