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20/03/2014

100 músicos no palco do Salão de Atos da UFRGS interpretam Mahler na sexta-feira

Início de temporada impactante: ORQUESTRA SINFÔNICA DA UCS & NORTHERN IOWA SYMPHONY ORCHESTRA sob a regência do Maestro MANFREDO SCHMIEDT

Ingressos antecipados à venda.

Na sexta-feira (21 de março), dia do espetáculo, apenas na bilheteria do Salão de Atos, a partir das 13 horas.

NOTA DE PROGRAMA “SINFONIA Nº 1”, DE GUSTAV MAHLER (1860-1911)

A Sinfonia no. 1 em ré maior de Gustav Mahler, também conhecida como Sinfonia Titã foi composta entre os anos de 1887 e 1888 apesar de incluir material musical de suas obras anteriores e de outros compositores como Liszt e Wagner. A obra inclui vários temas de um ciclo de canções composto por Mahler entre 1883 e final de 1884 chamados de “Lieder Eines fahrenden Gesellen” (Canções de um Viajante). Existem influências também de “Das klagend Lied” (A Canção da Lamentação), completada por Mahler em 1 de Novembro de 1880 para participar de um concurso de 1881 conhecido como Prêmio Beethoven. Foi neste período de 1886 à 1888 que ele foi o Segundo Maestro do Teatro da Cidade de Leipzig. O primeiro título que esta sinfonia recebeu foi “Poema Sinfônico em Duas Partes” com três movimentos na primeira parte e dois na segunda. A sua estréia foi no ano de 1889 em Budapeste sob a regência do próprio Mahler com uma recepção não muito boa. Como fez em outras obras suas Mahler revisou a sua Primeira Sinfonia entre os anos de 1893 e 1896. A mudança mais significativa foi a retirada de um movimento Andante chamado "Blumine", sobra de uma música incidental que Mahler tinha escrito para “Der Trompeter von Säkkingen” em 1884. Em 1894, depois de três apresentações, Mahler descartou o movimento e só permaneceram as referências a ele no segundo motivo do último movimento. Mahler escreveu um programa para a sinfonia, após as primeiras apresentações, embora dissesse em várias ocasiões que acreditava que a música deveria falar por si mesma, sem a necessidade do apoio de um texto explicativo. Mahler escreveu um dia para Natalie Bauer-Lechner: “Compor é como brincar com blocos de construção, onde novos prédios são criados de maneira diversa a partir dos mesmos blocos. Com certeza, estes blocos estavam prontos e disponíveis desde a mais tenra idade e que apenas com o passar do tempo eles eram designados para determinadas combinações”. Mahler escolheu o subtítulo de Titã em referência ao romance escrito pelo escritor alemão Jean Paul o qual ele admirava muito. A Sinfonia No. 1 em Ré Maior tem como formação orquestral os seguintes instrumentos: 4 flautas (2 piccolos), 4 oboés (1 corne-inglês), 4 clarinetes (2 requintas e 1 clarinete-baixo), 3 fagotes (1 contra fagote), 7 trompas, 5 trompetes, 4 trombones, 1 tuba, 2 sets de tímpanos, pratos, triângulo, tam-tam, bombo, 1 harpa e um grupo de cordas formados por 1os e 2os violinos, violas, violoncelos e baixos. Na sua forma final a sinfonia, cuja duração aproximada é de 55 minutos, é formada por quatro movimentos: 1. Langsam, schleppend (Devagar, arrastando) | 2. Scherzo, Kraeftig bewegt (Poderosamente agitado) | 3. Feierlich und gemessen, ohne zu schleppen (Solene e moderado, sem se arrastar) | 4. Stürmisch bewegt (Intempestivamente Agitado). Um caso de amor do compositor durante sua juventude provavelmente serviu de inspiração para a criação da sinfonia. Contudo, ela é mais do que isso conforme explica o próprio Mahler numa carta para Max Marschalk, em 26 de Março de 1896: “Gostaria que ficasse enfatizado ser a sinfonia maior do que o caso de amor que se baseia, ou melhor, que a precedeu no que se refere à vida emocional do criador. O caso real tornou-se razão para a obra, mas não em absoluto, o significado real da mesma. (...) Assim como considero uma vulgaridade inventar música para se ajustar a um programa, também acho estéril dar um programa para uma obra completa. O fato de a inspiração ou base de uma composição ser uma experiência de seu autor não altera as coisas”. A Sinfonia 1 de Mahler é uma sinfonia primaveril, semelhante em alguns aspectos com a Sinfonia 1 de Robert Schumann. Ela não é, contudo uma simples descrição visual da natureza. Ela reflete uma natureza sob os inocentes olhos de uma criança, que ao mesmo tempo toma consciência da fragilidade e da morbidez inerentes à condição humana ao longo de sua existência. A sinfonia inicia de forma misteriosa como sendo o despertar da natureza, com fanfarras e cantos de pássaros a distância sobre a nota lá sussurrada em diferentes oitavas como se fosse assobiada pelo universo. Este método de composição ele aprendeu de Beethoven cuja Nona Sinfonia começa sobre um pedal com as notas ré e lá e gradativamente pedaços do tema se vão agrupando até formar o primeiro tema do primeiro movimento. Neste início Mahler já nos demonstra a sua genial habilidade em designar dinâmicas sutis aos instrumentos da orquestra bem como a disposição deles dentro e fora do palco. Sons de pássaros como o do cuco, que canta em uma quarta descendente, serve para dar um ar primaveril bem como para servir de introdução ao primeiro tema tocado pelos violoncelos. A melodia tocada pelos violoncelos é derivada da Canção "Ging heut' Morgen übers Feld" (Andei esta manhã pelos campos). O segundo movimento é o mais curto e o mais simples de todos os movimentos o qual combina de uma maneira magistral duas danças tipicamente austríacas: o ländler (dança popular) e a valsa. O terceiro movimento causou uma certa polêmica na época devido a sua aparente bizarrice. Adaptada como marcha fúnebre, é usada de forma paródica uma melodia infantil bastante conhecida, chamada em alguns países de Frère Jacques e em outros de Bruder Martin. A seu respeito Mahler escreveu no programa para os concertos em 1893 e 1894: “A idéia dessa peça veio ao autor por intermédio de uma gravura paródica conhecida por qualquer criança da Alemanha do Sul e intitulada: Os funerais do caçador. Os animais da floresta acompanham o caixão do caçador morto; lebres empunham uma bandeira; à frente uma trupe de músicos boêmios acompanhados por instrumentistas gatos, corujas e corvos... Cervos, corças e outros habitantes da floresta, de pêlo ou pena, seguem o cortejo com fisionomias afetadas”. A peça, com uma atmosfera ora ironicamente alegre, ora inquietante, é seguida de imediato pelo último movimento "d'all Inferno al Paradiso", expressão súbita de um coração ferido no mais profundo de si... Após alguns minutos a fúria inicial do último movimento é contida e cede lugar a uma melodia lírica que traz alento a alma atribulada. Os temas dos movimentos anteriores são lembrados como se fossem recordações guardadas na nossa memória. Perto do final, ocorre uma nova tempestade sonora, porém, ao contrário do início, que lembrava uma "luta", agora o sentimento é de "triunfo". Nesta parte Mahler pede para que as trompas da orquestra toquem de pé e é neste momento em que a orquestra atinge o clímax da obra.



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