Colunistas

18/02/2013

Contraponto: Tempo de conclave e conversão - por Percival Puggina*

A renúncia de Bento XVI traz para a agenda dados e fatos da história recente da Igreja Católica. No meio deles, a disputa entre conservadores e progressistas.

            Durante as últimas décadas, foi-se tornando explícita a desastrosa ideologização e o engajamento político de extensos setores da Igreja numa seqüência que começou com a preparação do terreno pelos Cristãos para o Socialismo (CpS), avançou com a concepção de uma Igreja Popular, ganhou suposta base filosófica através da Teologia da Libertação (TL) e se ramificou com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). No fundo, era o velho biscoito marxista molhado em água benta e servido segundo a estratégia de Gramsci.

            Essas idéias ganharam os seminários, encantaram segmentos da hierarquia, coincidiram com a ostpolitik do Vaticano nos anos 60 e 70, influenciaram o Concílio Vaticano II, fizeram adeptos em expressivos segmentos da intelectualidade laica e cativaram a tal ponto a maioria das editoras religiosas que por volta dos anos 80 era quase impossível encontrar um livro católico que não estivesse contaminado pela TL. Foi terrível a influência dessas idéias sobre a CNBB, no topo, e sobre os seminários, na base. Editavam-se, em profusão, documentos e livros que funcionavam como difusores do credo marxista dos autores da moda, cujos nomes, necessariamente, enfeitavam as notas de rodapé: Leonardo Boff, Frei Betto, Jon Sobrino, Pablo Richards, Gustavo Gutierrez, entre outros. As próprias assembléias da entidade dos bispos ganhavam muito mais destaque pelo conteúdo político dos depoimentos de alguns participantes do que pela orientação pastoral. Era evidente o alinhamento da face mais visível da Igreja Católica no Brasil com o discurso utópico e voluntarista, marxista e comunista, oposicionista e oportunista do partido que hoje hegemoniza o poder no Brasil.

            Ao longo de quatro décadas, em centenas de artigos, mostrei que essa distorção e perda de foco está entre as causas da deserção de muitos fiéis que têm fluído para outros credos em busca da espiritualidade que a minha Igreja se omite em lhes proporcionar. Sempre esclareci que o amor cristão aos pobres não se pode confundir com o ódio ideológico aos ricos. Sempre sustentei a importância das autonomias. Sempre disse que a militância política é um espaço dos leigos e não dos seus pastores nem dos documentos eclesiais. Conquistei inimigos. Nossa! Quantos inimigos me apareceram!

            Por aqueles descaminhos, a CNBB, inúmeras dioceses e pastorais ajudaram a construir e saudaram a vitória petista em 2002 como a concretização do Reino de Deus. Lá estava Frei Betto, ao pé da orelha de seu messias de Garanhuns. O humilde metalúrgico do ABC arribava, enfim, à Brasília terrestre, montado no burrico de sua simplicidade. Com a diferença de que Lula chegava mais popular do que Jesus em Jerusalém. O marido de Marisa Letícia vinha para instaurar o reino definitivo aqui e agora. A estrela avermelhou-se e se instalou nos jardins do Alvorada. Hosana ao filho de dona Lindú!

            No entanto, o homem das promessas desembarcou na terra prometida para não cumprir qualquer delas. O barbudo em quem depositavam tantas esperanças precipitou-se do trono de nuvens desde o qual julgava, dedo em riste, os bons e os maus, para associar-se aos maus e aos piores. Não fez qualquer milagre. Não multiplicou pães. Não pôs a correr vendilhões. Antes, chamou-os para os banquetes do poder. Deixou o burro a pastar e adquiriu um avião novinho em folha. Uniu-se aos fariseus, aos doutores da lei, aos trocadores de moeda e virou, ele mesmo, cobrador de impostos. E o seu partido, levado ao poder pela mão de tantos religiosos, passados dez anos, ataca por todos os flancos o depósito precioso dos valores e do ensino cristão.

            O momento político interno que passa a viver a Igreja com o processo sucessório de Bento XVI será, também, tempo quaresmal. Tempo para exame de consciência. Tempo de revisão de vida. Enquanto chegam a Roma os cardeais para o conclave, duas forças se mobilizam buscando influenciá-los. São as forças mundanas clamando agendas mundanas e as forças inimigas empenhadas na maligna missão de prevalecer contra a Igreja. Não, não prevalecerão!

         * Percival Puggina (68) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia e Pombas e Gaviões.

          Fonte: o Autor, via mailing
          Contato: puggina@puggina.org



Comentários

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agGpPWYqG 29/01/2014, às 00:37

Sobre o artigo do Sr. Percival Puggina, queositno:O escritor fulmina o contefado a CF/2010, preferindo apontar as esferas governamentais como response1veis maiores que o empresariado pela me1 distribuie7e3o de riquezas e bem estar. Argumenta que no Brasil o poder pfablico se apropria de cerca de 40% do PIB, ao que tudo indica, referindo-se aos nfameros da carga tribute1ria nacional. (De passagem, conve9m assinalar que, no primeiro mundo, esses nfameros chegam a ser maiores, com a diferene7a de que o retorno em servie7os e9 muito maior e melhor que o do Brasil, cabendo raze3o e0 queixa do articulista).Todavia, para que o argumento do abocanhamento do PIB seja defense1vel, seria necesse1rio se esclarecer, se desses 40% ne3o se deva abater os 60% de sonegae7e3o fiscal; o que, na afirmativa, traria o abocanhamento para apenas 16% do PIB por parte das inste2ncias governamentais (federal, estadual e municipal). Entretanto, como grande parte da carga tribute1ria vem embutida no pree7o final que o consumidor paga, e9

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LPKcVLwiy 11/01/2014, às 04:56

cada vez fico com mais nojo desse paeds podre, corrupto, faicocso, violento, apadrinhador de marginais e corruptos e por aed afora. o que poderedamos esperar de nossos legisladores? Por que essa dignedssima senhora ne3o se presta para pensar em como punir mais severamente os marginais, traficantes e quadrilheiros, assassinos de criane7as, assassinos de pessoas indefesas, assassinos de policiais? essa pena de restrie7e3o da liberdade ne3o intimida mias ninguem. sere1 que ne3o este1 na hora de reformar a constituie7e3o, mais precisamente o artigo 5ba (para um bom entendedor ). Pena sob medida, pelo amor de Deus!!! Na mesma altura do dano. Para esses malditos que matam sf3 pra ver morrer (os Joe3o Vitor, Isabelas Nardoni, Geovanas Vitoria quem mais?) me ajudem a lembrar a Dona Maria do Rose1rio). Talvez o temor dessa senhora resida na desconfiane7a de que os intoce1veis do poder judicie1ria ne3o sejam capazes de julgar com equidade. Sf3 pode ser isso!!

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liy7a3mZYp 09/01/2014, às 17:17

Eu ate9 gostava da eseqdrua, li muitos livros sobre o comunismo, cheguei a me filiar no PT, tinha admiracao pelos descamisados e invasores de terra poerque via neles pessoas injustie7adas, mas cheguei a conclusao que infelizmente eu estava errado eles sao revanchistas, extremistas e radicais e gostam muito de proteger marginal, no Brasil e9 o que tenho visto, os da eseqdrua sao radicais e protetores dos marginais e mal feitores e contra os orgaos de seguranca e disciplinadores, sao a favor da baderna e da coisa esculhambada. Porisso estou saindo do PT, sou a favor da familia da ordem e da disciplina, povo sem disciplina nao trem rumo , anda em circulos e nao chega a lugar nenhum, a nacao precisa conservar sua identidade , necessita de cultura e disciplina, fora a baderna e os politicos que em nome dos direitos humanos fazem a marginalidade crescer e amarram as maos da policia e dos orgaos de segurane7a, a propf3sito a servie7o de quem eles estao mesmo?

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milton harvey schwerz 20/02/2013, às 21:28

Concordo com o redator. Os desgarrados da sociedade acreditaram, até eu, que o semianalfabeto daria um jeito no país; ledo engano; não passou de um aproveitador de toda e qualquer espécie, enganando aos necessitados em geral , aos deslumbrados, aos esperançosos e aos ingênuos. J.Cristo foi só um e destituído de vaidade; enganadores do povo estão repletos em igrejas e templos. E os seguidores do modismo/nova onda, estão ai tentando mudar a filosofia da igreja católica, com seu progressismo desenfreado, trazendo a ruína dos ensinamentos de Cristo. Mílton H


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