Colunistas

10/09/2016

Demissões podem continuar em empresa fornecedora da Volksagen do Brasil

Pressionada pela Volkswagen, a Keiper, do Grupo Prevent, já teve de dispensar mais de 700 trabalhadores, e admite ser obrigada a fazer novos cortes.

Mauá, 09 de setembro de 2016. A pressão exercida pela Volkswagen, retendo pagamentos devidos e rompendo unilateralmente os contratos de fornecimento de componentes com a Keiper, contribuiu para aumentar o desemprego em Mauá, Araçariguama, São Paulo e Ribeirão Pires, SP, onde fábricas tiveram de ser praticamente desativadas e 724 trabalhadores foram dispensados até o momento. Sem perspectiva de conseguir dialogar com a montadora, a Keiper receia que as demissões poderão chegar a próximo de 900 até o final do mês.

Cliente cativo, para quem fornece estruturas de bancos de vários modelos de automóveis há vários anos, a Keiper tem 85% do seu faturamento dependente do fornecimento para a Volkswagen. Confiante na parceria a empresa investiu em várias fábricas dedicadas exclusivamente para suprir as linhas de produção da montadora com padrão de qualidade, volumes, prazos e capacidade mínima exigidas. Mas quando decidiu negociar um reequilíbrio de contrato para compensar preços defasados em mais de 20% por longo período, a Keiper começou e encontrar dificuldades. Como insistiu com seu pleito, porque se tratava de questão indispensável para a sobrevivência dos seus negócios, passou a sofrer retaliação.

Na Alemanha, onde o Grupo Prevent também é fornecedor da Volkswagen, houve um processo parecido e a montadora terá de pagar uma multa de 14,7 milhões de dólares ao Grupo Prevent, e ampliar os prazos de contrato de fornecimento, para compensar os prejuízos causados por retaliação semelhante. No Brasil, a tentativa de saída amigável para o impasse foi infrutífera.

“Fizemos tudo que estava ao nosso alcance para chegarmos a um entendimento e quando já tínhamos definido os termos de um acordo, repentinamente e sem que pudéssemos entender os motivos, os executivos da Volkswagen com quem estávamos negociando, voltaram atrás e declaram a negociação encerrada”, explica Marino Mantovani, presidente do grupo Keiper no Brasil.

Enquanto a Keiper ainda tentava retomar a busca de uma solução amigável, a Volkswagen tomou a decisão mais drástica, que foi suspender unilateralmente o contrato de fornecimento e retirar seu ferramental de dentro das fábricas de Mauá (região do ABC) e Araçariguama (região de Sorocaba) em São Paulo. Além disso, uma demonstração de abuso econômico, está retendo o pagamento de mais de 6 milhões de reais devidos à Keiper. O título já foi levado para protesto e a Volkswagen insiste em não pagar.

Numa tentativa de evitar um desfecho que contribui para agravar o problema do desemprego no País, a diretoria da Keiper participou de uma mesa redonda convocada pela Delegacia Regional do Trabalho com representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, e informou que a decisão da Volkswagen iria resultar da eliminação de muitos postos de trabalho com impacto para milhares de famílias. O aviso não foi levado em conta.

“A Keiper lamenta profundamente que a Volkswagen tenha provocado esta situação justamente quando o setor automotivo precisa de estimulo para se recuperar das vendas que estão em queda em todo o Brasil”, afirma Marino Mantovani. Acreditando no mercado e na consolidação das parcerias, a Keiper adquiriu várias empresas fornecedoras de componentes automotivos como estratégia para aproveitar sinergias, criar escala, racionalizar produção e compor uma carteira de clientes para melhorar resultados de modo a compensar as margens extremamente baixas com que é obrigada a operar. Mas não contava que a busca pelo reequilíbrio de contrato desencadearia um processo de retaliação com consequências tão danosas.

 

Fonte: VERDELHO ASSOCIADOS

+(11) 3031 5239

assessoria@verdelho.com.br

 



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