Colunistas

08/12/2015

Macaquices brasileiras - por Ivar Hartmann*

Durante anos, enquanto eram poderosos e endinheirados, antes que os governantes peronistas, notórios ladrões dos cofres públicos e incompetentes gestores da Argentina, tivessem destruído sua economia, eram comuns entre nossos hermanos duas coisas:

primeiro comprar em nossas praias tudo dobrado. Ao ponto de receberem o apelido de “dá me dos”. Dê-me dois! Outra era brincarem com os brasileiros chamando-nos de “macaquitos brasileños”. Macacos brasileiros! Nunca vi algum brasileiro brigar por causa disso. Como nunca vi um descendente de alemão ser chamado de “alemão batata come queijo com barata” e sentir-se minimamente atingido. Nem poderia ser diferente.

Mas de onde os argentinos inventaram o termo macaquitos para nós? Muito simples: enquanto eles têm uma forte colonização italiana e alemã e uma mais que centenária influência inglesa, tendem a parecer-se aos europeus com os quais gostam de identificar-se. Seus prédios, usos e costumes denotam isso. Já os brasileiros acompanham os americanos. Talvez porque quando os poderosos do mundo resolveram dividir as áreas de influência, nos tocou os USA.

Mas, macaco é um animal imitador por índole. Então nós brasileiros que temos no animal nossas origens, como os outros homens da terra, segundo Darwin, quando imitamos os americanos, o fazemos por desapego á terra natal ou ignorância. Simões Lopes Neto e Monteiro Lobato nos ensinaram um cem número de entes folclóricos.

Fiquemos com dois: o Negrinho do Pastoreio e o Saci Pererê. Poderiam dar ótimas festas infantis já que são personagens riquíssimos. Lendas que dizem respeito aos brasileiros. Retratam usos e costumes e o maravilhoso do folclore pátrio. Mas algumas professoras de gosto duvidoso e pouca inventividade vão buscar bruxas dos USA para fantasiar seus alunos. E os pais aceitam candidamente.

Porque são personagens americanas o que, por certo, é um “plus” comparando-se com o Negrinho ou o Saci. Não deixando por menos, nossos comerciantes que querem e precisam vender, prática legal, pensaram: brasileiro não macaqueia americano? Pronto. Aí está o Black Friday. E o povo, mesmo com o dinheiro escasso graças aos nossos políticos de honra escassa, sai correndo a comprar o que nem precisa. Imaginem poder dizer aos amigos: “Aproveitei o Black Friday! Comprei pela metade do preço!” Quanta honra para nossa lerda inteligência...

ivarhartmann@hotmail.com 

*Ivar Hartmann é promotor público aposentado, colunista do diário Jornal NH, Grupo Sinos, Novo Hamburgo, RS, e colaborador do portal BrasilAlemanha e da mala direta BrasilAlemanha Neues.



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