Colunistas

10/03/2014

Exposição do Grupo ZERO inicia temporada inédita em São Paulo no Ano da Alemanha no Brasil

Pinacoteca do Estado de São Paulo receberá a exposição de um dos mais conceituados movimentos de vanguarda do século XX, que reflete o novo conceito artístico na Alemanha dos anos 50

São Paulo, 10 de março de 2014 – Para celebrar a Temporada da Alemanha no Brasil, a Pinacoteca do Estado de São Paulo, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, apresenta de 03 de Abril e 15 de Junho a exposição ZERO. Pela primeira vez no Brasil, a mostra apresenta uma visão geral com enfoque temático dessa vanguarda internacional que, no final da década de 1950 e início da década de 1960, por meio de arranjos pictóricos dispostos em série e estruturas de luz vibratórias, alterou de forma decisiva a arte do período pós-guerra. 

 

A mostra é uma realização do Goethe-Institut e dos três museus Pinacoteca do Estado de São Paulo, Fundação Iberê Camargo de Porto Alegre e Museu Oscar Niemeyer de Curitiba e conta com o apoio da Allianz Seguros S.A., do Ministério NRW e do Pro Helvetia. Com curadoria de  Heike von den Valentyn. Na Pinacoteca de São Paulo, a coordenação da mostra é de Regina Texeira de Barros, curadora do museu.

 

Estética na luz pura

Retrospectivamente, é preciso definir o 11 de abril de 1957 como a marca inicial de uma época, pois foi naquele dia que dois jovens artistas de Düsseldorf abriram as portas de seu ateliê e proclamaram o reinício da arte no pós-guerra. Assim nascia o ZERO. Otto Piene, Heinz Mack e, um pouco mais tarde, Günther Uecker foram os nomes que marcaram o início desta nova vanguarda, por meio de uma série de exposições noturnas no atelier na Rua Gladbacher, número 69, em Düsseldorf. Naquele momento de ruptura, eles definiam como ZERO um recomeço tanto nas artes quanto na história, incluindo uma emancipação dos gêneros clássicos e de princípios artísticos tradicionais.

 

Forma-se no estado da Renânia um cenário dinâmico que transcende as fronteiras. Na intensa rede de relações de artistas, que organizam coletivamente exposições históricas, como Azimut (Milão), Nul (Holanda) e ZERO (Düsseldorf), a exposição ZERO enfoca as relações entre artistas alemães e sul-americanos. Artistas sul-americanos de renome internacional, como Lucio Fontana (Argentina/Itália) ou Almir Mavignier (Brasil/Alemanha) incluem-se no círculo restrito de curadores ativos em Milão, Veneza e Zagreb, assim como o venezuelano Jesús Rafael Soto, que vive em Paris.

 

Numerosos artistas do ZERO e de seu entorno imediato participam da Bienal de São Paulo, entre eles, Lucio Fontana (1951 e 1959, entre outras bienais), Almir Mavignier (1951 e 1957), Jesús Rafael Soto (1959 e 1963), Jan Henderikse e Jean Tinguely (1965), Gianni Colombo e Jan Schoonhoven (1967) e Günther Uecker (1971). O diálogo artístico da exposição ZERO é ampliado ainda com as obras de Hércules Barsotti, Lygia Clark e Abraham Palatnik (todos do Brasil), Gego (da Venezuela), assim como Gyula Kosice (da Argentina).

 

Sem dúvida, influenciado pelos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, o ZERO almeja, segundo Otto Piene, “rearmonizar as relações entre ser humano e natureza”. Os artistas experimentam novas técnicas e materiais, deixam-se levar pelo acaso e pelas forças da natureza para dinamizar a superfície da imagem.Dynamo! Dynamo! Dynamo! é a divisa onipresente; vibração torna-se sinônimo do tempo ZERO e de uma linguagem voltada para futuro, que se define a partir da pureza da luz. Um espaço monocromático, frequentemente de cor branca, visualiza as forças energéticas do cósmico e do vazio, que incorporam não apenas para Yves Klein, o desejo do ser humano por uma vivência espiritual.

 

Com os cortes e rupturas da tela, assim como o uso de pregos, rolhas, algodão, esponjas e outros materiais cotidianos, a imagem se torna não apenas um lugar de ação física e se transforma em um objeto, que põe o espectador em movimento e vice-versa: o próprio espectador pode por em movimento o objeto da imagem ou mudar sua estrutura por meio de contato. Dessa forma, são gerados relevos movimentados manualmente ou de forma eletromecânica, que procuram crescentemente ocupar o espaço. Das estruturas vibrantes desenvolvem-se esculturas de luz cinéticas e ambientes transitáveis, concebidos especialmente para um local e que podem ser vivenciados pelo espectador com todos os seus sentidos.

 

Na exposição, os modernos modos de pensamento e de trabalho do ZERO, não apenas são apresentados por meio de representativas obras individuais. Históricos espaços centrais de luz estão sendo reinstalados especialmente para a exposição itinerante. Esses ambientes de luz e espelhos formam as linhas mestras da exposição nos quais os espaços temáticos são ligados como capítulos individuais: o branco como cor da luz; a ideia de purificação de Yves Klein, que se manifesta em objetos azuis; os objetos em movimento inseridos sob o conceito Dynamo, que vem acompanhado do fenômeno da vibração e finalmente a inserção de elementos naturais, que funde o espaço da arte com o espaço da natureza. Em relação ao período, a exposição se concentra, com algumas exceções, no início da formação do ZERO, no final da década de 1950 até a sua dissolução em meados da década de 1960.

 

A curadoria do projeto da exposição é da historiadora de arte de Colônia, Heike van den Valentyn, que também foi responsável pelas exposições ZERO de 2006 e 2008. A coordenação geral do projeto está a cargo da gestora cultural Cristina Sommer e a coordenação do catálogo é de Violeta Quesada.

 

O projeto da exposição foi organizado em estreita cooperação com artistas e suas fundações, legados ou arquivos, como Heinz Mack, Almir Mavignier, Christian Megert, Otto Piene e Günther Uecker, a Associação Cultural O Mundo de Lygia Clark no Rio de Janeiro, o arquivo de Yves Klein de Paris, o Archivio Gianni Colombo, o Archivio Enrico Castellani, a Fondazione Lucio Fontana e a Fondazione Piero Manzoni em Milão. Acompanha a exposição um catálogo fartamente ilustrado com ensaios de Otto Piene (Düsseldorf/Groton), Heinz-Norbert Jocks (Düsseldorf/Paris), Paulo Venâncio Filho (Rio de Janeiro) e Heike van den Valentyn (Colônia).

 

·         Armando (Holanda, *1929)

·         Hércules Barsotti (Brasil, 1914–2010)

·         Pol Bury (Bélgica, 1922–2005)

·         Enrico Castellani (Itália, *1930)

·         Lygia Clark (Brasil, 1920–1988)

·         Gianni Colombo (Itália, 1937–1993)

·         Dadamaino (Itália, 1930–2004)

·         Lucio Fontana (Argentina, 1899–1968)

·         Gego (Venezuela, 1912–1994)

·         Hans Haacke (Alemanha, *1936)

·         Jan Henderikse (Holanda, *1937)

·         Yves Klein (França, 1928–1962)

·         Gyula Kosice (Argentina, *1924)

·         Heinz Mack (Alemanha, *1931)

·         Piero Manzoni (Itália, 1933-1963)

·         Almir Mavignier (Brasil, *1925)

·         Christian Megert (Suíça, *1936)

·         Abraham Palatnik (Brasil, *1928)

·         Henk Peeters (Holanda, 1925–2013)

·         Otto Piene (Alemanha, *1928)

·         Jan Schoonhoven (Holanda, 1914–1994)

·         Jesús Rafael Soto (Venezuela, 1923–2005)

·         Jean Tinguely (Suíça, 1925–1991)

·         Günther Uecker (Alemanha, *1930)

 

 

SERVIÇO:

Exposição ZERO

Pinacoteca do Estado de São Paulo | Praça da Luz, 02 - Luz - Tel. 11 3324-1000
Período: 03 abril a 15 junho de 2014

Terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até as 18h. Às quintas até as 22h.

Ingresso combinado (Pinacoteca e Estação Pinacoteca): R$ 6,00 e R$ 3,00 
Grátis as quintas, após as 17h, e sábados. Estudantes com carteirinha pagam meia entrada. 
Crianças com até 10 anos e idosos maiores de 60 anos não pagam.

Web site: www.pinacoteca.org.br

 

Legenda da imagem:

 

1. Manifestação do grupo ZERO diante da Galerie Schmela, Hunsrückenstraße, Düsseldorf, Alemanha, 5 de julho de 1961 / ZERO Demonstration in front of Galerie Schmela, Hunsrückenstraße, Düsseldorf, Germany, July 5, 1961

Foto / Photo: Peter E. Fischer

Cortesia / Courtesy: Archive of Artistic Photography of the Rhineland’s Art Scene (AFORK) at Stiftung Museum Kunstpalast, Düsseldorf

 

 

Sobre a Temporada Alemanha + Brasil 2013-2014

A Temporada Alemanha + Brasil 2013-2014 foi aberta em maio de 2013 e prossegue até maio de 2014 sob o lema “Quando ideias se encontram”. Inúmeros eventos estão sendo realizados em todo o Brasil. O objetivo central da “Temporada da Alemanha no Brasil” é apresentar uma autêntica e moderna imagem da Alemanha aliada à economia e à cultura, bem como ao desenvolvimento da ciência, tendo a parceria com o Brasil como princípio. Sua principal mensagem é mostrar como uma parceria confiável e inovadora com o Brasil, que já funciona há décadas, pode oferecer soluções para questões do futuro nas áreas econômica, cultural e científica, sob as bases da confiança mútua e valores agregados. Essa é uma iniciativa do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. Os realizadores do projeto são o BDI Brazil Board, Goethe-Institut (GI), Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF) e o Ministério para Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha (BMZ). Os patrocinadores premium da Temporada são Allianz, BASF, Bayer, BMW, Bosch, Lanxess, Mercedes-Benz, Siemens, Volkswagen e ZF. Do lado brasileiro, a Temporada tem o apoio da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK), do Centro Alemão de Ciência e Inovação - São Paulo (DWIH-SP), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Ministério da Cultura do Governo Federal do Brasil e do Serviço Social do Comércio (SESC).

 

Veja o site oficial: www.alemanha-e-brasil.org

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No Twitter: @alemanha_BR2013


Informações à Imprensa – Temporada Alemanha + Brasil 2013-2014:

Regiane Tosatti

media consulta

Tel.: +55 (0)11 2638-7300 ou (11) 9 9583-0978

r.tosatti@media-consulta.com

 

Andre Degasperi – a.degasperi@media-consulta.com 

www.mcgroup.com

 

Goethe-Institut São Paulo - Centro Cultural Brasil-Alemanha

Simone Malina

cultura@saopaulo.goethe.org

Fax (11) 3060 8413 / 3296 7000



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