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Colunistas

28/12/2016

Ainda o espírito natalino - por Ivar Hatmann*

Manhã de 24 de dezembro. Saí a caminhar pelo trajeto habitual. Frente à loja minha amiga do tênis, Flávia e o esposo: “Estamos indo á praia.” Tentei encaixar: “Que bom! Tem carona para mim?” “Não! O auto está lotado!” Perdi de ir á praia de graça. Perto do supermercado duas senhoras vinham em minha direção, com várias sacolas do mercado. É um mercado ruim; suas sacolas eram quase transparentes, pois de confecção barata. Assim, vi que elas traziam as sacolas carregadas das caixas quadradas de panetone. Que não são pesadas, mas avolumam. “Feliz Natal!” cantarolei quando me aproximei. E as duas, em coro, me olhando surpreendidas: “Feliz Natal!” Retruquei: “Tenho certeza que estas sacolas estão cheias de panetones. Devem estar pesadas! Não querem me dar um?” A mais expedita, prontamente: “Não! As sacolas estão bem leves e moramos próximas!” Adeus praia! Adeus panetone! Adeus espírito natalino!

Quando voltava da caminhada, pela mesma rua, lá adiante iam elas. Ainda tentei: “Mas as senhoras tem certeza? Podem carregar todos eles?” Elas riram da minha tentativa infrutífera: “Agora já estamos mais perto...” Vejam que lutei para que terceiros tivessem o verdadeiro espírito natalino de dar alegrias ao próximo. Debalde. As pessoas no Natal, hoje em dia, são muito egoístas, ia pensando. Adiante um pai levava o casal de filhos. A menina com uns dois anos e o menino com três. Parei na frente deles: “Vocês estão vendo meus cabelos e barba branca?”

Devo dizer aos leitores que meus cabelos ficaram precocemente brancos. As crianças ficaram me olhando. “Pois é: vocês estão vendo pela barba branca que eu sou irmão do Papai Noel!” Elas me olharam com novos olhos, sorrindo alegres, encantadas. “Vocês se comportaram bem durante o ano?” Que criança acuada assim, diria não? Perguntei ao pai: “Elas se comportaram? Porque aí vou arrumar presentes!” E o pai: “Ó sim, elas são muito comportadas!” “Então me digam: o que querem ganhar do Papai Noel que eu vou falar com ele daqui a pouco!” As crianças extasiadas. A menininha queria uma boneca e o menino um jogo de game. Que dúvida!  “Eu vou falar com meu irmão. Mas vocês não brigam um com o outro?” Aí a cena emocionante: a menina aproximou-se do irmãozinho, deu-lhe um abraço muito apertado e disse: “Eu amo meu irmão!” e o menino, abraçando-a com força: “Eu também amo minha irmã!” E trocaram beijos lindos.

ivar4hartmann@gmail 


*Ivar Hartmann é promotor público aposentado, colunista do diário Jornal NH, Grupo Sinos, Novo Hamburgo, RS, e colaborador do portal BrasilAlemanha e da mala direta BrasilAlemanha Neues.



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