Colunistas

09/03/2016

11 de Março (1641–2016) – 375 anos de nossa grande vitória - por José Roberto de Oliveira*

Nesta 6ª feira, 11/03, o RS e as Províncias argentinas de Misiones e Corrientes e os Departamentos paraguaios de Itapuã e Misiones comemorarão juntos uma das páginas mais emocionantes da história da formação da América, a Batalha de M’Bororé.

As Festividades dos 375 anos da data ocorrerão a partir da 8h30 na fronteira do Brasil com a Argentina, no rio Uruguai, mais especificamente no município de Panambi-Argentina, do outro lado do município de Porto Vera Cruz, aonde se chega a partir do município de Santo Cristo, RS.

Durante o evento às 11h ocorrerá reunião dos prefeitos dos três países para discutir um projeto de integração que está sendo negociado com o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, que está interessado em um grande projeto de fundo perdido para integração econômica e social da macro-região.

Para compreender a Batalha de M’Bororé, marco anti-escravagista nativo da América, é preciso entender o contexto da formação do projeto Jesuítico-Guarani nas áreas fronteiriças do MERCOSUL. Primeiro entender o Tratado de Madri que fazia as divisas entre o mundo espanhol e português, que era uma linha reta entre a atual Laguna em Santa Catarina, ao Sul, e a Ilha do Marajó ao Norte, ou seja, toda a macro-região pertencia ao reino de Espanha.


A partir de 1609, com a fundação das reduções Jesuítico-Guarani se inicia um processo de reunir índios para cristianizar. Na primeira fase foram 13 Reduções no atual estado do Paraná, 6 no Mato Grosso, 6 nas áreas entre os rios Paraná e Uruguai e finalmente 18 reduções no atual Rio Grande do Sul.

Atacadas pelos Bandeirantes Paulistas em busca de escravos para serem vendidos em São Paulo e Rio de Janeiro, estas reduções se deslocaram para a área entre o rio Uruguai e Paraná, onde hoje é a Argentina nas Províncias de Missiones e Corrientes.

Foram grandes êxodos ocorridos a partir do ataque dos bandeirantes. Com a falta de estrutura de combate das reduções jesuíticas foram levados como escravos de 1629 a 1640 cerca de 300.000 guaranis e mortos mais 300.000 nos ataques.

O Padre Montoya foi a Madri em 1639. Obteve autorização para uso de armas,o que era proibido até então. Em 1641, em 11 de março, quando não foi ainda possível obter fuzis senão para 300 guaranis, que só possuíam um único canhão, o exército das reduções teve de enfrentar os mamelucos na Batalha de M’Bororé, nas margens do rio Uruguai.

 Da força Bandeirante: “Oitocentos mamelucos, armados de fuzis, tinham vindo em novecentas canoas, com seus aliados, os tupis, estes em número de seis mil, mas armados apenas de flechas, lanças e fundas. Dentre essas canoas, trezentas eram grandes, sólidas e bem armadas”. O exército guarani era chefiado pelo cacique Abiaru. Contava com quatro mil homens que, à parte dos trezentos fuzis, apenas estavam armados de flechas, lanças, fundas e macanas.

O combate foi desencadeado por um tiro de canhão que meteu a pique três pirongas dos mamelucos. A luta neste dia durou até o cair da noite, com pesadas baixas para os tupis. Batidos na água e perseguidos, os mamelucos refugiaram-se em terra, onde a noite pôs termo a batalha. Reiniciadas na manhã seguinte, com muito ardor de ambas as partes, terminaram com a derrota e fuga dos paulistas, que não tiveram mesmo a coragem de bater-se até o ultimo tupi. Garantiu-se que os guaranis tinham contado apenas seis mortos e quarenta feridos. Os agressores tinham perdido muitos brancos, dois mil tupis, noventa canoas e batéis. O Padre Romero afirma que as forças paulistas, se bem que muito superiores, tinham sofrido em M’Bororé uma derrota tão completa que só escaparam uns trezentos.

Depois de M’Bororé, nunca mais os missioneiros foram superados pelos bandeirantes. Outras bandeiras que tentaram atacar as reduções nas décadas seguintes tiveram a mesma sorte da de 1641. Com a estabilização das relações entre Portugal e Espanha e com a importação de escravos negros que compravam dos xeiques árabes, as bandeiras se dirigiram ao interior do território brasileiro em busca de ouro e as Missões puderam se desenvolver de forma que foram chamadas de “Triunfo da Humanidade”, mas esta é uma outra história.

*Pesquisador da história missioneira, engenheiro, especialista em Administração e Mestre em Desenvolvimento.



Comentários

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james 12/03/2016, às 05:12

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