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04/05/2014

"Como são cativantes os jardins de Berlim"

Decio Zybersztajn escreve livro de contos. Obra sai em junho pela Editora Reformatório.

Conhecido por seu trabalho como professor da Universidade de São Paulo e por suas pesquisas, artigos e livros acadêmicos sobre o agronegócio, o paulistano Decio Zylbersztajn explora novos caminhos com sua primeira obra de ficção: o livro de contos Como são cativantes os jardins de Berlim, que sai em junho pela Editora Reformatório.

A opção pelo conto foi para Decio uma espécie de trilha natural. “Comecei pelo conto, que é muito interessante pelo fato de ser conciso. Exige foco narrativo. Nem sei se foi algo proposital. É o que tenho feito até hoje, embora alguns considerem o conto mais difícil.”

Leitor apaixonado, Decio resume em uma frase o papel dos livros em sua formação. “Escrever é menos importante do que ler.” Muita gente, porém, lê muito e nunca escreve. Por que então Decio, autor de diversos livros acadêmicos, decidiu escrever ficção? Tranquilo, ele responde que isso não representa uma mudança radical em sua vida. O desejo de fazer literatura sempre esteve presente, embora tenha havido um momento em que começou a sentir vontade de concretizar e um certo prazer. “Essa coisa de trabalhar o texto, de namorar com a palavra, de pegar o dicionário de sinônimos e olhar. Daí você passa a navegar. Participei de oficinas de texto, porque tem técnica em tudo, e isso me ajudou.”

Para Decio, “escrever é penoso e dá prazer. Tem momentos de dificuldade, de amassar e jogar fora. Hoje a gente não joga fora, deleta.”
A exemplo do excepcional escritor argentino Ernesto Sabato, que trocou a física pela literatura, Decio acredita que a ciência revela a verdade até certo ponto, a partir do qual só mesmo a arte pode ajudar a conhecer as pessoas e o mundo. “Isso ficou ressoando em mim, pois tenho um trabalho acadêmico, ainda sou bolsista de produtividade do CNPq”, afirma Decio, que é Master of Arts e Doutor em Economia pela Universidade de North Carolina, foi pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas e trabalhou no setor privado, na Agroceres. Depois prestou concurso na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, onde fez carreira e criou o Programa de Estudos do Agronegócio (Pensa), com a ajuda do empresário Ney Bittencourt de Araújo, que anos antes o tinha levado para a Universidade de Harvard para participar dos seminários de Ray A. Goldberg, criador do Programa de Agribusiness e de uma visão totalmente nova da atividade agrícola.

A lista de escritores prediletos de Decio é extensa. Mesmo assim não hesita em fazer referências a autores como Pedro Nava e Moacyr Scliar, ambos médicos sanitaristas e profundos conhecedores dos problemas do Brasil. Aprecia também expoentes da literatura judaica como Sholem Aleichem, I. L. Peretz e Isaac Singer, laureado com o Nobel de Literatura. “São pessoas que formam a vida da gente. A literatura judaica é uma referência para mim. Se conseguir chegar a um pedacinho do que eles fizeram, estarei bem”, afirma.

Fonte: Printec Comunicação
E-mail: printec@printeccomunicacao.com.br 



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