Colunistas

10/02/2016

39ª Romaria da Terra reconta história missioneira no Noroeste do RS - por Vilson Winkler

No dia 9 de fevereiro, enquanto a maioria do povo gaúcho estava no feriado de carnaval, muitos milhares de pessoas se encontraram em São Gabriel no local do martírio de Sepé Tiaraju para homenagear os 260 anos de sua morte na 39ª Romaria da Terra.

Este dia foi o ápice das homenagens, pois, desde o dia 5 chegaram índios guaranis e caingangues, bicicleteiros vindos de Porto Alegre, além da juventude católica gaúcha. Cada um destes grupos tinha reuniões e eventos específicos sobre seus temas. No dia 7, o dia da martirização de Sepé foi realizado um grande evento.
Para a Romaria da Terra todos se reuniram e com a chegada de comunidades de todo estado se reuniram muitos milhares. A saída do procissão foi às 9:00 da manhã exatamente da Sanga da Bica, que é o local da morte de Sepé Tiaraju.

O pesquisador José Roberto de Oliveira ficou responsável pela parte histórica, especialmente para demonstrar os novos documentos que estão sendo encontrados internacionalmente sobre a Saga Guaranítica e os relatórios de Guerra. Desses documentos o base para as novas revelações foi o “DIARIO HISTORICO DE LA REBELION Y GUERRA DE LOS PUEBLOS GUARANIS, SITUADOS EN LA COSTA ORIENTAL DEL RIO URUGUAY, DEL AÑO DE 1754”, escrito pelo pároco de São Lourenço e que é a versão em espanhol escrita em latim pelo Padre Tadeo Xavier Henis, editada em 1836 por Pedro de Angelis.

Inicialmente se analisou a página 85 do relatório, onde diz que: Acometeu um numeroso esquadrão ao Capitão Sepé, a quem primeiro com uma lança e depois com uma pistola, mataram: jogaram o corpo já despojado de tudo e o queimaram com pólvora, mesmo que ainda estava respirando e o martirizaram de outras maneiras. Enterraram em uma vizinha selva, havendo buscado de noite os seus, com grande dor, à medida do amor que lhe tinham.

Na página 86, diz sobre a morte de Sepé Tiaraju: “Foi de admirar o quanto caíram de ânimo os índios com a morte tão intempestiva de seu capitão, em cujo valor, prudência e arte, tinham posto todas as suas esperanças”.

Na página 87 informa: No dia 10 de fevereiro de 1756, formados em batalha os esquadrões marcharam contra os índios. Nicolau Nenguirú e Pascual – Alferes Real de São Miguel se acercaram das linhas inimigas para ver o que queriam – disseram que iam às Reduções – mandaram então a Fernando para que fosse aos generais inimigos ver o que fazer. Foi levado frente ao general espanhol e acertou que esperariam por 3 dias, pois buscaria os padres que estavam em um lugar a um dia e meio de distância. Assim que saiu – as forças inimigas se formaram em batalha e atacaram, rompendo a palavra de guerra empenhada – que sairia confronto após três dias. Este fato reconta completamente tudo que se disse a respeito de como ocorreu à morte dos 1.500 nativos em Caiboaté, pois, em acreditar que não haveria batalha naquele dia os guaranis se desfizeram de seus cavalos e coisas de guerra, aguardando a vinda dos padres, quando foram inesperadamente traídos.

Na página 89 escreve: Não é de se admirar que os índios tenham sido vencidos, assim como não é gloriosa a vitória: 3.000 bem armados contra índios com arcos, flechas e lanças. Conta ainda que: Para ser mais cruel e feroz a guerra se encarniçaram e a tarde, voltaram a dar lançassos em quase todos os mortos, porque se algum estivesse vivo era para morrer.

Sepé Tiarajú liderou a revolta dos indígenas, que acabaram sendo massacrados pelo exército luso-espanhol de Gomes Freire de Andrade -hoje patrono da arma de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro. São Sepé, herói da resistência indígena, continua vivo no imaginário popular rio-grandense.
Sepé é oficialmente reconhecido como herói do Estado do Rio Grande do Sul pela lei 5516 de 2005 e herói da pátria brasileira pela lei federal 12.032 de 21.9.2009.

No dia 10 de novembro de 2015, com apoio de importantes lideranças da América Latina, a Igreja recebeu o pedido de canonização do herói nativo – agora se aguarda que as autoridades eclesiais remetam ao Vaticano a POSTULAÇÃO de reconhecimento de santidade de Sepé Tiaraju - com o título de “Servo de Deus” - para que sigam os ritos oficiais e possamos ter o mais breve possível nas mãos do povo pobre do Brasil e países vizinhos o “São Sepé” – a bem da verdade já canonizado pelo povo e agora a caminho do reconhecimento pela Igreja, como diz o principal líder da canonização, o Irmão Antônio Cechin.

José Roberto - 55.9638.6360
 
VILSON WINKLER
Jornalista MTB nº 14977
Representante de  jornais desde 01/02/1990
Representante dos jornais Noroeste e Sentinela
Oficial Administrativo e Assessor de Imprensa / Prefeitura Municipal de Porto Mauá
vilson.winkler@gmail.com ou vilson@portomaua.rs.gov.br
(55) 9613 1158 ou (55) 3545 1146 (coml)



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