Um predomínio da língua pomerana - por Ivan Seibel*

Como os pomeranos capixabas conseguiram conservar seu idioma durante tanto tempo? Durante as primeiras décadas da colonização o predomínio da língua pomerana se tornou mais evidente na medida que foi crescendo o intercâmbio entre as diferentes comunidades e o próprio surgimento de novas oportunidades de casamento. Este grupo populacional sempre foi muito conservador nas suas tradições e sua língua, incompreensível para os que falavam outros idiomas ou dialetos.

Temos aqui dois aspectos que certamente foram essenciais para a manutenção desta característica. Ao se isolarem dificultaram uma maior miscigenação com outras correntes culturais como as dos diferentes grupos luso-brasileiros e afro-brasileiros. Desta forma também conseguiram preservar melhor os seus hábitos e costumes e o próprio idioma. Por outro lado, com o passar dos anos estes núcleos culturais passaram a absorver a população de outros grupos minoritários de procedência alemã, holandesa, suíça e austríaca. 

Um exemplo bem típico foi a prolífica família do pioneiro do Reno, Jacob Seibel, cujos dez filhos todos casaram com pomeranas ou pemoranos e noventa e cinco por cento dos seus mais e mil descendentes passaram a falar a língua pomerana. Todos estes fatores certamente explicam o gradativo predomínio desta língua sobre as demais, ao longa de mais de um século, dentro de uma lenta, porém gradativa homogeneização cultural de toda a população teuto-brasileira no Espírito Santo. 

*Ivan Seibel, Reg. Prof. Mtb 14.557, natural do Espírito Santo, é médico em Venâncio Aires, RS, escritor (“Imigrantes a duras penas”, entre outros), comentarista do programa radiofônico semanal AHAI – A Hora Alemã Intercomunitária > bl 03, colunista www.brasilalemanha.com.br e editor de Folha Pomerana Express >
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