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07/02/2014

Copa do Mundo de Futebol 2014: Matthäus confia na favorita Alemanha

Ex-craque alemão fala das suas expectativas para a Copa no Brasil.

Puro dinamismo, um físico invejável e uma incontrolável vontade de vencer: como jogador, Lothar Matthäus incorporava todas essas características, as quais marcaram época no futebol alemão. A ele coube o direito de levantar o troféu mais cobiçado do planeta bola, por ocasião do terceiro título mundial conquistado pela Alemanha, há 24 anos em Roma.

 

Desde então, muita coisa mudou, inclusive o estilo alemão de jogar. Recordista em número de partidas por sua seleção (150), Matthäus, hoje com 52 anos, está certo de que a Alemanha, que agora tem aquelas antigas virtudes somadas a outras novas, poderá ganhar a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.

 

Em 1991, o ex-meio-campista recebeu o primeiro prêmio de Jogador do Ano da FIFA, e permanece sendo o único alemão a ter conseguido esse feito. Em entrevista exclusiva ao FIFA.com, concedida noPão de Açúcar, no Rio de Janeiro, Matthäus falou sobre os jogos e a conquista de 1990 na Itália, o significado do apelido Leitwolf ("líder lobo", em alemão) e a importância de se ter uma mentalidade vencedora.

Matthäus, o que lhe vem à cabeça quando escuta a palavra "Brasil"?
Alegria de viver, futebol, samba, Copacabana e churrascarias! O povo brasileiro carrega em si uma alegria de viver. Estive com frequência no Brasil, não apenas como jogador da seleção, mas também trabalhando por dois meses e meio como treinador, em Curitiba. O Brasil cresceu no meu coração.

 

Em que aspecto a Copa de 2014 será especial?
Naturalmente, esperamos que ela seja especial porque os brasileiros amam futebol. É como uma religião para eles. E, em todo o país, o visitante da Copa encontrará hospitalidade.

 

Sobre a seleção alemã, qual é a sua expectativa para o desempenho do time de Joachim Löw na Copa?
Numa escala de um a dez, eu diria dez! Mesmo considerando os 4 a 4 contra a Suécia, um espetacular jogo de futebol, sobre o qual hoje ainda falamos muito. De qualquer modo, os alemães transmitem confiança pelo que apresentaram nas eliminatórias. O time tem muita qualidade. Apesar dos muitos jogadores contundidos ao longo da jornada, isso foi compensado. O elenco é forte e equilibrado. AAlemanha certamente está entre os favoritos.

 

Ofensivamente acima da média e defensivamente com alguns pontos fracos?
Isso mesmo. A parte defensiva talvez seja o ponto que pode ser criticado. Mas aquele 4 a 4 não corresponde à realidade da nossa defesa, que via de regra é bem mais forte. Tínhamos o jogo sob controle, vencendo por 4 a 0. Mas às vezes acontecem situações assim, mesmo com uma seleção como a da Alemanha, da qual nunca se espera isso. E a beleza do futebol está nisso! Nem aAlemanha é perfeita. Em geral, há mais problemas na defesa do que no ataque. Não porque se sofreu quatro gols numa partida, mas especialmente porque o trabalho defensivo começa com a colaboração das peças ofensivas, e este tem sido o ponto falho mais frequente, trazendo assim uma ou outra dificuldade ao setor defensivo.

 

Ainda assim, o potencial para se ganhar a Copa permanece?
Certamente! Se não for agora, será quando? Tivemos grandes participações nos últimos tempos. Duas semifinais de Copa do Mundo, além de uma semifinal e uma final da Eurocopa. Estivemos então muito perto da conquista e falhamos no passo final. Essa experiência adversa nos últimos torneios pode ser mais um ponto a favor na direção de uma equipe forte e compacta.

 

Você teve uma contribuição importante no último título da Alemanha em Mundiais. Qual o sentimento de erguer o troféu em 1990?
Um sentimento fantástico! Ser campeão do mundo é algo que permanece por toda a vida. Sempre nos lembramos disso. Pode-se ganhar qualquer título, mas nenhum se sobrepõe a esse. Qualquer jogador de futebol sonha com esse momento, e eu fui um dos raros homens a viver isso como capitão de uma equipe.

 

Que lembranças tem daquele momento na Itália?
Eu morava na Itália, como jogador da Internazionale de Milão, curiosamente a 15 km de onde a seleção alemã ficou hospedada. Então, é como se eu estivesse disputando a Copa em casa... Isso teve muito significado para mim. Foram cinco jogos no Estádio San Siro, a minha "sala de estar", onde eu jogava toda semana pela Inter. Tive apoio tanto dos italianos quanto dos alemães. Os torcedores da Inter ficavam sempre por perto da seleção alemã, não apenas por minha causa, mas porque Andreas Brehme e Jürgen Klinsmann também eram jogadores do time de Milão. Foi uma ligação muito estreita com a Itália.

 

Esse foi o auge da sua carreira?
Sim! Mas uma Copa do Mundo supera tudo, claro. E foi no país que, na ocasião, tinha o campeonato de clubes mais forte da Europa. Diego Maradona, Careca, Rudd Gullit, Frank Rijkaard — todos esses craques estavam lá! E depois, aqueles jogos... Não tivemos nenhuma moleza. Tivemos de enfrentar aHolanda e também a Iugoslávia, no primeiro jogo, apontada como uma das favoritas e eliminada pela Argentina na semifinal, nos pênaltis. Enfrentamos a Inglaterra na semi e a Argentina na final. Apesar de muitos não concordarem, creio que merecemos o título. Tínhamos a equipe mais forte.

 

O que significa, para um país, ganhar uma Copa do Mundo?
Acredito que a Copa de 1954 foi a de maior significado para a Alemanha. Depois da Segunda Guerra, estávamos arrasados, ninguém acreditava na Alemanha. Essa conquista do futebol nos serviu para poder dizer novamente: "Nós somos vencedores!"

 

Quais são as chances da Itália na Copa?
Os italianos nos eliminaram na última Euro. Contra eles, nada sai de graça. Eles talvez não tenham o futebol atraente de Holanda, Brasil, Alemanha ou Argentina, mas são sempre perigosos. São muito disciplinados taticamente. Têm jogadores experientes e agora uma boa mistura com jovens, o que não aconteceu em 2010. Naquela ocasião, foi uma espécie de "sobra" de 2006, mais ou menos como a Alemanha de 1994. Não houve renovação. Agora é uma equipe mais equilibrada, à qual se deve estar mais atento. Eu não diria que é uma das favoritas, mas que corre por fora com boas chances.

 

Então, quem são os grandes favoritos?
Acredito que Brasil e Alemanha, seguidos de perto pela Espanha. O Brasil ganhou a Copa das Confederações em 2013, o que mostrou que pode suportar a pressão de jogar em casa. A Alemanhatem mostrado regularidade há alguns anos. A Espanha ganhou os três últimos grandes títulos, mas já não encanta tanto nem tem a mesma estabilidade. Então vejo o time alemão com mais chances que o espanhol neste momento.

 

Na Alemanha, você costuma ser chamado de Leitwolf ("líder lobo"). O que realmente isso significa para você?
Quando as coisas não estão bem, dentro ou fora de campo, numa situação em que um grupo permanece confinado de seis a oito semanas como numa Copa do Mundo, o "líder lobo" conduz e mantém o grupo unido. Ele se comunica com jogadores que estão com problemas ou insatisfeitos. Ele é um braço extra do treinador (que na ocasião, foi Franz Beckenbauer). Acredito que cumpri bem essa função em 1990, ao lado de outros "líderes lobos" como Rudi Völler, Andreas Brehme e Pierre Littbarski.

 

E você identifica um "líder lobo" no atual time alemão?
Os tempos são outros. Philipp Lahm e Bastian Schweinsteiger, devido à experiência, representam o sucesso e o reconhecimento nessa equipe. Per Metersacker, que vive grande momento no Arsenal, também tem a personalidade de um "líder lobo". E claro, Manuel Neuer. Há sim esses líderes também hoje, mas não um isolado. E é um outro tipo de líder, também por consequência da influência da mídia.

 

Então o futebol moderno exige mais de um líder?
Sim, mas esse personagem é diferente do que foi em outros tempos. Antigamente, um líder tinha mais liberdade para se pronunciar numa entrevista coletiva à imprensa. Hoje, é preciso muito mais cuidado com o que se diz. Antes os jogadores não ficavam tão facilmente ofendidos, então algumas coisas podiam ser ditas em público. Isso mudou. Hoje os jogadores estão mais instruídos para entrevistas e conferências de imprensa.

A atual seleção alemã, em termos futebolísticos, demonstra ter tudo. Mas será que ela tem uma mentalidade vencedora?
O que tenho notado nos últimos torneios é que, na hora decisiva, isso tem faltado, de certa forma. Todo mundo quer ganhar, é claro. Todo mundo procura dar o máximo de si. Mas há momentos em que é preciso ir além de dar o melhor. É preciso surpreender o adversário. É disso que sinto falta. De um jogador que, numa situação adversa como a da Euro 2012 contra a Itália, tome a rédea. Que essa lição sirva para aprendizado e fortalecimento. Se isso acontecer, seremoscampeões do mundo no Brasil!

 

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