Colunistas

24/05/2017

100 Filmes para debater o mundo - 6ª Mostra ecofalante de cinema ambiental - 02

* Com entrada franca, o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado a temas socioambientais acontece de 1º a 14/06 em 30 salas de São Paulo 

* programação reúne 100 filmes, representando 26 países

 

* são três pré-estreias mundiais e 38 títulos inéditos no Brasil

 

* em exibição estão destaques dos festivais de Berlim, Veneza, Sundance, Roterdã, Locarno, SXSW – South by Southwest, IDFA-Amsterdã, Biarritz e BAFICI

 

* produções têm participação de astros como Daisy Ridley, Emma Thompson, Oscar Isaac, Rachel McAdams e Tilda Swinton

 

* Vincent Carelli (de “Corumbiara” e “Martírio”) é o homenageado do ano

 

* de Werner Herzog é exibido o longa-metragem inédito “Eis os Delírios do Mundo Conectado” 

 

* Panorama Histórico “A Amazônia no Imaginário Cinematográfico Brasileiro traz” obras de Hector Babenco e Carlos Diegues, entre outros

 

* Mostra Contemporânea Internacional discute sete temas: alimentação & gastronomia; cidades; contaminação; economia; mudanças climáticas; povos & lugares; e trabalho.

 

* festival celebra a Semana Nacional do Meio Ambiente e o Dia Mundial do Meio Ambiente

 

* organização é da ONG Ecofalante

 

 
O Silêncio - Tchernobyl

Uma homenagem ao cineasta Vincent Carelli (dos premiados “Corumbiara” e “Martírio”), retrospectiva histórica focalizando a Amazônia no imaginário cinematográfico brasileiro (reunindo títulos assinados por Hector Babenco e Carlos Diegues, entre outros), sessão especial de “Eis os Delírios do Mundo Conectado”, do diretor alemão Werner Herzog, a Mostra Contemporânea Internacional, a Competição Latino-Americana e o Concurso Curta Ecofalante. Este o cardápio da 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado a temas socioambientais, que acontece de 1º a 14 de junho, com ingressos gratuitos. A sessão de abertura para convidados será dia 31 de maio. No total, são 100 filmes programados, representando 26 países. O festival celebra a Semana Nacional do Meio Ambiente, instituída em 1981 como sendo a primeira semana do mês de junho. Comemora também o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, criado em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, com o intuito de chamar a atenção para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais.

Vincent Carelli, o grande homenageado da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental 2017, é indigenista e premiado documentarista. A programação inclui, além de seus longas-metragens recentes (os elogiados “Corumbiara” e “Martírio”), títulos marcantes realizados pelo projeto Vídeo das Aldeias, criado pelo cineasta nos anos 1980. A obra de Carelli, que estará presente, será o centro do debate Cinema de Resistência, agendado para o dia 13 de junho (terça-feira), às 20h00, no Cine Reserva Cultural.

 
Amanhã 2

Do polêmico diretor alemão Werner Herzog (de “O Sobrevivente” e “Vício Frenético”) é projetado “Eis os Delírios do Mundo Conectado”, uma produção norte-americana que aborda o mundo virtual, desde as suas origens até os seus maiores desenvolvimentos. O filme mereceu première mundial no importante Sundance Festival.

 

O Panorama Histórico deste ano tem por tema “A Amazônia no Imaginário Cinematográfico Brasileiro” e traz obras premiadas realizadas no período de 1974 a 1991 por realizadores como Hector Babenco, Carlos Diegues, Gustavo Dahl, Zelito Viana, Hermano Penna e André Luiz Oliveira. Os três últimos participam de debate no dia 1º de junho (quinta-feira), às 19h20, no Cine Caixa Belas Artes.

 

Já a Mostra Contemporânea Internacional, voltada a produções recentes vindas de diversas partes do planeta, traz 39 títulos (34 deles inéditos no Brasil) organizados em sete eixos temáticos: alimentação & gastronomia; cidades; contaminação; economia; mudanças climáticas; povos & lugares; e trabalho. Cada um desses temas é acompanhado por debates específicos, que ocorrem de 2 a 8 de junho, no Cine Reserva Cultural.

 

Nesta seção estão astros e estrelas do cinema mundial atuando como narradores em obras inéditas no Brasil, como é o caso dos protagonistas da saga “Star Wars” Daisy Ridley e Oscar Isaac. Ridley participa de “Uma Caçadora e Sua Águia”, sobreuma garota que está tentando se tornar a primeira mulher de sua família a domar águias, enquanto Isaac é o narrador de É Hora de Decidir”, que trata dos desafios e soluções mundiais em relações às mudanças climáticas dirigido pelo cineasta premiado com o Oscar Charles Ferguson. A atriz e roteirista Emma Thompson conduz a produção canadense “Até o Fim da Terra” e Rachel McAdams empresta seu talento a “Mar Ensurdecedor”, um alerta para o impacto dos ruídos sobre as baleias que conta também com o músico Sting. Já “Sonhos Conectados” tem narração da atriz Tilda Swinton e resgata desejos e ansiedades do mundo atual registrados desde mais de cem anos atrás, quando o telefone, o cinema e a televisão eram novidades.

 

Também na Mostra Contemporânea Internacional está o filme eleito como melhor documentário nos prêmios César (o “Oscar do cinema francês), “Amanhã”, que tem na direção Mélanie Laurent, premiada atriz de “Bastardo Inglórios” e realizadora do longa “Respire”. A obra trata de uma jornada por várias partes do mundo em busca de soluções nos campos da agricultura, energia, economia, democracia e educação. Por sua vez, “O Suplício: Vozes de Chernobyl” é baseado em livro da vencedora do Prêmio Nobel Svetlana Alexievich e focaliza os desdobramentos do maior acidente nuclear da história, ocorrido na Ucrânia, em 1986. “Guerra ao Terror” encontro “Uma Verdade Inconveniente” é a definição da crítica especializada para “A Era das Consequências”, no qual oficiais militares norte-americanos revelam como as mudanças climáticas potencializam tensões sociais ao redor do mundo.

 

Em sua quarta edição, a Competição Latino-Americana selecionou 32 títulos, representando sete países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, México e Uruguai. Três dos filmes promovem sua première mundial no evento:  “A Grande Ceia Quilombola”, retrata uma cultura na qual a comida tem um papel fundamental na coesão social, “Terminal 3”, sobre o trabalho escravo nas recentes obras do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, e “Não Respire”, uma denúncia sobre a indústria do amianto. O melhor longa-metragem desta competição é premiado com R$ 15 mil, enquanto o curta-metragem vencedor recebe R$ 5 mil, havendo ainda o prêmio do público. O júri desta competição é formado pela jornalista Maria Zulmira de Souza (uma das idealizadoras da primeira plataforma de ativismo digital do Brasil voltada para o meio ambiente) e pelos cineastas Jorge Bodanzky (de “Iracema, Uma Transa Amazônica”), e Regina Jehá (de “Expedição Vila Marajó”).

 

Sete filmes da programação foram selecionados para as recentes edições do Festival de Berlim. Na Mostra Contemporânea Internacional estão três títulos inéditos no Brasil: o chinês “Minha Terra”, o divertido Desejo de Carne” (Holanda) e Batalha Inuk”, sobre as dificuldades de uma nação indígena esquimó. Na Competição Latino-Americana figuram outras quatro obras que passaram no festival alemão:  o argentino Damiana Kryygi” e os curtas-metragens “Aurelia e Pedro” (mexicano vencedor de menção especial na mostra Generation Kplus), o brasileiro “Das Águas que Passam” e “O Mergulhador” (México).

 

Com participações no Festival de Veneza, estão incluídos o inédito no Brasil Complexo Fabril” (sul-coreano que venceu o Leão de Prata no evento italiano), o francês Gigante” (eleito melhor produção sobre ecologia e desenvolvimento sustentável), “Champ des Possibles” (Canadá) e o brasileiro Solon”.

 

Além de “Eis os Delírios do Mundo Conectado”, de Werner Herzog, outros três longas e um curta-metragem participaram do Sundance Festival: o inédito no Brasil “Uma Caçadora e Sua Águia”; o britânico “Quando Dois Mundos Colidem”, vencedor de prêmio especial do júri no evento norte-americano; “Máquinas”, vencedor do prêmio de melhor documentário da mostra World Cinema do Sundance e também inédito em nosso país; e o filme curto Casa à Venda” (Cuba/Colômbia).

 

Um dos maiores eventos cinematográficos da Europa, com foco na revelação de novos talentos, o Festival de Roterdã apresentou dois títulos programados este ano pela Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental: “Sonhos Conectados”, uma coprodução Áustria/Alemanha/Reino Unido inédita no Brasil, e “O Vento Sabe que Volto à Casa”, realização do chileno José Luis Torres Leiva que mescla ficção e documentário.

 

Com passagem pelo prestigioso Festival de Locarno, “El Remolino” (México/Espanha) integra a Competição Latino-Americana e se passa em uma comunidade de Chiapas que anualmente é atingida por fortes enchentes. Já “A Terra dos Fantasmas Vista pelos Bushmen” (Alemanha) foi vencedor do prêmio do público no badalado Festival SXSW - South by Southwest, nos Estados Unidos. E o festival IDFA-Amstardã – considerado como a “Cannes” do documentário – selecionou quatro obras presentes no evento: “Uma Caçadora e Sua Águia”, o nacional “Aracati” e os inéditos no Brasil Algo de Grandioso” (França) e “Salero” (EUA), este último descrito como uma viagem poética pela maior planície de sal do mundo, localizada na Bolívia.

 

O curta-metragem de animação brasileiro “Caminho dos Gigantes” participou do Festival de Biarritz, na França, o principal evento europeu dedicado à promoção do cinema latino-americano. Por sua vez, o curta argentino Esta é a Minha Selva”, que retrata um pequeno povoado que foi devastado por uma inundação, foi destaque no BAFICI - Festival de Cinema Independente de Buenos Aires, um dos maiores eventos cinematográficos da América Latina.

 

A programação traz ainda uma nova edição do Concurso Curta Ecofalante, dedicado à produção audiovisual de estudantes universitários e de escolas técnicas de audiovisual, que contempla o melhor trabalho com R$ 3 mil. Juntamente com as exibições do Circuito Universitário e da Mostra Escola, são iniciativas dedicadas à reflexão e ao debate promovidas pela Ecofalante, entidade responsável pela Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

 

A cerimônia de encerramento do evento, com anúncio dos premiados, acontece no dia 14 de junho (quarta-feira), a partir das 20h45, no Cine Caixa Belas Artes. Na sequência é projetado o longa-metragem vencedor da Competição Latino-Americana.

 

O circuito de exibição é integrado por 30 espaços culturais da cidade: Cine Reserva Cultural, Cine Caixa Belas Artes, salas do Circuito Spcine – Centro Cultural São Paulo, Cine Olido, Centro Cultural Cidade Tiradentes, Biblioteca Roberto Santos, CEU Aricanduva, CEU Butantã, CEU Caminho do Mar, CEU Feitiço da Vila, CEU Jaçanã, CEU Jambeiro, CEU Meninos, CEU Parque Veredas, CEU Paz, CEU Perus, CEU Quinta do Sol, CEU São Rafael, CEU Três Lagos, CEU Vila Atlântica e CEU Vila do Sol. Completam a lista as seguintes unidades das Fábricas de Cultura: Vila Curuçá, Sapopemba, Itaim Paulista, Parque Belém, Brasilândia, Capão Redondo, Jaçanã, Jardim São Luís e Vila Nova Cachoeirinha.

 

A 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental é uma realização da ONG Ecofalante, do Ministério da Cultura, do Governo Federal e da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. É uma correalização da Spcine e da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo. Tem patrocínio da Sabesp e da Pepsico, com apoio da Goodyear, White Martins, Guarani - Mais que açúcar e do Instituto Clima e Sociedade. É possível graças à Lei de Incentivo à Cultura e ao Programa de Apoio à Cultura (ProAC).

 

O evento conta com o apoio institucional das seguintes organizações: Carbon Disclosure Program – CDP, Catraca Livre, Centro Brasil no Clima, ClimaInfo, Conexão Planeta, eCycle, Engajamundo, Fábricas de Cultura - Poiésis e Catavento, Governos Locais pela Sustentabilidade – ICLEI, GreenMe, Grupo de Institutos e Fundações de Empresas – GIFE, Horizonte Educação e Comunicação, Instituto Akatu, Instituto de Energia e Ambiente - IEE/USP, Instituto Democracia e Sustentabilidade – IDS, Instituto Envolverde, Instituto Socioambiental – ISA, Le Monde Diplomatique Brasil,  Observatório do Clima, ONU Meio Ambiente, Rede Nossa São Paulo, Revista Piauí, SOS Mata Atlântica, Uma Gota no Oceano, Videocamp, Viração Comunicação.

 

As redes sociais e endereços virtuais do evento são os seguintes:

facebook.com/mostraecofalante, twitter.com/MostraEco,

instagram.com/mostraecofanlate​, www.ecofalante.org.br/mostra e

mostraecofalante.wordpress.com​.

 

 

 

 

 

 

 

sobre a programação

 

*** Homenagem Vincent Carelli

A Homenagem Vincent Carelli apresenta dois longas-metragens recentes e premiados do realizador, “Corumbiara” (2009) e “Martírio” (2016). O primeiro retrata o massacre de índios em Rondônia, ocorrido em 1985, e recebeu o prêmio melhor filme, melhor direção, melhor montagem e prêmio do público no Festival de Gramado. Martírio”, feito em colaboração com Ernesto de Carvalho e Tita, busca as origens do genocídio praticado contra os índios Guarani Kaiowá. A produção foi premiada no Festival de Brasília, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival de Mar del Plata.

 

Na homenagem estão incluídos também quatro títulos emblemáticos do Vídeo das Aldeias, projeto criado por Carelli em 1986 com o objetivo de apoiar as lutas dos povos indígenas por meio de recursos audiovisuais. A iniciativa conta com mais de 70 filomes realizados, tendo se transformado em uma referência na área. No curta-metragem “Vídeo nas Aldeias” (1989), quatro grupos indígenas brasileiros (Nambiquara, Gavião, Tikuna e Kaiapó) incorporaram o uso do vídeo nos seus projetos políticos e culturais. “O Espírito da TV” (1990) mostra as emoções e reflexões dos índios Waiãpi ao verem, pela primeira vez, a sua própria imagem num aparelho de televisão. Premiado no Festival de Vídeo de Tóquio e no Cinéma du Réel, “A Arca dos Zo’é” (1993), mostra o encontro entre os índios Waiãpi e os Zo’é. Já em “Segredos da Mata (1998) estão reunidas quatro fábulas sobre monstros canibais, todas narradas e interpretadas pelos índios Waiãpi. Em “Segredos da Mata” (1998) estão reunidas quatro fábulas sobre monstros canibais, todas narradas e interpretadas pelos índios Waiãpi

 

 

*** Panorama Histórico – A Amazônia no Imaginário Cinematográfico Brasileiro

Seis clássicos do cinema brasileiro de ficção, realizados entre 1974 e 1991, compõem o Panorama Histórico – A Amazônia no Imaginário Cinematográfico Brasileiro, com obras assinadas por Hector Babenco, Carlos Diegues, Zelito Viana, Hermano Penna, Gustavo Dahl e André Luiz Oliveira.

 

A coprodução internacional “Brincando nos Campos do Senhor” (1991), de Babenco, tem no elenco Tom Berenger, John Lithgow e Daryl Hannah e mereceu indicação ao Globo de Ouro. Focaliza um casal de missionários que tenta catequisar índios na Amazônia e tem suas intenções afetadas por um mercenário descendente dos índios americanos. Em Bye Bye Brasil” (1980), de Carlos Diegues, os atores José Wilker, Betty Faria, Fábio Jr. e Zaira Zambelli compõem uma trupe de artistas ambulantes que viaja pelo interior do Brasil em um caminhão alegremente colorido, atravessando o vale do São Francisco, o litoral nordestino, o árido sertão da região, a selvagem rodovia Transamazônica e os caudalosos e perigosos rios Xingu e Amazonas. A obra foi selecionada para o Festival de Cannes.

 

Dirigido por Zelito Viana, “Avaeté – Semente da Vingança” (1985) focaliza um grupo de pistoleiros que, a mando de uma grande empresa, massacra uma aldeia inteira de índios para tomar posse das terras, na floresta amazônica. Premiado nos festivais de Moscou e Havana, o longa-metragem tem no elenco Hugo Carvana, José Dumont, Cláudio Marzo, Renta Sorrah e Marcos Palmeira. Com Antonio Lerite, Marcélia Cartaxo, “Fronteira das Almas” (1987), de Hermano Penna, trata das dificuldades enfrentadas por um grupo de agricultores no interior de Rondônia.

 

“Uirá, Um Índio em Busca de Deus” (1974), de Gustavo Dahl, é baseado em livro de Darcy Ribeiro e acompanha trajetória de um membro da etnia Urubu-Kaapor na busca pela "terra sem males" e foi preado no Festival de Gramado. Por sua vez, José de Alencar foi a inspiração para A Lenda de Ubirajara” (1975), no qual o diretor André Luiz Oliveira conta a história de um filho de cacique da tribo araguaia que parte em busca de sua amada.

 

 

*** sessão especial – “Eis os Delírios do Mundo Conectado”

Em “Eis os Delírios do Mundo Conectado” (EUA, 2016), o cineasta alemão Werner Herzog (de “Caverna dos Sonhos Esquecidos”, “Vício Frenético” e “O Homem Urso”) aborda o mundo virtual, desde as suas origens até os seus maiores desenvolvimentos. Estão incluídas na obra entrevistas provocativas com expoentes da área tecnológica que revelam as maneiras pelas quais o mundo on-line transformou a forma como praticamente tudo no mundo real funciona – do negócio à educação, de viagens espaciais à medicina – e a própria maneira como lidamos com nossos relacionamentos pessoais. No longa-metragem, lançado pelo Sundance Festival, o premiado diretor alemão explora a paisagem digital com a mesma curiosidade e imaginação que marcam suas obras, chegando a um resultado fascinante.

 

 

*** mostra contemporânea internacional

Representando 19 países, os 39 títulos da Mostra Contemporânea Internacional estão organizados em sete eixos temáticos: alimentação & gastronomia; cidades; contaminação; economia; mudanças climáticas; povos & lugares; e trabalho. Do total, 33 produções são inéditas no Brasil.

 

Em ‘cidades’, destaca-se o vencedor do Prêmio Goya para melhor documentário espanhol, “Frágil Equilíbrio” (2016), de Guillermo García López, no qual três histórias passadas em diferentes continentes se entrelaçaram e são articuladas pelas palavras de Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai. O dinamarquês “Império da Fantasia” (2016), dirigido por David Borenstein, focaliza uma migrante rural chinesa que chega a Chongqing, conhecida como a cidade com o crescimento mais rápido do mundo, e abre uma empresa de “figurantes estrangeiros”, que aumentam a venda de novos empreendimentos. Selecionado para o Festival de Berlim, o chinês “Minha Terra” (2015), de Jia Fan, tem como protagonista um trabalhador migrante rural que vive de cultivar e vender legumes nos arredores de Pequim e vês sua terra retomada para dar lugar a um empreendimento imobiliário. Estão programados ainda os curtas-metragens “Champ des Possibles” (de Cristina Picchi, Canadá, 2015), um ensaio poético selecionado para o Festival de Veneza onde memórias se misturam com sons da cidade de Montreal, e “Terra de Muitos Palácios” (de Song Ting e Adam James Smith, Canadá, 2015), sobre uma cidade chinesa projetada para ser uma metrópole futurística, mas que conta com a apenas 2% dos seus edifícios ocupados.

 

Em ‘alimentação & gastronomia’ está o longa-metragem “Insetos! – Uma Aventura Gastronômica” (de Andreas Johnsen, Dinamarca/Holanda/França/Alemanha/Bélgica, 2016), que acompanha uma equipe de jovens chefes e pesquisadores que correm o globo saboreando insetos em comunidades tradicionais, aprendendo o que alguns dos dois bilhões de pessoas que já comem insetos têm a dizer. O norte-americano “Sustentável” (de Matt Wechsler, 2016) investiga a instabilidade econômica e ambiental de nosso sistema alimentar e as questões agrícolas que enfrentamos. Já o belga “Os Libertadores” (de Jean-Christophe Lamy e Paul-Jean Vranken, 2015) aborda a agricultura alternativa e seu comércio, focalizando fazendas de pequena escala, dirigidas por famílias, e como o solo desempenha um papel importante para uma agricultura sustentável. Em “Desejo de Carne” (2015), a apresentadora da TV holandesa e diretora do filme Marijn Frank explora o dilema entre o amor pela carne e os argumentos racionais contra os produtos da indústria de carne. Ela é uma jovem mãe que tenta, mais uma vez, parar de comer carne tornando-se aprendiz de um matadouro e fazendo terapia. O filme, que foi exibido no Festival de Berlim, examina de forma divertida valores morais, hipocrisia e o simbologia ligada à carne. Já o canadense Batalha Inuk” (de Alethea Arnaquq-Baril, 2016), exibido no Festival de Berlim, mostra como a caça de focas é uma parte essencial da vida da nação indígena esquimó dos inuítes, fornecendo alimento e peles como matéria-prima para seus produtos. Mas seu modo de vida sustentável é ameaçado quando grandes ativistas influenciam o Parlamento Europeu para proibir os produtos de focas, e outras nações minam recursos naturais de suas terras.

 

O destaque do tema ‘contaminação’ é O Suplício: Vozes de Chernobyl” (de Pol Cruchten, Luxemburgo/Áustria/Ucrânia, 2015), baseado em livro da vencedora do Prêmio Nobel Svetlana Alexievich e que focaliza o mundo em torno do maior acidente nuclear da história, ocorrido na Ucrânia, em abril de 1986. Contando com participações de personalidades como a escritora Naomi Klein, autora de “No Logo”, a produção canadense “Até o Fim da Terra” (de David Lavallée, 2016) é narrado pela atriz e roteirista britânica Emma Thompson. A obra dá voz àqueles que não apenas denunciam a ascensão da energia extrema, mas que também imaginam o novo mundo que forma em seu lugar. Em “Cheirando Mal” (EUA, 2015), o norte-americano Jon J. Whelan revela, de forma divertida, que alguns produtos em nossas prateleiras simplesmente não são seguros. Por sua vez, “O Rio Jarcom” (de Avi Belkin, Israel, 2016) focaliza a história do rio mais malvisto de Israel, desde seus dias de glória, quando judeus e árabes compartilhavam seus recursos, até ser conhecido como o mais poluído e perigoso do país. Com narração da atriz Rachel McAdams e participação do músico Sting, “Mar Ensurdecedor” (de Michelle Dougherty e Daniel Hinerfeld, EUA, 2015) alerta para o impacto do ruído industrial e militar sobre as baleias, causando a perda de audição destes animais, que começam a fugir de seu próprio habitat. “Terra Abandonada” (de Gilles Laurent, Bélgica, 2016) vai à zona evacuada em torno da usina nuclear de Fukushima (Japão) e descobre nesta uma área contaminada pessoas que cultivam uma terra cheia de radiação. Também passado na zona interditada após o acidente da usina nuclear de Fukushima, o curta-metragem de animação “Zona Proibida” (Bélgica, 2016) narra o cotidiano do último homem que lá permaneceu.

 

Eleito como melhor documentário nos prêmios César (o “Oscar do cinema francês) e extraordinário sucesso de público, “Amanhã” (2015) é o grande destaque do eixo temático ‘economia’. Codirigido, ao lado de Cyril Dion, por Mélanie Laurent, premiada atriz de “Bastardo Inglórios” e realizadora do longa “Respire”, trata-se de uma jornada por várias partes do mundo em busca de soluções nos campos da agricultura, energia, economia, democracia e educação. O filme apresenta, através de um roteiro dinâmico, ações concretas e positivas que já estão funcionando, começando, assim, a descobrir como poderia ser o mundo de amanhã. “A Estrada” (de Zhang Zanbo, China/Dinamarca, 2015) aborda a construção de uma rodovia e flagra violência e corrupção ao acompanhar moradores forçados a se mudar, templos retirados do caminho e trabalhadores migrantes em condições de trabalho extremamente precárias. A produção austríaca “Espólio da Terra” (Kurt Langbein, 2015), que obteve grande circulação no circuito internacional de festivais, mostra como o capital financeiro global redescobriu um valioso segmento de negócios, as terras agrícolas. Já “O Custo do Transporte Global” (de Denis Delestrac, Espanha/França, 2016) promove uma audaciosa investigação sobre o transporte marítimo de mercadorias e lança luz sobre os custos por trás dessa indústria. Lançado pelo prestigioso Festival de Roterdã, “Sonhos Conectados” (de Manu Luksch, Martin Reinhart e Thomas Tode, Áustria/Alemanha/Reino Unido, 2015) tem narração da atriz britânica Tilda Swinton e resgata desejos e ansiedades do mundo atual em mais de cem anos atrás, quando o telefone, o cinema e a televisão eram novidades.

 

Em ‘mudanças climáticas’ está É Hora de Decidir” (EUA, 2016), dirigido pelo cineasta premiado com o Oscar Charles Ferguson e narrado pelo ator Oscar Isaac. O filme aborda desafios e soluções mundiais em relações às mudanças climáticas. A Era das Consequências” (de Jared P. Scott, EUA, 2017) promove uma vigorosa investigação, sob o ponto de vista da estabilidade mundial e segurança nacional dos Estados Unidos, revelando como o impacto das mudanças climáticas interagem com tensões sociais, provocando escasses de recuros, imigração e conflitos ao redor do mundo. “Furacão - A Odisséia do Vento” (de Cyril Barbaçon, Andrew Byatt e Jacqueline Farmer, França/Bélgica, 2015) acompanha o furacão Lucy, desde seu início, como uma tempestade de areia no Senegal, seguindo-o pelo Oceano Atlântico, Porto Rico, Cuba e Louisiana (EUA). Dirigido por Pieter Van Eecke e vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival de Chicago, o longa-metragem “Samuel Entre as Nuvens” (Bélgica/Holanda, 2016) focaliza um senhor operador de teleférico nas altas montanhas da Bolívia, onde as as geleiras estão se derretendo.

 

“Uma Caçadora e Sua Águia” (de Otto Bell, EUA, 2016) é o grande destaque de povos & lugares”. Com uma linguagem envolvente e narrado pela atriz inglesa Daisy Ridley, focaliza uma garota de 13 anos da Mongólia que está tentando se tornar a primeira mulher de sua família a domar águias. A produção teve sua estreia mundial no Sundance Festival. “Sherpa, Tragédia no Everest” (de Jennifer Peedom e Renan Ozturk, Austrália/Reino Unido, 2015) conta com produção de John Smithson, responsável por “127 Horas”, e causou ao abordar o acidente ocorrido no Monte Everest, em 2014, quando um bloco de 14 milhões de toneladas de gelo caiu na rota de escalada matando 16 sherpas, o povo nativo que leva alpinistas estrangeiros para o topo da montanha. Em “A Resistência” (Austrália, 2016), a diretora australiana Hollie Fifer levanta questão de como podemos construir a indústria eticamente sustentável nos países em desenvolvimento a partir de uma batalha entre moradores de uma localidade na Papua Nova Guiné e um multimilionário projeto de “desenvolvimento” que inclui um hotel cinco estrelas, um porto e apartamentos executivos. Vencedor do prêmio do público no badalado Festival SXSW - South by Southwest (EUA), “A Terra dos Fantasmas Vista pelos Bushmen” (de Simon Stadler, Alemanha, 2016) acompanha uma curiosa viagem à Europa de membros de povo nômade africano, descendentes de uma das culturas mais antigas de planeta. Já “Anuktatop: A Metamorfose” (de Nicolas Pradal e Pierre Selvini, França/Guiana Francesa, 2016) mostra um universo onírico em meio à floresta amazônica da Guiana Francesa, incluindo fantasias sobre o centro de lançamentos de foguetes da Agência Espacial Europeia, lá localizado. Vencedor do prêmio especial do júri no Sundance Festival, “Quando Dois Mundos Colidem” (de Heidi Brandenburg Sierralta e Mathew Orzel, Reino Unido, 2016) mostra o embate, muitas vezes caótico e extremamente violento, entre o governo peruano e os povos indígenas que vivem na floresta amazônica, por conta de interesses econômicos na extração de petróleo, minerais e gás. Selecionada para os importantes festivais de São Francisco e IDFA-Amsterdã, “Salero” (de Mike Plunkett, EUA, 2015) é uma viagem poética por Salar de Uyuni, na Bolívia, a maior planície de sal do mundo, com mais de dez mil quilômetros quadrados e um dos lugares mais isolados do planeta, tendo por protagonista um dos últimos coletores de sal.

 

O eixo temático ‘trabalho’ tem como um de seus destaques Máquinas” (de Rahul Jain, Índia/Alemanha/Finlândia, 2017), vencedor do prêmio de melhor documentário da mostra World Cinema do Sundance Festival. A obra se passa em uma fábrica têxtil da Índia, movendo-se através dos corredores e entranhas da gigantesca estrutura para revelar um local de trabalho desumanizador. Já Complexo Fabril” (de Heung-Soon Im, Coréia do Sul, 2015) que foi vencedor do Leão de Prata no Festival de Veneza, lança um olhar poético sobre o significado do trabalho a partir da opressão sofrida por mulheres operárias na Ásia. Brumário” (de Joseph Gordillo, França/Espanha, 2015) utiliza imagens de grande plasticidade sobre a última mina francesa de carvão e investiga como é o cotidiano dos habitantes do local. Uma denúncia sobre o desastre ecológico provocado pelo avanço da mineração no interior da Mongólia, Gigante” (de Zhao Liang, França, 2015) foi laureado no Festival de Veneza com o prêmio Green Drop, outorgado ao filme que melhor abordam a ecologias e o desenvolvimento sustentável. Documentário em preto e branco que segue a vida de quatro trabalhadores na construção de uma estrutura de tratamento de esgoto, “Algo de Grandioso” (de Fanny Tondre, França, 2016) captura a coreografia da construção e os operários entre os andaimes, guindastes e betoneiras. O curta-metragem Consumido” (de Richard John Seymour, Reino Unido, 2015) é uma viagem cinematográfica, entre o documentário e a ficção, por paisagens, minas, fábricas e estaleiros de produção chinesa.

 

 

*** Competição Latino-Americana

No longa-metragem “A Grande Nuvem Cinza” (Brasil, 2016 o diretor Marcelo Munhoz acompanha quatro famílias que vivem (ou viveram) do plantio de fumo em uma pequena cidade no Paraná. Aracati” (de Aline Portugal e Julia de Simone, Brasil, 2015) foi exibido no importante festival IDFA-Amsterdã e seu objeto é o vento de mesmo nome, que parte do litoral cearense e adentra 400km pelo interior do estado. O curta mexicano “Aurelia e Pedro” (de Omar Robles e José Permar, 2016), projetado no Festival de Berlim, traça um sensível retrato da relação simbiótica entre uma pequena família indígena e sua terra remota. “Banco Imobiliário” (de Miguel Antunes Ramos, Brasil, 2016) discute o crescimento desordenado das cidades através de verdadeiras aberrações no mercado imobiliário.

 

“Damiana Kryygi” (de Alejandro Fernandez Moujan, Argentina, 2015) recupera uma impressionante história ocorrida em 1896, quando uma menina de três anos da etnia Aché sobrevive ao massacre de sua família, perpetrado por colonos brancos, e é batizada com o nome de Damiana por seus captores, tendo sido posteriormente convertida em objeto de interesse científico para seus estudos raciais. O curta-metragem Casa à Venda” (de Emanuel Giraldo Betancur, Cuba/Colômbia, 2016), selecionado para o Sundance Festival, mostra uma nova realidade cubana, quando o governo passa a permitir a livre compra e venda de casas. A animação Caminho dos Gigantes”(de Alois Di Leo, Brasil, 2016) se passa em uma floresta de árvores gigantes onde uma menina indígena de seis anos vai desafiar seu destino e entender o ciclo da vida. Bento” (de Gabriela Albuquerque e Luísa Lanna, Brasil, 2017) é um ensaio sobre a história do subdistrito de Bento Rodrigues, destruído pelo rompimento da barragem do Fundão, da empresa Samarco, em novembro de 2015, considerada o desastre industrial que causou o maior impacto ambiental da história brasileira e o maior do mundo envolvendo barragens de rejeitos.

 

Selecionado para a Semana da Crítica do Festival de Locarno, o longa-metragem “El Remolino” (2016), da diretora Laura Herrero Garvín, focaliza dois irmãos moradores em uma pequena comunidade de Chiapas que anualmente é atingida por fortes enchentes do rio Usumacinta. O curta argentino Esta é a Minha Selva” (Argentina, 2015), dirigido por Santiago Reale e selecionado para os festivais de Mar del Plata, Viña del Mar e BAFICI, retrata um pequeno povoado que foi devastado por uma inundação e onde dois jovens passam o tempo livre andando de bicicleta e caçando pássaro. “Das Águas que Passam” (de Diego Zon, 2016), único filme brasileiro em competição no Festival de Berlim de 2016, acompanha um pescador e suas relações com o local e as pessoas que o cercam. “Entremundo”(Brasil, 2015), de Thiago B. Mendonça e Renata Jardim, focaliza o cotidiano de uma localidade descrita como o bairro mais desigual da cidade de São Paulo.

 

Em “Estrutural” (Brasil, 2016), o diretor Webson Dias aborda conflitos ocorridos no Distrito Federal durante os anos 1990, enquanto que o cineasta Pedro Diógenes discute em “Fort Acquario” (Brasil, 2016) a construção de um megaempreendimento na Praia de Iracema (Fortaleza). O curta-metragem “Galeria Presidente” (de Amanda Gutiérrez Gomes, Brasil, 2016) focaliza um centro comercial que é, ao mesmo tempo, espaço de convivência e de resistência cultural de imigrantes africanos

 

“Modo de Produção” (de Dea Ferraz, Brasil, 2017) focaliza o cotidiano de um sindicato rural pernambucano e faz refletir sobre uma massa de trabalhadores à mercê de mecanismos burocráticos. O curta-metragem colombiano “Micromundo em Uma Sacada” (de Lina Crespo e Gabriel Escobar, 2016) mostra seres fantásticos que habitam nossas cidades. Em apenas um minuto, o mexicano “Não é Brincadeira” (de Daniel Aviña, 2016) mostra, através de jogos, o dano que fizemos para o o planeta em que vivemos.

 

Vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival de Biarritz, o uruguaio “Nueva Venecia” (de Emiliano Mazza de Luca, 2016) traz uma história de realismo mágico no meio da maior lagoa da Colômbia. A seca em São Paulo é o ponto de partida do longa-metragem “O Jabuti e a Anta” Brasil, 2016), no qual a diretora Eliza Capai, busca entender as obras faraônicas agora construídas no meio da floresta amazônica. Selecionada para o Festival de Roterdã e eleito melhor documentário no Festival de Cartagena de Índias, o chileno “O Vento Sabe que Volto à Casa” (de José Luis Torres Leiva,2016) trata, de forma original, da difícil relação entre a população indígena da Ilha Grande de Chiloé, que fica no Oceano Pacífico, com os mestiços (descendentes de colonos) e o racismo que ainda perdura até hoje no local. O curta-metragem mexicano “O Mergulhador” (de Esteban Arrangoiz, 2016) foi selecionado para o Festival de Berlim e tem como protagonista o mergulhador chefe do sistema de esgotos da Cidade do México.

 

O longa-metragem “Substantivo Feminino”(de Daniela Sallet e Juan Zapata, Brasil, 2016) resgata a história de duas mulheres pioneiras e fundamentais para a militância ambiental no Rio Grande do Sul e no Brasil. Três curtas-metragens brasileiros destacam o cotidiano de crianças da aldeia Aiha Kalapalo, do Parque Indígena do Alto Xingu (“Osiba Kangamuke - Vamos Lá, Criançada”, de Haja Kalapalo, Tawana Kalapalo, Thomaz Pedro e Veronica Monachini, 2016), as consequências do rompimento da represa de resíduos de minério de ferro ocorrido em 2015 em Mariana, MG (“Rio da Morte”, de Elizabeth Rocha Salgado, 2016) e o surgimento do mundo, apresentado a partir do encontro de uma paisagem devastada e uma criatura misteriosa (“Solon”, de Clarissa Campolina, 2016).

 

Selecionado para os festivais Cinéma du Réel (França) e de Brasília, “Taego Ãwa” (de Henrique Borela e Marcela Borela, Brasil, 2016) focaliza o grupo Ãwa, conhecidos como Avá-Canoeiros, e sua trajetória de desterro e cativeiro em meio à luta por sua terra tradicional.Volume Vivo – De Onde Vem a Água?” (de Caio Silva Ferraz, Brasil, 2016)mostra como o modo de uso e ocupação do solo no Brasil, marcado fortemente pelo desmatamento, não considera os biomas locais e seus serviços ecossistêmicos. O mexicano “Tlalocan, Paraíso da Água (de Andrés Pulido, 2016) se desenrola em torno de uma contradição: a Cidade do México já foi um lago, mas atualmente vive sérios problemas de falta de água.

 

Três obras têm première mundial na Competição Latino-Americana. O longa-metragem Não Respire - Contém Amianto(de André Campos, Carlos Juliano Barros e Caue Angeli, Brasil, 2017) denuncia como a indústria do amianto tenta vender a imagem de que o tipo de minério usado no bilionário mercado de telhas não é tão ruim assim. O curta-metragem “Terminal 3” (de Thomaz Pedro e Marques Casara, Brasil, 2016) se passa durante a construção das grandes obras para a Copa do Mundo FIFA de 2014, quando um grupo de 150 homens foi encontrado em situação de trabalho escravo na construção de um terminal do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. Passado no Quilombo de Damásio, localizado no litoral maranhense, o curta “A Grande Ceia Quilombola” (de Ana Stela e Rodrigo Sena, Brasil, 2017) retrata os saberes de uma cultura na qual a comida tem um papel fundamental na coesão social.

 

 

*** concurso curta ecofalante

Dedicado à produção audiovisual de estudantes universitários e de escolas técnicas de audiovisual, o Concurso Curta Ecofalante contempla o melhor trabalho com R$ 3 mil. Os sete títulos selecionados concorrem ainda ao prêmio do público. Seis curtas foram selecionados para essa edição, considerados os melhores em qualidade técnica e relevância do tema.

 

Ciclo Urbano”, dirigido por Washington Assis, da Escola Técnica Estadual Jornalista Roberto Marinho (SP) (2015) aborda as alegrias e os desafios do ato de pedalar na cidade de São Paulo. Produção da Universidade Federal de Pernambuco, “Disforia Urbana” (de Lucas Simões, 2015) focaliza a vida na cidade, mostrando que, apesar de todo seu movimento e celeridade, ela é na verdade solitária e monótona. “O Céu Desaba” (de Mariana Gomes, Universidade Federal do Ceará, 2016) trata dos conflitos entre homem e natureza por meio das transformações na paisagem da praia do Icaraí, no Ceará.

 

“Obra Autorizada” (de Iago Cordeiro Ribeiro, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, 2016) traz tem como objetos uma casa, um beco e as pessoas de Cachoeira, Bahia, Cidade Monumento Nacional. “Porto, Maravilha para Quem?” (Brasil, 2017, 13 min), produção da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro dirigida por Gabriela Maia, Jaqueline Suarez e Luis Henrick Teixeira, mostra as principais mudanças que ocorreram na região portuária da cidade do Rio de Janeiro nos últimos anos e como o projeto de revitalização tornou-se também um processo de remoções diretas e indiretas. Já o curta-metragem da ECA/USP “Valéria, Mulher da Terra” (de Barbara Monfrinato, Bruno Vaiano, Guilherme Fernandes, Leandro Bernardo e Roberta Vassallo, 2016) focaliza a presidente da cooperativa de agricultores que procuram meios conscientes de cuidar da terra, na zona sul paulistana.

 

 

*** mostra escola

Em circuito de exibição voltado a instituições de ensino, a programação é composta por dez títulos, com destaque para a animação vencedora do Oscar© “Rango” (de Gore Verbinski, EUA, 2011), sobre um camaleão da cidade grande que vai parar, após um acidente, em pleno velho oeste. Outro filme infantil de animação presente é “Animais Unidos Jamais Serão Vencidos” (de Reinhard Klooss e Holger Tappe, Alemanha, 2010), no qual animais – muitos deles inimigos implacáveis – se unem para devolver o abastecimento de água da planície africana, bloqueado por uma enorme barragem e um resort.

 

O premiado longa-metragem “Efeito Reciclagem” (de Sean Walsh, Brasil, 2010, 92 min) acompanha um catador e sua numerosa família, incentivando a reflexão sobre a necessidade urgente de reciclar não só materiais e produtos, mas também atitudes e ideias. O francês “(R)Evoluções Invisíveis”  (de Philippe Borrel, 2014) mostra como algumas pessoas decidiram dar as costas à aceleração da vida e tentam retardar tal movimento. O brasileiro “O Homem do Saco”(de Carol Wachockier, Felipe Kfouri e Rafael Halpern, 2015) relaciona a figura do personagem que levava crianças desobedientes em sua sacola com um homem que vive à margem da sociedade, catando materiais recicláveis para seu sustento.

 

Dois longas-metragens norte-americanos focalizam um grupo secreto de especialistas de aluguel extremamente carismáticos e eloquentes (“O Mercado da Dúvida”, de Robert Kenner 2014) e o impacto que a indústria da moda tem causado no mundo (“O Verdadeiro Preço”, de Andrew Morgan, 2015). Já em “Jaci: Sete Pecados de Uma Obra Amazônica” (2014), no brasileiro vencedor da Competição Latino-Americana da 5ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, os cineastas Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros focalizam como uma pequena cidade na Amazônia é radicalmente transformada a partir do início da construção de uma hidrelétrica.

 

Completam o programa dois curtas-metragens. A animação alemã “Auto-Fitness” (de Alejandra Tomei e Alberto Coucei, 2015) trata do automatismo humano e nossa relação diária com o dinheiro e com o tempo. Já o brasileiro “Para Onde Foram as Andorinhas?” (de Mari Corrêa, 2015) capta como os povos habitantes do Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, estão percebendo e sofrendo cotidianamente os impactos das mudanças climáticas, do intenso uso de agrotóxicos e do desmatamento desenfreado.

 

 

Serviço:

6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

1º a 14 de junho de 2017

entrada franca

 

locais

Cine Reserva Cultural,

Cine Caixa Belas Artes,

Circuito Spcine Lima Barreto (Centro Cultural São Paulo), 

Circuito Spcine Olido, 

Circuito Spcine Cidade Tiradentes, 

Circuito Spcine Roberto Santos,

Circuito Spcine Aricanduva, Circuito Spcine Butantã, Circuito Spcine Caminho do Mar, Circuito Spcine Feitiço da Vila, Circuito Spcine Jaçanã, Circuito Spcine Jambeiro, Circuito Spcine Meninos, Circuito Spcine Parque Veredas, Circuito Spcine Paz, Circuito Spcine Perus, Circuito Spcine Quinta do Sol, Circuito Spcine São Rafael,

Circuito Spcine Três Lagos, Circuito Spcine Vila Atlântica, Circuito Spcine Vila do Sol,

Fábrica de Cultura Vila Curuçá,  Fábrica de Cultura Sapopemba, Fábrica de Cultura Itaim Paulista, Fábrica de Cultura Parque Belém, Fábrica de Cultura Brasilândia, Fábrica de Cultura Capão Redondo, Fábrica de Cultura Jaçanã,  Fábrica de Cultura Jardim São Luís, Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha.

 

 

 

realização: Ecofalante, Ministério da Cultura, Governo Federal, Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo

correalização: Spcine e Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo

patrocínio: Sabesp e Pepsico

apoio: Goodyear, White Martins, Guarani - Mais que Açúcar e Instituto Clima e Sociedade

Lei de Incentivo à Cultura e Programa de Apoio à Cultura (ProAC).

 

facebook.com/mostraecofalante

twitter.com/MostraEco

instagram.com/mostraecofanlate

mostraecofalante.wordpress.com

www.ecofalante.org.br/mostra

 

 

 

 

 

 

Atendimento à Imprensa:

ATTi Comunicação e Ideias – Eliz Ferreira e Valéria Blanco

(11) 3729.1455 / 3729.1456 / 9 9105.0441

 

 

dados sobre os filmes

 

homenagem Vincent Carelli (6 filmes)

A Arca dos Zo’é (Brasil, 1993, 22 min) – dir: Dominique Gallois e Vincent Carelli

Os índios Waiãpi, que conheceram os Zo’é através de imagens em vídeo, decidem ir ao encontro destes índios recém-contatados no norte do Pará e documentá-los. Os Zo’é proporcionam aos visitantes o reencontro com o modo de vida e os conhecimentos dos seus ancestrais. Os Waiãpi, em troca, informam os Zo’é sobre os perigos do mundo branco que se aproxima, e que os isolados estão ansiosos por conhecer. A obra foi vencedora do Prêmio JVC President no Festival de Vídeo de Tóquio, do Troféu Sol de melhor vídeo no Rio Cine Festival, do prêmio de curta-metragem no festival Cinéma du Réel (França) e do prêmio de melhor vídeo no Festival de Cuiabá.

 

Corumbiara (Brasil, 2009, 117 min) – dir: Vincent Carelli

Realizado ao longo de mais de 20 anos, “Corumbiara” retrata o massacre de índios na gleba Corumbiara, ao sul de Rondônia, em 1985, que teria sido praticado por fazendeiros de gado da região. Eles não queriam que suas terras fossem, o que impediria sua exploração comercial. Apesar dos visíveis sinais da tentativa de apagar as evidências do crime, filmadas pelo documentarista Vincent Carelli e denunciado pelo indigenista Marcelo Santos, o caso caiu no ostracismo. Dez anos depois do massacre, o encontro de dois índios desconhecidos em uma fazenda oferece a primeira oportunidade de retomar o fio desta história e revelar a continuidade dos crimes contra os povos indígenas. No documentário, abre-se espaço também para uma autocrítica das próprias estratégias indigenistas. Entre outras premiações, a produção recebeu o prêmio melhor filme, melhor direção, melhor montagem e prêmio do público no Festival de Gramado. Recebeu ainda o prêmio do público no Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, o Grande Prêmio no Fica - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, o prêmio de melhor documentário no Festival Présence autochtone - Muestra de Cine y Video Indígena de Montréal e, na Mostra Internacional do Filme Etnográfico, o Prêmio Manuel Diegues Jr., Prêmio Aquisição TV Brasil e o Prêmio OCIC (Office Catholique International du Cinéma).

 

Martírio (Brasil, 2016, 162 min) – dir: Vincent Carelli, em colaboração com Ernesto de Carvalho e Tita 

O retorno ao princípio da grande marcha de retomada dos territórios sagrados Guarani Kaiowá através das filmagens de Vincent Carelli, que registrou o nascedouro do movimento na década de 1980. Vinte anos mais tarde, tomado pelos relatos de sucessivos massacres, o cineasta busca as origens deste genocídio, remontando às origens das políticas indígenas do Estado desde a Guerra do Paraguai, dos sucessivos projetos de integração dos índios ao sistema de trabalho, até o massacre forjado pelo agronegócio e a bancada ruralista nos tempos atuais. A produção foi vencedora do prêmio especial do júri e do prêmio do público no Festival de Brasília; do prêmio do público para documentário e do Prêmio Spcine para o Cinema Brasileiro de Melhor Documentário na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo; melhor filme no festival Janela Internacional de Cinema (Recife); melhor longa-metragem latino-americano no Festival de Mar del Plata; melhor filme e Prêmio Universidade Federal do Acre no festival  Pachamama Cinema de Fronteira 2016; e melhor longa-metragem no FestCine Amazônia. O filme é o segundo título de uma trilogia iniciada com “Corumbiara” e que se encerra com a realização de “Adeus, Capitão”, trabalho em fase de desenvolvimento.

 

O Espírito da TV (Brasil, 1990, 18 min) – dir: Vincent Carelli

Em “O Espírito da TV”, o diretor Vincent Carelli mostra as emoções e reflexões dos índios Waiãpi ao verem, pela primeira vez, a sua própria imagem e a de outros grupos indígenas num aparelho de televisão. Os índios refletem sobre a força da imagem, a diversidade dos povos e a semelhança de suas estratégias de sobrevivência frente aos não índios. A obra foi vencedora do troféu Sol de Ouro no Rio Cine Festival, do terceiro prêmio no festival Videobrasil, entre outras premiações.

 

Segredos da Mata (Brasil, 1998, 37 min) – dir: Vincent Carelli

Em “Segredos da Mata” estão reunidas quatro fábulas sobre monstros canibais, todas narradas e interpretadas pelos índios Waiãpi, da aldeia de Taitetuwa. “Fizemos o vídeo”, dizem eles, “para alertar os incautos. Até um não-índio pode ser devorado por estes monstros ao entrar na mata”. Com este trabalho, o realizador Vincent Carelli conquistou o Prêmio de Prata no Festival de Vídeo de Tóquio e o Prêmio Vitral dado pelo Movimento Nacional de Vídeo de Cuba no Festival Americano de Cinema e Vídeo dos Povos Indígenas (Guatemala).

 

Vídeo nas Aldeias (Brasil, 1989, 10 min) – dir: Vincent Carelli

No curta-metragem “Vídeo nas Aldeias”, uma apresentação do projeto homônimo – criado pelo antropólogo, indigenista e documentarista franco-brasileiro Vincent Carelli –, mostra como quatro grupos indígenas brasileiros (Nambiquara, Gavião, Tikuna e Kaiapó) incorporaram o uso do vídeo nos seus projetos políticos e culturais. O curta-metragem recebeu o prêmio do público no Festival Guarnicê (Maranhão).

 

 

 

Panorama Histórico – A Amazônia no Imaginário Cinematográfico Brasileiro (6 filmes)

 

A Lenda de Ubirajara (Brasil, 1975, 100 min) – dir: André Luiz Oliveira

Com Roberto Bonfim, Tarcísio José Alves e Ana Maria Magalhãe. Baseando no romance “Ubirajara”, de José de Alencar, o filme “A Lenda de Ubirajara” conta a história de Pojuçã, filho do cacique da tribo araguaia, que pretende se tornar um respeitado guerreiro. Para isso, ele desafia e vence Jaguarê, o maior guerreiro da tribo rival tocantim. Depois de levar seu oponente como prisioneiro de volta à sua aldeia, Pojuçã é aclamado e recebe o nome de Ubirajara ("o senhor da lança"). Mas, sem conseguir esquecer a índia Araci, que conheceu na viagem, ele parte a sua procura, sem desconfiar que ela é irmã de Jaguarê. O longa-metragem do diretor baiano André Luiz Oliveira, hoje radicado no Distrito Federal, venceu o prêmio de melhor roteiro no Festival de Brasília e de melhor montagem no Prêmio APCA.

 

Avaeté – Semente da Vingança(Brasil, 1985, 110 min) – dir: Zelito Viana

Com Hugo Carvana, José Dumont, Cláudio Marzo, Renta Sorrah e Marcos Palmeira. Baseado em um episódio real, “Avaeté – Semente da Vingança” se passa na década de 1970 e focaliza um grupo de pistoleiros que, a mando de uma grande empresa, massacra uma aldeia inteira de índios avaetés para tomar posse das terras, na floresta amazônica. O cozinheiro do grupo, Ramiro, se revolta com os acontecimentos e consegue salvar a vida de um pequeno índio e fugir. Os dois acabam se separando. Muitos anos depois, atormentado pelos remorsos da época, o ex-cozinheiro resolve denunciar o caso às autoridades e à imprensa. Este sexto longa-metragem do diretor Zelito Viana – que havia feito anteriormente “Terra dos Índios”, um documentário sobre a luta de povos indígenas do Mato Grosso do Sul para preservar sua identidade cultural – foi vencedor do prêmio de prata no Festival de Moscou, de melhor ator no Festival de Havana e de melhor filme no Prêmio APCA.

 

Brincando nos Campos do Senhor(EUA/Brasil, 1991, 189 min) – dir: Hector Babenco

Com Tom Berenger, John Lithgow, Daryl Hannah, Aidan Quinn, Tom Waits, Kathy Bates, Stênio Garcia, Nelson Xavier e José Dumont. Em “Brincando nos Campos do Senhor”, um casal de missionários e seu filho pequeno embrenham-se na selva amazônica brasileira para catequisar índios ainda arredios à noção de Deus. Martin é sociólogo e termina sendo motivado pelas experiências de outro casal, os Huben. As intenções religiosas e a harmonia entre brancos e índios no local ficam instáveis devido à presença de um mercenário descendente dos índios americanos. Esta coprodução EUA/Brasil dirigida por Hector Babenco foi indicada ao Globo de Ouro de melhor trilha sonora, tendo vencido nesta categoria no Prêmio LAFCA, da Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles.

 

Bye Bye Brasil(Brasil, 1980, 100 min) – dir: Carlos Diegues

Com José Wilker, Betty Faria, Fábio Jr. e Zaira Zambelli. Selecionado para o Festival de Cannes e vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Havana, “Bye Bye Brasil” acompanha uma trupe de artistas ambulantes que viaja pelo interior do Brasil em um caminhão alegremente colorido - a Caravana Rolidei. Eles atravessam o vale do São Francisco, o litoral nordestino, o árido sertão da região, a selvagem rodovia Transamazônica e os caudalosos e perigosos rios Xingu e Amazonas, até chegarem em Belém. No trajeto, os componentes da trupe vivem situações decorrentes dessas paisagens e de seus amores. Segundo a crítica, o longa-metragem de Carlos Diegues é um dos filmes mais marcantes do período final da ditadura civil-militar brasileira e nele se percebe o surgimento de uma modernidade e a constatação de uma era que entra em agonia.

 

Fronteira das Almas(Brasil, 1987, 90 min) – dir: Hermano Penna

Com Antonio Lerite, Marcélia Cartaxo, Fernando Bezerra, Suzana Gonçalves, Manfredo Bahia e Joel Barcellos. Baseado na situação agrária no país, “Fronteira das Almas” é o segundo longa-metragem do cineasta Hermano Penna, que havia se projetado nacionalmente com “Sargento Getúlio”. No centro da narrativa estão as dificuldades enfrentadas por um grupo de agricultores no interior de Rondônia. Cassiano recebe um pedaço de floresta virgem num projeto de colonização oficial em Rondônia, mas não tem dinheiro para cultivá-lo. Juntamente com outras pessoas, resolve tomar conta do que lhe foi dado, mas enfrenta todos os tipos de problemas, como a malária e a densa mata virgem, quase impenetrável. Seu irmão Tião vive em uma comunidade de posseiros que ocupam terras devolutas no sul do Pará, enfrentando constantes ataques armados de um grileiro sanguinário. Num crescendo de tensão, as condições de sobrevivência se deterioram, imperando a seca e a miséria. A obra mereceu o prêmio de melhor atriz coadjuvante e prêmio especial do júri no Festival de Brasília, enquanto que no Rio Cine Festival foi eleita como melhor filme e melhor direção.

 

Uirá, Um Índio em Busca de Deus(Brasil, 1974, 90 min) – dir: Gustavo Dahl

Com João Borges, Capitão João, Ana Maria Magalhães, Érico Vidal e Ana Zilda. Baseado no livro “Uirá”, de Darcy Ribeiro, “Uirá, Um Índio em Busca de Deus” foca a trajetória de um membro da etnia Urubu-Kaapor, na busca pela "terra sem males". A aventura começa após a morte de seu primogênito, quando ele e sua família decidem sair em busca de Maíra, o herói criador segundo as culturas Tupi. Nesse processo, vai atravessar o interior do Maranhão e chegar à capital, São Luís. Vencedor do Prêmio Margarida de Prata (CNBB), o longa-metragem de Gustavo Dahl conquistou no Festival de Gramado o prêmio de melhor atriz e prêmio especial do júri.

 

 

 

sessão especial

 

Eis os Delírios do Mundo Conectado (“Lo and Behold, Reveries of The Connected World”, EUA, 2016, 98 min) – dir: Werner Herzog

O cineasta Werner Herzog (de “Caverna dos Sonhos Esquecidos”, “Vício Frenético” e “O Homem Urso”, entre outros) aborda no inédito “Eis os Delírios do Mundo Conectado” o mundo virtual, desde as suas origens até os seus maiores desenvolvimentos. Estão incluídas na obra entrevistas provocativas com expoentes da área tecnológica que revelam as maneiras pelas quais o mundo on-line transformou a forma como praticamente tudo no mundo real funciona – do negócio à educação, de viagens espaciais à medicina – e a própria maneira como lidamos com nossos relacionamentos pessoais. No longa-metragem, lançado pelo Sundance Festival, o premiado diretor alemão explora a paisagem digital com a mesma curiosidade e imaginação que marcam suas obras, chegando a um resultado fascinante.

 

 

 

mostra contemporânea internacional (39 filmes)

 

*** Cidades (5 filmes)

 

Champ des Possibles(“Champ des Possibles”, Canadá, 2015, 13 min) – dir: Cristina Picchi

Curta-metragem em forma de ensaio poético, “Champ des Possibles” foi selecionado para o Festival de Veneza. Nele, a cineasta Cristina Picchi constrói uma sinfonia urbana contemporânea, onde memórias que pairam no ar se misturam com sons da cidade de Montreal e elementos naturais. Histórias de amores e perdas são espelhadas pela demolição e reconstrução dos edifícios. Nascida na Itália, a diretora Cristina Picchi participou da 4ª Mostra Ecofalante com seu curta “Inverno”, filmado na Rússia e premiado em Locarno e Clermont-Ferrand, entre muitos outros festivais.

 

Frágil Equilíbrio(“Frágil Equilibrio”, Espanha, 2016, 81 min) – dir: Guillermo García López * INÉDITO NO BRASIL

Em “Frágil Equilíbrio” três histórias em diferentes continentes se entrelaçaram: em Tóquio, dois executivos japoneses têm suas vidas presas no ciclo vicioso do consumismo e do trabalho exaustivo; uma comunidade africana arrisca suas vidas diariamente para atravessar para o primeiro mundo; e, na Espanha, famílias são despejadas pela crise econômica e pela especulação imobiliária. Estas histórias são articuladas pelas palavras de Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, que trata de questões universais que ameaçam a humanidade, questionando as bases do mundo em que vivemos. O filme foi vencedor do Prêmio Goya 2017 para melhor documentário espanhol.

 

Império da Fantasia (“Dream Empire”, Dinamarca, 2016, 73 min) – dir: David Borenstein * INÉDITO NO BRASIL

Produção vencedora do prêmio de melhor filme no Festival de Documentários de Tessalônica (Grécia), “Império da Fantasia” focaliza Yana, uma migrante rural que chega a Chongqing, no sudoeste da China. Conhecida como a cidade com o crescimento mais rápido do mundo, Chongqing tem hoje uma população de 30 milhões de habitantes. Motivada pelo dinheiro fácil do boom imobiliário, Yana abre uma empresa de “figurantes estrangeiros”, que aumentam a venda de novos empreendimentos: em dias de visita eles são usados num esforço surreal para transformar cidades fantasma em desejadas “cidades globais”. Filmado ao longo de sete anos, o longa-metragem é ao mesmo tempo uma emocionante história pessoal e uma rara crônica sobre uma das questões econômicas mais críticas de nosso tempo.

 

Minha Terra (“Wu Tu: My Land”, China, 2015, 83 min) – dir: Jia Fan * INÉDITO NO BRASIL

Selecionado para o Festival de Berlim, “Minha Terra” tem como protagonista um trabalhador migrante rural que vive de cultivar e vender legumes nos arredores de Pequim. Mas a expansão contínua da capital chinesa alcança sua família: a terra que arrendou é retomada para dar lugar a um empreendimento imobiliário. Sob pressão, seus vizinhos abandonam a terra. Mas a família de Chen se recusa a ser intimidada e decide ficar, apesar das difíceis consequências.

 

Terra de Muitos Palácios(“The Land of Many Palaces”, Canadá, 2015, 13 min) – dir: Song Ting e Adam James Smith * INÉDITO NO BRASIL

Construída para mais de um milhão de habitantes, a cidade de Ordos foi projetada para ser a gloriosa coroação da Mongólia Interior. Porém, condenada à incompletude, essa metrópole futurística agora reina vazia nos desertos ao norte da China. Apenas 2% dos seus edifícios foram preenchidos; o resto tem sido deixado à decadência, abandonado no meio da construção, dando a Ordos o título de Cidade Fantasma da China. Agora, milhares de camponeses estão sendo transferidos para lá, sob um plano governamental para modernizar a região. Vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival Independente de Roma e de melhor direção no DOKer - Festival de Documentários de Moscou, “Terra de Muitos Palácios” segue uma funcionária cujo trabalho é convencer essa população de que suas vidas serão melhores no território urbano.

 

*** Alimentação & Gastronomia (5 filmes)

 

Insetos! – Uma Aventura Gastronômica (“Bugs!”, Dinamarca/Holanda/França/Alemanha/Bélgica, 2016, 74 min) – dir: Andreas Johnsen

Comer insetos é hoje um tema quente, especialmente desde que a ONU recomendou a prática como a resposta para combater a fome no mundo. Eles têm sabores incríveis, baixo impacto ecológico e um grande conteúdo nutricional. O filme “Insetos! – Uma Aventura Gastronômica” acompanha uma equipe de jovens chefes e pesquisadores que correm o globo saboreando insetos em comunidades tradicionais, aprendendo o que alguns dos dois bilhões de pessoas que já comem insetos têm a dizer. Durante esta jornada, algumas questões sensíveis começam a surgir.

 

Sustentável (“Sustainable”, EUA, 2016, 92 min) dir: Matt Wechsler * INÉDITO NO BRASIL

Uma investigação vital sobre a instabilidade econômica e ambiental de nosso sistema alimentar, das questões agrícolas que enfrentamos - perda de solo, falta de água, mudanças climáticas, pesticidas - até as pessoas que estão determinadas a resolver o problema. Assim é a produção norte-americana “Sustentável”. Trata-se de um longa-metragem sobre a terra, aqueles que nela trabalham e o que precisa ser feito para preservar o mundo para as gerações futuras - porque o futuro do nosso sistema alimentar determina o futuro da humanidade.

 

Os Libertadores (“Les Liberterres”, Bélgica, 2015, 82 min) – dir: Jean-Christophe Lamy e Paul-Jean Vranken

* INÉDITO NO BRASIL

Documentário belga premiado no Festival de Innsbruck, na Alemanha, “Os Libertadores” aborda a agricultura alternativa e seu comércio, focalizando fazendas de pequena escala, dirigida por famílias, e como o solo desempenha um papel importante para uma agricultura sustentável. O filme demonstra de forma impressionante que ter uma interação duradoura com a natureza assegura a geração de alimento valioso e possibilita uma autonomia robusta. Desejo de Carne (“Vleesverlangen”, Holanda, 2015, 74 min) – dir: Marijn Frank * INÉDITO NO BRASILNós somos viciados em carne? Por que comer muita carne nos deixa com um sentimento de culpa? E por que existe um abismo conceitual tão grande entre o animal e o pedaço de carne que vem dele? Em “Desejo de Carne”, a apresentadora da TV holandesa e diretora do filme Marijn Frank explora o dilema entre o amor pela carne e os argumentos racionais contra os produtos da indústria de carne. Ela é uma jovem mãe que tenta, mais uma vez, parar de comer carne tornando-se aprendiz de um matadouro e fazendo terapia. O filme, que foi exibido no Festival de Berlim, examina de forma divertida valores morais, hipocrisia e o simbologia ligada à carne. Batalha Inuk (“Angry Inuk”, Canadá, 2016, 85 min) – dir: Alethea Arnaquq-Baril * INÉDITO NO BRASILA caça de focas é uma parte essencial da vida da nação indígena esquimó dos inuítes, fornecendo alimento e peles como matéria-prima para seus produtos. Mas seu modo de vida sustentável é ameaçado quando grandes ativistas influenciam o Parlamento Europeu para proibir os produtos de focas, e outras nações minam recursos naturais de suas terras. O filme canadense “Batalha de Inuk” acompanha uma nova geração de ativistas inuítes que desafiam percepções anacrônicas sobre seu povo: Um dos favoritos do público no importante festival de documentários Hot Docs, no Canadá, o longa-metragem foi exibido no Festival de Berlim e conquistou o prêmio de justiça social no Festival de Santa Bárbara (EUA).

 

*** Contaminação (7 filmes)

 

Até o Fim da Terra (“To the Ends of the Earth”, Canadá, 2016, 81 min) – dir: David Lavallée * INÉDITO NO BRASILNarrado pela atriz e roteirista britânica Emma Thompson, vencedora de dois prêmios Oscar, “Até o Fim da Terra” e com participações de personalidades como Naomi Klein, escritora e ativista canadense, autora de “No Logo”, a produção canadense “Até o Extremo da Terra” dá voz àqueles que não apenas denunciam a ascensão da energia extrema, mas que também imaginam o novo mundo que forma em seu lugar. O filme mostra que, com a interrupção de crescimento na produção de petróleo convencional, passou a ocorrer a expansão de formas de extração de energia mais perigosos, e que inclusive consomem muito mais energia do que pensamos. Entre essas formas estão as tar sands (“areias de alcatrão” - uma combinação de argila, areia, água e betume) e o fracking (fraturamento hidráulico, que é utilizado para realizar perfurações e extração de gás, o chamado gás xisto).  Cheirando Mal (“Stink!, EUA, 2015, 91 min) – dir: Jon J. Whelan * INÉDITO NO BRASILTudo começa com um novo pijama infantil com um péssimo odor e um pai solteiro tentando descobrir o que esse cheiro poderia ser. Ao invés de obter uma resposta direta, o diretor de “Cheirando Mal”, o norte-americano Jon J. Whelan, tropeça em uma questão ainda maior: alguns produtos em nossas prateleiras simplesmente não são seguros. Divertido, esclarecedor e às vezes quase absurdo, o filme leva a uma jornada por varejos, laboratórios, reuniões empresariais, e até aos salões do Congresso. Acompanhamos este pai em conflito com agentes políticos e empresariais, todos tentando proteger os segredos mais ocultos da indústria química. O Rio Jarcom (“Winding”, Israel, 2016, 62 min) – dir: Avi Belkin * INÉDITO NO BRASILVencedor do prêmio de melhor documentário israelense no Festival de Haifa, “O Rio Jarcom” revela a história do rio mais malvisto de Israel, o Jarcom. Explorando a interação entre sociedade, política e natureza, o filme acompanha a história do rio desde seus dias de glória, quando judeus e árabes compartilhavam seus recursos. Focaliza ainda sua deterioração, quando ganhou fama como o rio mais poluído e perigoso do país, e suas tentativas atuais de recuperação. Com materiais de arquivo e entrevistas pessoais, a obra elucida a profunda conexão entre a sociedade e sua terra, entre a natureza e o homem. O Suplício: Vozes de Chernobyl (“La Supplication”, Luxemburgo/Áustria/Ucrânia, 2015, 87 min) – dir: Pol Cruchten * INÉDITO NO BRASILBaseado no livro vencedor do prêmio Nobel "Vozes De Tchernóbil: A História Oral do Desastre Nuclear", da escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Alexievich, o longa-metragem “O Suplício: Vozes de Chernobyl” focaliza o mundo em torno do maior acidente nuclear da história, ocorrido na Ucrânia, em abril de 1986, sobre o qual sabemos muito pouco. O filme se estrutura a partir dos relatos de testemunhas oculares, como cientistas, professores, jornalistas, casais e crianças. Eles falam de suas antigas vidas cotidianas e então da vida depois da catástrofe, formando um longo e terrível, mas necessário, suplício. Indicado oficial por Luxemburgo ao Oscar de filme estrangeiro, o longa foi vencedor do prêmio de melhor filme no Festival Ambiental de Paris e de melhor documentário no Festival de Minneapolis-Saint Paul (EUA), tendo recebido o Grande Prêmio no Fica - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental. Mar Ensurdecedor (“Sonic Sea”, EUA, 2015, 63 min) – dir: Michelle Dougherty e Daniel Hinerfeld * INÉDITO NO BRASIL

Com narração da atriz Rachel McAdams (de “Spotlight – Segredos Revelados”), a multipremiada produção norte-americana “Mar Ensurdecedor” alerta para o impacto do ruído industrial e militar sobre as baleias, e o que podemos fazer a respeito.Através de uma envolvente narrativa, a obra mostra como as baleias dependem do som para tudo: se acasalar, encontrar comida, migrar, criar seus filhos e defender-se contra predadores, podendo ouvir a centenas de quilômetros de distância.Mas a poluição sonora causada pelo homem está ameaçando este mundo frágil, causando a perda de audição destes animais, que começam a fugir de seu próprio habitat, os oceanos, para serem encontrados encalhados nas praias, ou mesmo entrando rios acima. Vencedor do prêmio de melhor edição de som em 2017 pela associação norte-americana Motion Picture Sound Editors, o filme conta ainda com participação do músico Sting, tem roteiro de Mark Monroe (“The Cove”) e sua trilha musical é assinada pelo premiado brasileirto Heitor Pereira (“Minions”, “Simplesmente Complicado”).

 Terra Abandonada (“La Terre Abandonnée”, Bélgica, 2016, 73 min) – dir: Gilles Laurent * INÉDITO NO BRASILNa zona evacuada em torno da usina nuclear de Fukushima (Japão), há uma área contaminada onde algumas pessoas cultivam uma terra que respira radiação. Elas cuidam de animais abandonados, seguem plantando em sua terra e estão gradualmente reconstruindo sua casa e considerando voltar, convencidos de que será possível repopular o local. A produção belga “Terra Abandonada” acompanha o cotidiano desses resistentes no momento em que as obras de "descontaminação" orquestradas pelo governo japonês parecem bastante irrisórias, dada a escala do desastre tanto no plano humano quanto no ambiental. O filme foi eleito como melhor documentário no Festival de Amiens e como melhor longa-metragem nos Festival RISC de Cinema e Ciência de Marselha, ambos na França. Zona Proibida (“No-Go Zone”, Bélgica, 2016, 10 min) – dir: Atelier Collectif * INÉDITO NO BRASILRealizado por um total de 152 criadores em técnica de animação em stop-motion, “Zona Proibida” narra o cotidiano do último homem que permaneceu na zona interditada após o acidente da usina nuclear de Fukushima, no Japão. Exibido no Festival de Annecy, considerado o mais importante evento internacional dedicado ao cinema de animação, o curta-metragem venceu o prêmio do público no Festival de Cartum e Animação de Seul, na Coréia do Sul. Trata-se do 16° filme do Atelier Collectif, uma oficina belga de animação voltada para não profissionais fundada em 1994 na qual todas as decisões são tomadas em grupo, a partir do script para o desenho de som.

 

*** Economia (5 filmes)

 A Estrada (“The Road”, China/Dinamarca, 2015, 95 min) – dir: Zhang Zanbo * INÉDITO NO BRASILEm 2008, o governo chinês traçou um plano de investimento bilionário em infraestrutura como uma tentativa de minimizar o impacto da crise na segunda maior economia do mundo. “A Estrada” obteve acesso sem precedentes, e por vezes inacreditável, à construção de uma seção de uma rodovia, feita por uma empresa privada apoiada pelo Partido Comunista da China. O filme testemunha de forma explícita violência e corrupção ao acompanhar moradores forçados a se mudar, templos retirados do caminho e trabalhadores migrantes em condições de trabalho extremamente precárias. No Festival Internacional de Documentários de Taiwan a obra foi vencedora do grande prêmio para documentário chinês. Amanhã (“Demain”, França, 2015, 115 min) – dir: Cyril Dion e Mélanie Laurent * INÉDITO NO BRASILVencedor dos prêmios César para melhor documentário e extraordinário sucesso de público, tendo alcançado mais de um milhão de espectadores na França (onde produções blockbusters chegam a ter cinco e seis milhões de pagantes), “Amanhã” é codirigido por Mélanie Laurent, premiada atriz de “Bastardo Inglórios” e “Truque de Mágica”. Com a humanidade ameaçada pelo colapso dos ecossistemas, Laurent (que também é diretora de “Respire”, entre outros filmes) é acompanhada pelo cineasta Cyril Dion e uma equipe de quatro pessoas em uma jornada por várias partes do mundo.  Eles buscam soluções que possam salvar seus filhos e, com eles, as gerações futuras. Conhecem pioneiros, que estão reinventando a agricultura, a energia, a economia, a democracia e a educação. Encontram ações concretas e positivas que já estão funcionando, começando, assim, a descobrir como poderia ser o mundo de amanhã... Espólio da Terra (“Landraub“, Áustria, 2015, 91 min) – dir: Kurt Langbein * INÉDITO NO BRASIL

Terras agrícolas estão se tornando cada vez mais valiosas e escassas e, após a crise financeira em 2008, o capital financeiro global redescobriu este segmento de negócios. A produção austríaca “Espólio da Terra”, de grande circulação no circuito internacional de festivais, mostra como funciona o "colonialismo 2.0". A obra retrata os investidores, que discorrem sobre a economia saudável, da garantia do fornecimento de alimentos e de prosperidade para todos (entre eles, o brasileiro Blairo Maggi, conhecido como o “rei da soja” e atualmente Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Mas também dá voz às suas vítimas, que nos falam sobre despejo, trabalho escravo e a perda de sua base econômica.

 O Custo do Transporte Global (“Freightened: The Real Price of Shipping”, Espanha/ França, 2016, 90 min) – dir: Denis Delestrac * INÉDITO NO BRASILEleito melhor filme no festival Another Way (Espanha) e um dos vencedores do Festival de Sustentabilidade e Ecoinovação Deauville Green Awards (França), “O Custo do Transporte Global” promove uma audaciosa investigação sobre o transporte marítimo de mercadorias e lança luz sobre os custos por trás dessa indústria. Atualmente 90% dos bens que consumimos são fabricados em terras longínquas e trazidos por navios até nós. A indústria de transporte de carga é um elemento chave na economia mundial, e forma a base do nosso próprio modelo de civilização - sem ela, seria impossível suprir as demandas sempre crescentes de nossa sociedade. No entanto, o funcionamento e os regulamentos deste negócio permanecem em grande parte obscuros. O diretor franco-espanhol Denis Delestrac teve seu premiado “Guerra de Areia” programado na 3ª Mostra Ecofalante.  Sonhos Conectados (“Dreams Rewired - Mobilisierung der Träume”, Áustria/Alemanha/Reino Unido, 2015, 88 min) – dir: Manu Luksch, Martin Reinhart e Thomas Tode * INÉDITO NO BRASILLançado pelo prestigioso Festival de Roterdã e vencedor do prêmio de melhor filme internacional no Festival de Documentários de Moscou, “Sonhos Conectados” tem narração da atriz britânica Tilda Swinton (vencedora do Oscar por “Conduta de Risco”). O longa-metragem resgata desejos e ansiedades do mundo atual em mais de cem anos atrás, quando o telefone, o cinema e a televisão eram novidades. Tão revolucionárias quanto são hoje as mídias sociais, as primeiras mídias elétricas desencadearam um fervoroso utopismo na imaginação pública - a promessa da comunicação total, da aniquilação da distância, o fim da guerra. Mas então, também, surgiam medos sobre a erosão da privacidade, segurança, moralidade. A produção lança mão de raras imagens de arquivo de quase 200 filmes para, ao invés de mergulhar no passado, trazer este material histórico para o presente.

 

*** Mudanças Climáticas (4 filmes)

 

A Era das Consequências (“The Age of Consequences”, EUA, 2017, 81 min) – dir: Jared P. Scott * INÉDITO NO BRASIL“Guerra ao Terror” encontro “Uma Verdade Inconveniente” – assim a crítica recebeu o longa-metragem “A Era das Consequências”, do norte-americano Jared P. Scott. Trata-se de uma vigorosa investigação, sob o ponto de vista da estabilidade mundial e da segurança nacional dos Estados Unidos, na qual oficiais militares fazem análises para além das manchetes das crises de refugiados, da Primavera Árabe, dos conflitos na Síria e até mesmo do surgimento de grupos radicais como o Estado Islâmico. Eles revelam como o impacto das mudanças climáticas interagem com tensões sociais, provocando escasses de recuros, imigração e conflitos ao redor do mundo. O cineasta Jared P. Scott ganhou notoriedade ao codirigir em 2015 “Requiem for The American Dream”, no qual o intelectual Noam Chomsky questionava a concentração de riquezas por um grupo seleto de pessoas, revisitando o ideal do “sonho americano”.  Furacão - A Odisseia do Vento (“Ouragan, l’Odyssée d’Un Vent”, França/Bélgica, 2015, 83 min) – dir: Cyril Barbaçon, Andrew Byatt e Jacqueline Farmer * INÉDITO NO BRASILVentos de 200 kmh, 18 ciclones, 12 países... contando com trilha musical do filme é assinada pelo premiado Yann Tiersen (de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”), o longa-metragem “Furacão - A Odisséia do Vento” passou por tudo isso para acompanhar Lucy. O furacão Lucy começa como uma tempestade de areia no Senegal, segue pelo Atlântico cuspindo navios, passa pelo Caribe ganhando forças, destrói florestas em Porto Rico, quebra recifes de coral em Cuba e cria uma série tempestade em Louisiana (EUA). Enquanto o filme explora o caos de casas e vidas devastadas, os sobreviventes refletem sobre suas experiências: para eles, o furacão dá a força de um novo propósito, visões de uma natureza exuberante revitalizada pela tempestade, esperança de renascer e criar um futuro melhor. A revista Hollywood Reporter assim descreveu o resultado da obra: “Imagine se o cineasta Roland Emmerich tivesse dirigido um episódio da série ‘Storm Chasers’, e você terá uma vaga idéia do que é ‘Furacão – A Odisséia do Vento’”.  Samuel Entre as Nuvens (“Samuel in The Clouds”, Bélgica/Holanda, 2016, 70 min) – dir: Pieter Van Eecke * INÉDITO NO BRASILEleito melhor documentário no Festival de Chicago, “Samuel Entre as Nuvens” focaliza um senhor operador de teleférico localizado em altas montanhas da Bolívia. Ele olha através da janela no topo do mundo e vê as geleiras se derretendo. Por gerações sua família viveu e trabalhou nas montanhas nevadas, mas agora a neve falha em retornar. Enquanto cientistas discutem e medem as mudanças climáticas, ele e seu povo honra e ora aos antigos espíritos da montanha. É Hora de Decidir (“Time to Choose”, EUA, 2016, 100 min) – dir: Charles Ferguson * INÉDITO NO BRASILDirigido por Charles Ferguson, vencedor do Oscar de melhor documentário por “Trabalho Interno”, e com narração do premiado ator Oscar Isaac (de “Inside Llewyn Davis: Balada de Um Homem Comum”, “Star Wars: O Despertar da Força” e “X-Men: Apocalipse”), “É Hora de Decidir” aborda desafios e soluções mundiais em relações às mudanças climáticas. Em meados do atual século nossa sociedade irá desencadear um processo de mudanças climáticas irreversível e fora de nosso controle. O que fazer quando temos essa informação? O filme traz discussões que possibilitam ao público compreender não somente o que estamos fazendo de errado, mas também o que pode ser feito para acabar com essa ameaça global.

 

*** Povos & Lugares (7 filmes)

 

Uma Caçadora e Sua Águia (“The Eagle Huntress”, EUA, 2016, 87 min) – dir: Otto Bell * INÉDITO NO BRASIL

Com uma linguagem envolvente, e narrado pela elogiada jovem atriz inglesa Daisy Ridley (a Rey de “Star Wars: O Despertar da Força” e “Star Wars: Os Últimos Jedi”), “Uma Caçadora e Sua Águia” focaliza uma garota de 13 anos da Mongólia que está tentando se tornar a primeira mulher de sua família cazaque de 12 gerações a domar águias. Após treinar por meses com seu pai, chega a hora de capturar sua própria águia, dentro da maior competição de sua cultura. A crítica reconheceu o filme como empolgante e sua protagonista como uma verdadeira heroina feminista, dotada de coragem e otimismo. Lançado no prestigioso Sundance Festival, o longa-metragem integrou a lista de 15 finalistas ao Oscar 2017 na categoria de melhor documentário e colecionou premiações em diversos festivais internacionais, entre os quais IDFA-Amsterdã, Palm Springs, Aspen, Denver, Hamptons, Havaí e Melbourne.

 

A Resistência (“The Opposition”, Austrália, 2016, 77 min) – dir: Hollie Fifer * INÉDITO NO BRASIL

Em “A Resistência”, a diretora australiana Hollie Fifer levanta questão de como podemos construir a indústria eticamente sustentável nos países em desenvolvimento. Em uma batalha típica de Davi e Golias sobre um pedaço de paraíso de Papua Nova Guiné, três mil pessoas correm risco de serem despejadas para darem lugar a um novo multimilionário projeto de “desenvolvimento” que inclui um hotel cinco estrelas, um porto e apartamentos executivos. Enfrentando a brutalidade policial, grandes empresas e seu próprio governo, o povo de Paga Hill Settlement luta para salvar sua vida e sua casa. A equipe do filme chegou a ser processada no Supremo Tribunal de Nova Gales do Sul (Austrália), numa tentativa frustrada de evitar a difisão integral da obra.

 

A Terra dos Fantasmas Vista pelos Bushmen (“Ghostland, The View of The Ju'Hoansi”, Alemanha, 2016, 85 min) – dir: Simon Stadler

Vencedor do prêmio do público no badalado Festival SXSW - South by Southwest (EUA), “A Terra dos Fantasmas Vista pelos Bushmen” promove uma viagem de membros do povo Ju'Hoansi à Europa. Ex-nômades, moradores no deserto de Kalahari (que abrange partes de Angola, Botsuana, Namíbia e África do Sul), eles são descendentes de uma das culturas mais antigas de planeta. Mas sua realidade mudou radicalmente: a caça foi proibida e cercas dividem o que costumava ser um horizonte infinito. A viagem – ao mundo dos "Outros" – representa simultaneamente um desafio e uma oportunidade de questionar nosso mundo "civilizado", bem como os nossos ritos "modernos”. Trata-se de uma troca de papéis, muitas vezes divertida, através dos olhos dos Ju'Hoansi.

 

Anuktatop: A Metamorfose(“Anuktatop: La Métamorphose”, França/Guiana Francesa, 2016, 114 min) – dir: Nicolas Pradal e Pierre Selvini * INÉDITO NO BRASIL

Rara produção filmada na Guiana Francesa, “Anuktatop: A Metamorfose” mostra um universo onírico em meio à floresta amazônica. A produção tem como protagonista uma criança da tribo Wayana que sonha com guerreiros mitológicos e vive entre o sonho e a realidade, enquanto sua etnia passa por uma crise cultural, social e de identidade. As lembranças de sua avó sobre a juventude passada nos anos 1950, uma garota que idealiza seu namorado negro de outra cultura e as fantasias de um jovem sobre o centro de lançamentos de foguetes da Agência Espacial Europeia, lá localizado, são outros temas do filme. Segundo a publicação francesa Cahiers du Cinéma, o longa-metragem começa como um documentário tradicional e, graças à sua inspirada montagem, aos poucos vai decolando rumo à fantasia e o desconhecido, chegando a uma forma de transe. A obra conquistou o prêmio especial do júri no Festival Internacional Ambiental de Paris.

 

Quando Dois Mundos Colidem(“When Two Worlds Collide”, Reino Unido, 2016, 103 min) – dir: Heidi Brandenburg Sierralta e Mathew Orzel

Lançado no Sundance Festival, onde mereceu um prêmio especial do júri, “Quando Dois Mundos Colidem” mostra o embate, muitas vezes caótico e extremamente violento, entre o governo peruano do presidente Alan Garcia e os povos indígenas que vivem na floresta amazônica. Enquanto o governo vê a extração de petróleo, minerais e gás da floresta intocada como um importante caminho econômico para o país, os nativos lutam para preservar suas terras, suas tradições e a própria natureza. O longa-metragem conquistou o grande prêmio do júri no Festival de Madri e o prêmio do público no Festival de Zurique, entre outras premiações.

 

Salero (“Salero”, EUA, 2015, 76 min) – dir: Mike Plunkett * INÉDITO NO BRASIL

O filme é uma viagem poética por Salar de Uyuni, na Bolívia, a maior planície de sal do mundo, com mais de dez mil quilômetros quadrados e um dos lugares mais isolados do planeta. Tem por protagonista um dos últimos coletores de sal, o último elo entre o velho e o novo mundo, pois o futuro está chegando ao local. Por gerações, os únicos sinais de vida humana foram os "saleros”, que colhem o sal dessa superfície radiante. Mas agora o governo boliviano tem planos para extrair um mineral precioso encontrado sob a crosta de sal e construir uma estrada que irá conectar o Salar de Uyuni com o mundo exterior. Com visual impressionantemente belo, a obra foi selecionada para os importantes festivais de São Francisco e IDFA-Amsterdã, tendo vencido os prêmios de melhor documentário e de melhor direção de documentário no Festival RiverRun (EUA).

 

Sherpa, Tragédia no Everest (“Sherpa”, Austrália/Reino Unido, 2015, 96 min) – dir: Jennifer Peedom & Renan Ozturk * INÉDITO NO BRASIL

Produzido por John Smithson, responsável por “127 Horas”, longa-metragem indicado ao Oscar de melhor filme, “Sherpa, Tragédia no Everest” causou sensação e foi vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival de Londres e pela Associação de Críticos de Cinema da Austrália. A obra aborda o acidente ocorrido no Monte Everest, em abril de 2014, quando um bloco de 14 milhões de toneladas de gelo caiu na rota de escalada matando 16 sherpas, o povo nativo que leva alpinistas estrangeiros para o topo da montanha. Foi a pior tragédia da história do Everest e o desastre provocou uma reavaliação drástica sobre o papel dos sherpas na indústria do Everest. O longa-metragem, uma coprodução entre a Austrália e o Reino Unido, conta a história de como, face uma oposição feroz, os sherpas uniram-se em dor e raiva para recuperar a montanha que eles chamam de Chomolungma.

 

*** Trabalho (6 filmes)

 

Brumário(“Brumaire”, França/Espanha, 2015, 66 min) – dir: Joseph Gordillo * INÉDITO NO BRASIL

Utilizando imagens de grande plasticidade, “Brumário” focaliza a última mina francesa de carvão, em Creutzwald, dez anos após o encerramento de suas atividades. O diretor Joseph Gordillo investiga como é o cotidiano dos habitantes do local, especialmente da geração mais jovem, que vivencia o desemprego. Ao mesmo tempo, o cineasta recupera lembranças dos trabalhadores da mina, buscando suas memórias mais profundas. A obra colheu elogios pela destreza como promove a conexão das diversas vozes da narrativa.

 Complexo Fabril (“Eui-ro-gong-dan”, Coréia do Sul, 2015, 95 min) – dir: Heung-Soon Im * INÉDITO NO BRASILVencedor de um Leão de Prata no Festival de Veneza e eleito melhor filme independente do ano pela Associação de Críticos de Cinema da Coréia do Sul, “Complexo Fabril” lança um olhar poético sobre o significado do trabalho a partir de mulheres operárias na Ásia. O longa-metragem do diretor Heung-Soon Im mostra como o rápido desenvolvimento da economia sul-coreana teve como um de seus suportes a opressão às mulheres trabalhadoras. A obra aborda a vida das mulheres da classe trabalhadora que se dedicam à indústria têxtil a partir da década de 1960 e termina no Camboja, onde se encontra hoje a repetição da mesma história de trabalho não-regular e marginalizado.

 

Consumido(“Consumed”, Reino Unido, 2015, 19 min) – dir: Richard John Seymour * INÉDITO NO BRASIL

Indicado ao prêmio de melhor curta-metragem nos prêmios BAFTA (o “Oscar” britânico), “Consumido” é uma viagem cinematográfica, entre o documentário e a ficção, por paisagens, minas, fábricas e estaleiros de produção chinesa. O filme dirigido pelo britânico Richard John Seymour focaliza trabalhadores que vivem em dormitórios da fábrica, onde não existem quartos para casais, revelando aspectos de uma cadeia de produção. Investiga, assim, o individual local dentro de um contexto global.

 

Gigante(“Behemoth”, França, 2015, 88 min) – dir: Zhao Liang

Laureado no Festival de Veneza com o prêmio Green Drop, outorgado ao filme que melhor aborda a ecologia e o desenvolvimento sustentável, “Gigante” denuncia o desastre ecológico provocado pelo avanço da mineração no interior da Mongólia. O longa-metragem retrata, com imagens impressionantes, a rápida devastação de pastos verdejantes, que sustentaram por séculos as tradicionais atividades pastoris, substituídos pela terra arrasada deixada no rastro da exploração intensiva de minas de ferro e carvão. Recorrendo a passagens de “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, o diretor Zhao Liang comenta este modelo de desenvolvimento predatório, em que o custo humano é igualmente altíssimo – como atestam as imagens de hospitais, lotados de mineiros com saúde comprometida pelas condições insalubres de sua profissão. Segundo o crítico Nicolas Rapoldi "a devastação industrial já havia aparecido em documentários antes, mas para seu retrato de minas mongóis interiores, o diretor Zhao Liang alcança o lírico para expressar a escala e a crueldade da industrialização chinesa." Eleito melhor documentário no Festival de Estocolmo, a obra mereceu distinções ainda nos festivais de Hong Kong e É Tudo Verdade.

 Máquinas (“Machines”, Índia/Alemanha/Finlândia, 2017, 75 min) – dir: Rahul Jain * INÉDITO NO BRASIL“Máquinas” se passa em uma fábrica têxtil da Índia, movendo-se através dos corredores e entranhas da gigantesca estrutura para revelar um local de trabalho desumanizador. Com forte linguagem visual, fotos marcantes ​​e entrevistas com os próprios trabalhadores, o diretor Rahul Jain conta uma história de desigualdades e opressão. No Sundance Festival, o longa-metragem foi vencedor do prêmio de melhor documentário da mostra World Cinema. Conquistou ainda o prêmio da crítica internacional e o prêmio especial do júri no Festival de Documentários de Tessalônica (Grécia). Algo de Grandioso (“Quelque Chose de Grand”, França, 2016, 73 min) – dir: Fanny Tondre * INÉDITO NO BRASIL“Algo de Grandioso” é um documentário em preto e branco que segue a vida de quatro trabalhadores na construção de uma estrutura de tratamento de esgoto. O filme não só captura a coreografia da construção e o tour de force logística envolvido, mas também os  longos dias passados pelos operários entre os andaimes, guindastes e betoneiras. Dirigida com sensibilidade por Fanny Tondre (de “Monsieur et Madame Zhang”), a obra tem forte tom humanístico, destacando a solidariedade e as demonstrações de afeto existentes mesmo em um ambiente preconcebido como rude e grosseiro. O longa-metragem foi selecionado para o Festival IDFA-Amsterdã (conhecido como a “Cannes” do documentário) e inclui em sua trilha sonora canção de Jorge Ben Jor.

 

 

 

competição latino-americana (32 filmes)

 

A Grande Ceia Quilombola (Brasil, 2017, 52 min) dir: Ana Stela & Rodrigo Sena * PREMIÈRE MUNDIAL

“A Grande Ceia Quilombola” retrata os saberes de uma cultura na qual a comida tem um papel fundamental na coesão social. No Quilombo de Damásio, localizado no litoral maranhense, suas 90 famílias vivem da agricultura de subsistência e da pesca. Lá, o alimento tem sido secularmente cultivado e extraído da natureza de forma parcimoniosa, fazendo parte de uma estrutura social que privilegia o coletivo.  

A Grande Nuvem Cinza (Brasil, 2016, 72 min) – dir: Marcelo Munhoz

Em “A Grande Nuvem Cinza, o diretor Marcelo Munhoz acompanha quatro famílias que vivem (ou viveram) do plantio de fumo em uma pequena cidade no Paraná. Matriarca de uma delas, Lídia passa os dias observando os demais, lembrando de sua época em que fazia daquele cultivo sua forma de subsistência. Hoje, ela não consegue mais caminhar devido à utilização dos agrotóxicos. Em outra família, Joci é o braço direito de seu pai na plantação, mas sonha em virar professora e um concurso pode fazer com que ela mude sua trajetória. Silvio, por sua vez, trabalha há muitos anos neste serviço e, já na velhice, começa a pensar no final da vida e em como não pretende fechar os olhos para sempre tão cedo. Guiados pela tradição, misticismo ou puro pragmatismo, eles vivem na linha tênue entre a luta e o amor à terra.

 

Aracati(Brasil, 2015, 62 min) – dir: Aline Portugal e Julia de Simone

Exibido nos importantes festivais IDFA-Amsterdã e Mostra de Tiradentes, “Aracati” é um filme sobre o vento. Ao longo de seis anos, as diretoras Aline Portugal e Julia de Simone viajaram pelo Vale do Jaguaribe, no Ceará, seguindo a rota do vento Aracati. Partindo do litoral e adentrando 400km pelo interior do estado, o Aracati passa todos os dias na mesma hora. A produção explora o tempo e o espaço em transformação e examina as relações entre as pessoas e seus arredores. Homem, natureza e tecnologia competem por um mesmo território como forças diversas que coexistem.

 

Aurelia e Pedro (“Aurelia y Pedro”,México, 2016, 16 min) – dir: Omar Robles e José Permar

Exibido na mostra Generation Kplus do Festival de Berlim, onde obteve uma menção especial, o curta-metragem mexicano “Aurelia e Pedro” traça um sensível retrato da relação simbiótica entre uma pequena família indígena e sua terra remota. Lá, em meio a neblina que ronda as montanhas no oeste do México, um jovem e sua mãe vivem isolados do resto do mundo. Em sua justificativa, o júri da Berlinale destacou dois aspectos do filme da dupla Omar Robles e José Permar: a ligação especial uma mãe e filho e a beleza do ambiente remoto em que vivem. 

Banco Imobiliário (Brasil, 2016, 65 min) – dir: Miguel Antunes Ramos

O filme “Banco Imobiliário” discute o crescimento desordenado das cidades através de verdadeiras aberrações no mercado imobiliário. Um personagem caminha por seu bairro de infância procurando novas áreas para uma incorporação imobiliária. Outro, em seu escritório envidraçado, desenha uma estratégia de marketing. Uma terceira planeja seus novos investimentos vendo a cidade do alto. Para o diretor Miguel Antunes Ramos, trata-se de um jogo de tabuleiro e uma imagem de futuro que revelam um projeto de cidade.

 

Bento(Brasil, 2017, 8 min) – dir: Gabriela Albuquerque e Luisa Lanna

O curta-metragem “Bento” é um ensaio sobre a história do subdistrito de Bento Rodrigues, destruído pelo rompimento da barragem do Fundão, da empresa Samarco. A tragédia, ocorrida em novembro de 2015, é considerada o desastre industrial que causou o maior impacto ambiental da história brasileira e o maior do mundo envolvendo barragens de rejeitos, com um volume total despejado de 62 milhões de metros cúbicos. O filme dirigido por Gabriela Albuquerque e Luisa Lanna recupera a história da localidade através de dois personagens, Seu Filomeno e Elias.

 

Caminho dos Gigantes (Brasil, 2016, 12 min) – dir: Alois Di Leo

Curta-metragem de animação, “Caminho dos Gigantes” se passa em uma floresta de árvores gigantes. Nela, uma menina indígena de seis anos vai desafiar seu destino e entender o ciclo da vida. O filme explora as forças da natureza e a nossa conexão com a terra e seus elementos e foi vencedor do prêmio do júri no Festival de Biarritz (França), do prêmio de melhor filme no Festival Infantil de Chicago e de melhor direção no Curta Cinema – Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro. O diretor Alois Di Leo, nascido em Lima e radicado em São Paulo, completou mestrado na realização de cinema de animação em Londres e dirigiu o curta-metragem "O Menino que Queria Ser um Leão", apresentado no Festival de Cannes. Ele está atualmente escrevendo seu primeiro longa-metragem de animação.

 

Casa à Venda (“Casa en Venta”, Cuba/Colômbia, 2016, 13 min) – dir: Emanuel Giraldo Betancur

Selecionado paras o Sundance Festival, “Casa à Venda” mostra uma nova realidade em Cuba: por mais de 50 anos o governo não permitiu a livre compra e venda de casas - mas agora, com a abertura, isso se torna possível. No curta-metragem do colombiano Emanuel Giraldo Betancur três famílias cubanas convidam-nos para as suas casas como uma vitrine para potenciais compradores. Cheios de memórias, lembranças e familiares, estes espaços íntimos estão cheios de carinho, revelando um país à beira de uma mudança histórica .

 

Damiana Kryygi (“Damiana Kryygi”, Argentina, 2015, 96 min) – dir: Alejandro Fernandez Moujan

A produção argentina “Damiana Kryygi” recupera uma impressionante história ocorrida em 1896, na densa selva paraguaia, onde uma menina de três anos da etnia Aché sobrevive ao massacre de sua família, perpetrado por colonos brancos, e é batizada com o nome de Damiana por seus captores. Antropólogos do Museu de Ciências Naturais de La Plata, na Argentina, a convertem em objeto de interesse científico para seus estudos raciais. Em 1907, com 14 anos de idade, é internada em uma instituição psiquiátrica, onde a fotogravam nua dois meses antes de morrer de tuberculose. Depois de morta, os estudos sobre seu corpo continuam em La Plata e em Berlim. Cem anos mais tarde, um jovem antropólogo identifica parte de seus restos em um depósito do Museu. Sua cabeça é encontrada pouco depois no Hospital Charité de Berlim. A partir das fotografias existentes e dos registros antropológicos na Argentina e na Alemanha, o filme acompanha os Aché, que passam a exigir a repatriação de seus restos, para que sejam sepultados na terra de seus ancestrais. O longa-metragem do diretor Alejandro Fernandez Moujan circulou em festivais prestigiosos, como o Hot Docs (Canadá), Guadalajara e Biarritz, onde mereceu menção especial.

 

Das Águas que Passam(Brasil, 2016, 23 min) – dir: Diego Zon

O único filme brasileiro em competição no Festival de Berlim de 2016, curta-metragem “Das Águas que Passam”, do diretor capixaba Diego Zon, acompanha o pescador Zé de Sabino. Em uma narrativa que se aproxima da natureza de seu trabalho e de suas relações com o local e as pessoas que o cercam, o curta-metragem retrata o silencioso cotidiano do pescador. A obra torna-se, assim, um registro observacional de uma comunidade pesqueira e a forte relação que mantém entre o trabalho e a natureza.

 

El Remolino(“El Remolino”, México/Espanha, 2016, 73 min) – dir: Laura Herrero Garvín

O longa-metragem mexicano “El Remolino” focaliza dois irmãos moradores em uma pequena comunidade de Chiapas que anualmente é atingida por fortes enchentes do rio Usumacinta. Pedro é um camponês que defende sua identidade e seus sonhos; sua irmã Esther luta por uma vida melhor para sua filha enquanto nos compartilha seu mundo através de uma pequena câmera. Para eles, a vida é como um redemoinho que dá voltas em seus ciclos internos e no grande ciclo da natureza. O filme da diretora Laura Herrero Garvín foi selecionado para a Semana da Crítica do prestigioso Festival de Locarno e venceu o prêmio de melhor documentário espanhol no festival DocumentaMadrid.

 

Entremundo (Brasil, 2015, 25 min) – dir: Thiago B. Mendonça & Renata Jardim

O curta-metragem “Entremundo” focaliza o cotidiano de uma localidade descrita como o bairro mais desigual da cidade de São Paulo. Trata-se da chamada “Faixa de Gaza”, entre o sofisticado Morumbi e Paraisópolis, a segunda maior favela da capital paulista. Contemplado como melhor documentário no Festival Internacional de Curtas-Metragens Inonu University (Turquia), o filme foi finalista do Grande Prêmio Brasil do Cinema Brasileiro, ganhou menção honrosa no Farcume - Festival de Curtas-Metragens de Faro (Portugal) e foi selecionado para o Doc NYC, Hot Docs (Canadá) e em eventos no Reino Unido, Noruega, México e Chile. O codiretor Thiago B. Mendonça estreou no longa-metragem com “Jovem Infelizes ou Um Homem que Grita Não é um Urso que Dança”, premiado na Mostra de Tiradentes e selecionado para o Filmfest de Hamburgo.

 

Esta é a Minha Selva (“Esta es Mi Selva”, Argentina, 2015, 20 min) – dir: Santiago Reale

“Esta é Minha Selva” retrata Bonifacio, um pequeno povoado argentino que foi devastado por uma inundação. No que restou desse desastre ambiental, dois jovens passam o tempo livre sobre os andando de bicicleta e caçando pássaro. O filme, dirigido por Santiago Reale, tem como intérpretes jovens atores locais e conquistou o prêmio de melhor curta-metragem no Festival de Cinema Independente de Cosquín, além de ter sido selecionado para os festivais de Mar del Plata, Viña del Mar e BAFICI.

 

Estrutural (Brasil, 2016, 89 min) – dir: Webson Dias

Exibido no Festival de Brasília, “Estrutural” aborda conflitos ocorridos no Distrito Federal durante os anos 1990. No centro do documentário está a chamada invasão da Estrutural, iniciada ainda na década de 1960, quase que simultânea à construção da cidade de Brasília, nos arredores do que hoje é o maior lixão a céu aberto da América Latina. Moradores, políticos e militares apresentam seus pontos de vista sobre o passado e o presente da comunidade, numa síntese do processo de urbanização da capital federal. O longa-metragem de Webson Dias é fruto de uma pesquisa de mais de dez anos e utiliza material de arquivo, fotos e vídeos registrados pelos próprios moradores.

 

Fort Acquario (Brasil, 2016, 7 min) – dir: Pedro Diógenes

“Fort Acquario” discute a construção de um megaempreendimento que é apresentado como "um projeto turístico e de educação ambiental" e parte de um programa de revitalização da Praia de Iracema e do centro da cidade de Fortaleza. Com a iniciativa, os moradores, que vivem no local há mais de um século, correm o risco de serem removidos. O filme indaga: como revitalizar um lugar que já é vivo? A obra foi exibida na Mostra de Tiradentes e no Fica - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental. O diretor Pedro Diógenes é membro do coletivo Alumbramento, formado por cineastas cearenses, que já realizou mais de dez longas e 30 curtas-metragens, e é considerado como uma referência de cinema independente.

 

Galeria Presidente (Brasil, 2016, 19 min) – dir: Amanda Gutiérrez Gomes

O filme “Galeria Presidente” focaliza um centro comercial que é, ao mesmo tempo, espaço de convivência e de resistência cultural de imigrantes africanos que residem na cidade de São Paulo. O curta-metragem da diretora Amanda Gutiérrez Gomes foi eleito um dos favoritos do público do Curta Kinoforum - Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.

 

Micromundo em Uma Sacada (“Micromundo en Un Balcón”, Colômbia, 2016, 7 min) – dir: Lina Crespo e Gabriel Escobar * INÉDITO NO BRASIL

O curta-metragem “Micromundo em Uma Sacada” comprova que mesmo no meio de uma grande cidade existe todo um mundo que vale a pena ser explorado. Na obra dos colombianos Lina Crespo e Gabriel Escobar desfilam seres em constante movimento, com infinitas texturas, formas e cores. Segundo os realizadores, esta é uma visão muito próxima a alguns dos seres fantásticos com que convivemos no dia a dia e que muitas vezes passam despercebidos. O filme foi selecionado para o importante festival ambiental Planet in Focus, no Canadá.

 

Modo de Produção (Brasil, 2017, 75 min) – dir: Dea Ferraz

O longa-metragem “Modo de Produção” faz do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ipojuca, em Pernambuco, seu personagem central. Um lugar por onde diariamente passa uma enorme quantidade de trabalhadores rurais com suas vidas talhadas pela cana. Relações de trabalho, aposentadorias, demissões, e um suposto desenvolvimento econômico-social que se avizinha: Suape, com seu complexo industrial portuário. O filme aponta os holofotes para uma decadente instituição e faz refletir sobre uma massa de trabalhadores à mercê de mecanismos burocráticos que transformam a vida em espera. A obra da diretora Dea Ferraz foi selecionada para a Mostra de Tiradentes.

 

Não é Brincadeira (“No es Juego”, México, 2016, 1 min) – dir: Daniel Aviña * INÉDITO NO BRASIL

“Não é Brincadeira” mostra, através de jogos, o dano que fizemos para o o planeta em que vivemos. Comprova, assim, com apenas um minuto de duração, que o impacto ambiental de nossa sociedade não é brincadeira. A obra do diretor Daniel Aviña foi eleita como melhor campanha no festival Ecofilme, no México.

 

Não Respire - Contém Amianto(Brasil, 2017, 70 min) – dir: André Campos, Carlos Juliano Barros e Caue Angeli  * PREMIÈRE MUNDIAL

Banido em quase 70 países por causa de seu devastador poder cancerígeno, o amianto ainda não foi proibido em todo o Brasil, mesmo quando a Organização Mundial da Saúde garante que não há limite seguro de exposição a esse minério. O longa-metragem “Não Respire - Contém Amianto” denuncia como a indústria do amianto tenta vender a imagem de que o tipo de minério usado no bilionário mercado de telhas não é tão ruim assim. Para este fim, se utiliza de doações para campanhas políticas, financiamentos a pesquisas acadêmicas e investimentos em marketing.

 

Nueva Venecia(“Nueva Venecia”, Uruguai, 2016, 80 min) – dir: Emiliano Mazza de Luca

O longa-metragem “Nueva Venecia” traz uma história de realismo mágico no meio da maior lagoa da Colômbia. Entre o céu e a água, a pequena aldeia de Nueva Venecia, na região de Barranquilla, flutua em palafitas sobre a dor e as lembranças de um massacre. Como símbolo de resistência, a comunidade se reúne para construir sobre as águas seu único local de lazer: o campo de futebol. O filme do diretor Emiliano Mazza de Luca foi vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival de Biarritz.

 

O Jabuti e a Anta (Brasil, 2016, 71 min) - Eliza Capai

A seca em São Paulo é o ponto de partida do longa-metragem “O Jabutio e a Anta”, que traz uma reflexão sobre os impactos de nosso estilo de vida. Inquieta com as imagens dos reservatórios vazios no sudeste do Brasil, uma documentarista busca entender as obras faraônicas agora construídas no meio da floresta amazônica. Entre os rios Xingu, Tapajós e Ene, ecoam vozes de ribeirinhos, pescadores e povos indígenas atropelados pela chegada do chamado desenvolvimento. O filme da diretora Eliza Capai foi selecionado para o Festival do Rio e para a Mostra de Internacional Cinema de São Paulo. A realizadora assina também o longa “Tão Longe é Aqui”, sobre o encontro da cineasta com mulheres africanas de culturas distintas.

 

O Mergulhador (“El Buzo”, México, 2016, 16 min) – dir: Esteban Arrangoiz

Além de selecionado para o Festival de Berlim, o filme mexicano “O Mergulhador” colecionou premiações: grande prêmio do júri no Literally Short Film Festival (EUA) e melhor curta documental nos festivais de Morélia, Guanajuato e FICUNAM. A obra do diretor Esteban Arrangoiz tem como protagonista o mergulhador chefe do sistema de esgotos da Cidade do México. Ele conserta bombas e remove o lixo que entra na tubulação para liberar a drenagem das águas negras para fora da cidade. Seu trabalho ajuda a diminuir o risco de enchentes, um grande problema histórico da cidade.

 

O Vento Sabe que Volto à Casa (“El Viento Sabe Que Vuelvo A Casa”,Chile, 2016, 103 min) – dir: José Luis Torres Leiva

“O Vento Sabe que Volto à Casa” segue o documentarista chileno Ignacio Aguëro, que pesquisa atores e locações para seu primeiro filme de ficção na Ilha Grande de Chiloé, que fica no Oceano Pacífico e é a quinta em tamanho da América do Sul. Nas entrevistas de Agüero, os habitantes acabam falando sobre a difícil relação entre a população indígena local com os mestiços (descendentes de colonos) e o racismo que ainda perdura. Assim, o filme acaba por traçar um perfil de parte da comunidade nativa chilena, revelando também uma divisão social e étnica do território. A obra do diretor José Luis Torres Leiva alcança, em sua mescla de procedimentos ficcionais e documentais, um retrato íntimo de uma sociedade isolada. A produção foi selecionada para o Festival de Roterdã e conquistou o prêmio de melhor documentário no Festival de Cartagena de Índias.

 

Osiba Kangamuke - Vamos Lá, Criançada (Brasil, 2016, 19 min) – dir: Haja Kalapalo, Tawana Kalapalo, Thomaz Pedro e Veronica Monachini

As crianças da aldeia Aiha Kalapalo, do Parque Indígena do Alto Xingu (MT), são as protagonistas do filme “Osiba Kangamuke - Vamos Lá, Criançada”. Elas nos mostram aspectos de sua rotina, sua cultura e sua íntima relação com a natureza. Da escola, onde aprendem do português até os rituais e a luta ikindene, os pequenos Kalapalo demonstram suas tradições com sutileza peculiar. A obra é uma produção coletiva de cineastas indígenas e não-indígenas, antropólogos e pessoas da comunidade Kalapalo.

 

Rio da Morte (Brasil, 2016, 19 min) – dir: Elizabeth Rocha Salgado * INÉDITO NO BRASIL

“Rio da Morte” exibe algumas das consequências do rompimento da represa de resíduos de minério de ferro, da propriedade da Samarco (uma joint venture dos gigantes de mineração BHP Billiton, da Austrália, e da brasileira Vale), ocorrido em novembro de 2015 em Mariana (MG). O desastre liberou 62 milhões de metros cúbicos de lama contaminada que desceram por 800 quilômetros de rio até chegar ao oceano Atlântico e custou a vida de 19 pessoas, além de desabrigar outras 1.200. A equipe do curta-metragem desce o rio Doce e visita os sobreviventes de sua morte. O filme foi selecionado para o importante festival ambiental Planet in Focus, no Canadá. Com o documentário “Zo is Dat”, a cineasta Elizabeth Rocha Salgado foi ganhadora do Tuchinsky Award de 2006, um prêmio concedido ao diretor do melhor filme apresentado como exame final da Academia Holandesa de Cinema e TV. 

 

Solon (Brasil, 2016, 16 min) – dir: Clarissa Campolina

Em um diálogo com as artes visuais, a performance e a ficção científica. “Solon” é uma fábula sobre o surgimento do mundo, apresentado a partir do encontro de uma paisagem devastada e uma criatura misteriosa. O curta-metragem recebeu o prêmio Financial Times/Oppenheimer Funds Emerging Voices e foi selecionado para o Festival de Brasília. A cineasta mineira Clarissa Campolina é codiretora do longa-metragem “Girimunho”, exibido no Festival de Veneza, onde recebeu o Prêmio Interfilm, e premiado nos festivais de Havana, Mar del Plata e Nantes.

 

Substantivo Feminino (Brasil, 2016, 60 min) – dir: Daniela Sallet e Juan Zapata

“Substantivo Feminino” resgata a história de duas mulheres pioneiras e fundamentais para a militância ambiental no Rio Grande do Sul e no Brasil. Mais do que isso, a atuação de ambas tive inserção internacional no movimento em defesa do meio ambiente. Giselda Castro e Magda Renner eram donas de casa quando começaram sua luta em 1964, com ações de cidadania junto à população carente, tendo percorrido o mundo, integrando organizações internacionais e o Comite de ONGs do Banco Mundial. Foram inclusive vigiadas pelo Serviço Nacional de Informações - SNI no período militar. O documentário revela peculiaridades dessas mulheres ricas que ousaram contrariar interesses econômicos. O codiretor Juan Zapata assina diversos documentários – como “Fidelidad”, “A Dança da Vida” e “Ato de Vida” – e a ficção “Simone”.

 

Taego Ãwa (Brasil, 2016, 75 min) – dir: Henrique Borela e Marcela Borela

Na faculdade, uma dupla de cineasta encontrou cinco fitas VHS contendo registros culturais da tribo Ãwa, conhecidos como Avá-Canoeiros do Araguaia. Reunindo outros materiais, eles partem em busca do grupo, apresentando as imagens pela primeira. No longa-metragem, o grupo Ãwa narra sua trajetória de desterro e cativeiro em meio à luta por sua terra tradicional. Filmado na Ilha do Bananal e arredores, “Taego Ãwa” trata da invisibilidade de uma tribo que foi diversas vezes fragmentada e expulsa de seu território e ainda resiste. Eleito melhor filme no festival Cachoeira.doc, o filme foi selecionado para os festivais Cinéma du Réel (França), Brasília e Mostra de Tiradentes, entre outros.

 

Terminal 3(Brasil, 2016, 25 min) – dir: Thomaz Pedro e Marques Casara * PREMIÈRE MUNDIAL

O curta-metragem “Terminal 3” se passa durante a construção das grandes obras para a Copa do Mundo FIFAde 2014e um grupo de 150 homens foi encontrado em situação de trabalho escravo na construção do terminal 3 do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. Eles haviam sio trazidos de vários estados do Nordeste por aliciadores a serviço da empresa OAS, responsável pela obra. Desses trabalhadores, mais de 50 foram alojados em uma pequena casa de dois cômodos, sem comida, sem colchões e sem dinheiro para a viagem de regresso.

 

Tlalocan, Paraíso da Água(“Tlalocan, Paraíso del Agua”,México, 2016, 29 min) – dir: Andrés Pulido * INÉDITO NO BRASIL

Tlalocan, Paraíso da Água” se desenrola em torno de uma contradição: a Cidade do México já foi um lago, mas atualmente vive sérios problemas de falta de água. Com um rico material de arquivo, o curta-metragem apresenta um mosaico sobre a questão da água, passando por planejamento urbano, manejo de mananciais, enchentes e mudanças climáticas. Também lembra o dia em que um monólito, que representa uma divindade aquática pré-hispânica, foi transportado ao centro da capital mexicana. A obra do diretor Andrés Pulido foi selecionada para os festivais de Morélia e Cinema Planeta, ambos no México.

 

Volume Vivo – De Onde Vem a Água? (Brasil, 2016, 23 min) – dir: Caio Silva Ferraz

O filme “Volume Vivo – De Onde Vem a Água?” mostra como o modo de uso e ocupação do solo no Brasil, marcado fortemente pelo desmatamento, não considera os biomas locais e seus serviços ecossistêmicos. Por meio de entrevistas com especialistas, o documentário de Caio Silva Ferraz explica como o ritmo da água vem se alterando e impactando os ciclos de chuvas locais e a fixação de água no continente.

 

 

 

concurso curta ecofalante (6 filmes)


Ciclo Urbano (Brasil, 2015, 15 min) - dir: Washington Assis / Escola Técnica Estadual Jornalista Roberto Marinho (SP)

Um dos principais problemas de uma metrópole é o congestionamento. Dizem que a cidade não para – mas, na verdade, para sim. Como uma alternativa, a bicicleta ganha cada vez mais visibilidade, e também resistência. O filme aborda as alegrias e os desafios do ato de pedalar na cidade de São Paulo.

 

Disforia Urbana(Brasil, 2015, 12 min) - dir: Lucas Simões / Universidade Federal de Pernambuco

A vida na cidade, com todo seu movimento e celeridade, é na verdade solitária e monótona.

 

O Céu Desaba (Brasil, 2016, 8 min) - dir: Mariana Gomes / Universidade Federal do Ceará

O filme aborda os conflitos entre homem e natureza, Antropoceno e Gaia, por meio das transformações na paisagem da praia do Icaraí, no Ceará.

 

Obra Autorizada (Brasil, 2016, 16 min) - dir: Iago Cordeiro Ribeiro / Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Cachoeira, Bahia, Cidade Monumento Nacional. Uma casa, um beco, as pessoas.

 

Porto, Maravilha para Quem? (Brasil, 2017, 13 min) - dir: Gabriela Maia, Jaqueline Suarez e Luis Henrick Teixeira / Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

O filme mostra as principais mudanças que ocorreram na região portuária do Rio de Janeiro nos últimos anos. O projeto de revitalização tornou-se também um processo de remoções diretas e indiretas. O filme revela a perda de identidade e a produção de novos significados na região que passa por remoções que são, além de físicas, culturais, sociais e históricas.

 

Valéria, Mulher da Terra (Brasil, 2016, 4 min) - dir: Barbara Monfrinato, Bruno Vaiano, Guilherme Fernandes, Leandro Bernardo e Roberta Vassallo / ECA-USP

Valéria cresceu em Guaianazes e hoje vive em um sítio agroecológico em Parelheiros com seus gatos, pássaros, jumentos, galinhas e mais de 60 cachorros. Preside a Cooperapas, cooperativa de agricultores que procuram meios conscientes de cuidar da terra, na zona sul paulistana.

 

 

 

 

 

 

mostra escola (10 filmes)

 

(R)Evoluções Invisíveis (“L'Urgence de Ralentir”, França, 2014, 84 min) – dir: Philippe Borrel

Em sociedades baseadas no imediatismo, nas quais viver em alta velocidade tornou-se a norma, algumas pessoas decidiram dar as costas à aceleração da vida e tentam retardar tal movimento que parece destinado à catástrofe ecológica, econômica e social.


Animais Unidos Jamais Serão Vencidos (“Konferenz der Tiere”, Alemanha, 2010, 93 min) – dir: Reinhard Klooss e Holger Tappe

Animação. Quando uma enorme barragem e um resort bloqueiam o abastecimento de água da planície africana, os animais – muitos deles inimigos implacáveis – se unem para fazer as coisas voltarem ao normal.


Auto-Fitness (“Automatic Fitness”, Alemanha, 2015, 21min) – dir: Alejandra Tomei e Alberto Couceiro

Animação. Ser ou não… ter tempo de ser? O filme é uma poesia labiríntica sobre o automatismo humano. Uma reflexão sobre nossa relação diária com o dinheiro e com o tempo, uma animação tragicômica que brinca com o conceito da constante e penetrante aceleração. Uma paródia da já antiga “vida moderna”.


Efeito Reciclagem (Brasil, 2010, 92 min) – dir: Sean Walsh

Da periferia ao centro, a cidade de São Paulo serve como o pano de fundo para a história do trabalho de um catador e sua numerosa família, incentivando a reflexão sobre a necessidade urgente de reciclar não só materiais e produtos, mas também atitudes e ideias. Eleito melhor filme no Fica - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental.


Jaci: Sete Pecados de Uma Obra Amazônica (Brasil, 2014, 102 min) – dir: Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros

Uma pequena cidade na Amazônia é radicalmente transformada depois do início da construção de uma hidrelétrica, a chegada de 20 mil trabalhadores e sua grande greve em 2011. Durante quatro anos, a equipe do filme visitou essa remota região do Brasil, coletando histórias de conflito, solidão, pressão e medo. Em 2016, a obra foi vencedora do prêmio de melhor longa-metragem da Competição Latino-Americana da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

 

O Homem do Saco(Brasil, 2015, 58 min) – dir: Carol Wachockier, Felipe Kfouri e Rafael Halpern

O homem do saco é um personagem que sempre foi lembrado por ser aquele que levava crianças desobedientes em sua sacola. O que muitos não sabem é que ele é um personagem real, um homem que vive à margem da sociedade, que caminha invisível perante os olhos dela, catando materiais recicláveis para seu sustento.

 

O Mercado da Dúvida (“Merchants of Doubt”, EUA, 2014, 96 min) – dir: Robert Kenner

O filme do premiado documentarista Robert Kenner acompanha os bastidores dos chamados “negacionistas do clima”, pessoas contratadas para disseminar dúvidas sobre a existência e causas das mudanças climáticas. 


O Verdadeiro Preço (“The True Cost”, EUA, 2015, 92 min) – dir: Andrew Morgan

Esta é uma história sobre roupas e o impacto que essa indústria da moda tem causado no mundo. O preço das roupas tem diminuído há décadas, enquanto seu custo humano e ambiental tem crescido dramaticamente. O filme revela o que está por trás da indústria da moda e nos leva a questionar quem realmente paga o preço por nossas roupas.


Para Onde Foram as Andorinhas? (Brasil, 2015, 22 min) – dir: Mari Corrêa

O filme capta de forma sensível e explícita como os povos habitantes do Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, estão percebendo e sofrendo cotidianamente os impactos das mudanças climáticas, do intenso uso de agrotóxicos e do desmatamento desenfreado.


Rango (“Rango”, EUA, 2011, 100 min) – dir: Gore Verbinski

Rango é um camaleão da cidade grande que vai parar, após um acidente, em pleno velho oeste. De uma hora para outra, sua rotina de animal de estimação mudou radicalmente e agora ele precisa deixar a vida “camuflada” para enfrentar os perigos existentes no mundo real. Vencedor do prêmio Oscar© de melhor animação, entre dezenas de outras premiações.



Comentários

deslogado
Micheal Smith 19/04/2018, às 06:20

This Is What I am Looking From Last Couple Of Years. Thanks For Sharing This:) http://www.bestbrandsworldwide.com/dynasty-digital-network-seo-cairns

deslogado
David John 19/04/2018, às 06:19

Thanks For Sharing This Information With Us:) http://www.bestbrandsworldwide.com/dynasty-digital-network-seo-brisbane

deslogado
Ahsan tariq Awan 27/03/2018, às 20:17

thank for sharing this post i really like Jurassic Survival Apk

deslogado
Ahsan tariq Awan 27/03/2018, às 20:16

thank for sharing this post i really like Dwgamez Gta 5 Android Apk Download

deslogado
Sharlin 07/02/2018, às 12:42

Have you tried our exclusive collection of Happy Rose Day 2018 Wishes & Quotes? If not, then please don't miss. We have best collection of Happy Valentines Day 2018 Wishes 2018, open this website Happy Rose Day 2018 and Along With Valentines Day Meme & Clipart for you. Try these best Happy Rose Day 2018 Wishes , Happy Rose Day 2018 Wishes for Girlfriend and Best Valentines Day Wishes & Message Collect from This Web Site Happy Valentines Day 2018

deslogado
Sheikh 14/01/2018, às 12:25

Contact us to find a auto locksmith near me. Contact us today to get a free quote, or call us now to get professional 247 Car Locksmith services within 15 minutes! Local Locksmith 24/7 successfully addresses all these Near Me Residential Locksmith services based on customer preference. An 24 Hour Emergency Locksmith in Ohio is a locksmith who is always on call.

deslogado
Rossdale 29/12/2017, às 08:17

This accessible Calendar is both Blank and editable, you may use them free of charge and as you need, calendar printable template canada 2018 has additional space for notes and events dates.

deslogado
Z4Root 28/12/2017, às 03:12

This is really a great Post. Thank you for sharing this very nice post awesome keep sharing. Z4Root For Android

deslogado
Daniyal 21/12/2017, às 21:23

Your Article Is Awesome I mention it here New Year 2018 images

deslogado
Happy New Year 2018 Wallpapers 21/08/2017, às 10:28

Download Free Happy New Year 2018 Wallpapers, Images. Check out Happy New Year 2018 wishes.

deslogado
Happy New Year 2018 Wishes 25/05/2017, às 09:41

On this amazing accident you can Free Download Happy New Year 2018 Whatsapp Messages, Images from our website page.


  • brasilalemanha
  • brasilalemanha
  • brasilalemanha
  • brasilalemanha
Logomarca oficial da imigração alemã no Brasil. Reprodução liberada e recomendada, para uso não comercial.
Para uso comercial e originais em alta resolução: contato@brasilalemanha.com.br.

© 2004-2019 BrasilAlemanha - O portal oficial da imigração alemã no Brasil - Todos os direitos reservados

Desenvolvido por Sapiência Tecnologia

Publicidade