Colunistas

22/06/2018

A guerra do Brasil - por Ivar Hartmann*

Setenta anos. Que fez esta gente toda nestes setenta anos?

Terminada a Segunda Guerra e a guerra do Japão contra a China de pouco antes, dos atuais grandes países do mundo, contando os Tigres Asiáticos, Japão, China, Estados Unidos e países da Europa, apenas os americanos não tinham sofrido dano em seu território, tinham aumentado sua produção industrial e tinham créditos de guerra pendentes ao redor do globo. Todos os demais, somados, tiveram milhões de braços úteis para o trabalho mortos ou feridos, centenas de cidades destruídas, infraestrutura esmigalhada, angústia quanto ao futuro.

Sofrimento e pobreza seriam boas palavras para definir o ambiente de setenta anos atrás. Não muito. Por outro lado na América do Sul, os dois gigantes, Brasil e Argentina aproveitaram a guerra. A Argentina enriqueceu vendendo carne para os exércitos aliados famintos, e o Brasil arrancando a fórceps, dos americanos, sua primeira usina siderúrgica (CSN) em troca de participar da guerra ao lado dos aliados. Uma primavera para os maiores países em população e área territorial da América, não esquecendo o Canadá de muita terra e pouca gente. Setenta anos. Que fez esta gente toda nestes setenta anos?

Os Estados Unidos tornaram-se a maior potência do mundo. Aqueles países minúsculos do Sudeste Asiático tornaram-se Tigres. Derrotado e com bomba atômica em cima, Japão virou o Japão. A China medieval é aquilo que hoje vemos. A Europa, a mais castigada, é uma locomotiva de produção industrial, uma escola de saber na ciência, na engenharia, nas artes, onde quiserem. Indústrias, escolas, hospitais, portos, estradas e aeroportos são relógios. Sofrimento e pobreza transformaram-se em alegria e riqueza.

A Argentina viu sua economia e sua Capital se deteriorar pela incompetência e roubo de seus presidentes, começando por Perón e todos os que o sucederam. Incluindo os militares que perderam as Malvinas. E o Brasil? Este aqui da nossa família, onde temos nosso trabalho, nossas raízes, nossos bens. Fica atrás dos argentinos? Não. Somos melhores. Houve presidentes honestos nestes anos. Os ditadores, de Getúlio a Geisel. Jango também era honesto, mas não conta porque durou pouco. Agora somemos os anos de todas as ditaduras e os anos de democracia. Meio a meio, mais ou menos. No geral continuamos pobres, atrasados, sofridos, angustiados com o futuro. Fácil ver onde está a origem. Pensar e concluir. O que fazer é o problema.

ivar4hartmann@gmail.com 


*Ivar Hartmann é promotor público aposentado, colunista do diário Jornal NH, Grupo Sinos, Novo Hamburgo, RS, e colaborador do portal BrasilAlemanha e do informativo BrasilAlemanha Neues.



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