Colunistas

20/10/2015

A brava gente brasileira e a bússola - por Ivar Hartmann*

Escreveu-me um gerente aposentado do Banco do Brasil: “Sem ser descrente do povo brasileiro, observe qualquer câmara de vereadores, qualquer pequena prefeitura, ou outras atividades:

parece que sempre que há uma mínima possibilidade para desvios e fraudes... acontece!"

Veja as fraudes do leite! Pequenos empresários  do transporte, em conluio com empresas maiores, com apoio de profissionais - químicos -, com envolvimento de pequenos produtores rurais. Ou seja, pessoas do povo! Há poucos dias faltava pouco para encher o tanque de meu carro. Não fiquei junto ao frentista. Quando voltei, me informou ter botado 40 litros. Ora, pelo que marcava no mostrador, não poderia ir nem 20 litros. O que eu poderia fazer? Só me indignar!

Minha mãe teve que fazer uma cirurgia. SUS? Morreria antes. Pagamos particular. R$ 5.000 reais por uma cirurgia no punho, uma hora de trabalho. Pedi um recibo. O médico fechou a cara e disse que aí ele cobraria sete mil. Então pensei: será que já tivemos bússola em algum momento?

Te relato alguns episódios sobre os créditos indevidos. Esses me chamavam muita atenção, porque as pessoas não tinham o menor pudor em ficar com dinheiro, mesmo sabendo que quem perderia seria outro "pobre coitado" que nem ele: Pagávamos milhares de folhas de pagamento, creditados em conta corrente. Com frequência ocorriam falhas de digitação: funcionários do setor de pessoal de empresas erravam/trocavam algum número de conta, e o dinheiro ia parar em conta errada.

O Banco tinha como norma não retirar dinheiro da conta de ninguém sem autorização expressa (mesmo sabendo que o crédito foi indevido). Quando isso acontecia, entrávamos em contato com o favorecido indevido, e informávamos de que aquele determinado valor creditado na sua conta era indevido, e pedíamos autorização para extornar e creditar pra pessoa certa.

Pasme. Dois terços não autorizavam. Esclarecíamos que esse valor do qual ele se apropriava, quem perdia não era o Banco ou a empresa. Quem ia perder era um assalariado igual ele, que ia ter que tirar do seu para cobrir uma falha involuntária. Que muito provavelmente esse dinheiro ia fazer muita falta àquela pessoa.  Alguns poucos se sensibilizavam e autorizavam. A maioria dizia um sonoro "f. -se quem falhou; vou ficar para mim” Nossos políticos e governantes são uma representação dessa sociedade.”

Ivarhartmann@hotmail.com




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