Juízes e promotores também são responsáveis - por Ivar Hartmann, promotor de Justiça aposentado

Cada dia são mais insensatas as decisões dos ministros do STF, divindades brasileiras que tudo podem, inclusive mudar as leis sem aprovação do Congresso e sanção do Presidente. Vem por e-mail ou whatsapp pedidos para assinar listas a favor da cassação do ministro tal ou qual do STF. Estas listas tem dois resultados: um, servir de riso e chacota para os tais ministros, dois, serem atiradas em um canto qualquer no Senado.

Um Senado cheio de senadores processados, vai processar seu juiz? Outra proposta é mudar a Constituição, para que os Ministros do STF sejam os juízes brasileiros mais antigos. Nunca irá prosperar. Então, com certeza, só um golpe militar poderá tirar estas excelências de seus confortos. E tudo porque os presidentes brasileiros descobriram que o STF é um ótimo local para colocar seu advogado predileto, independente de ser ou não probo e competente, desde que lhe garantam auxilio futuro em seus interesses.

Não tem então solução? Tem! Na América Latina, bandido impune é senador, deputado federal ou ex-presidente. A Constituição Brasileira diz que para ser ministro do STF o brasileiro deve possuir notável saber jurídico e ter reputação ilibada. Notável saber jurídico e reputação ilibada. O PT não liga. Indicou um que rasgou a Constituição. Outro que tinha negócios com um ex-governador corrupto. Um terceiro despacha em um processo de banco no qual tem interesse. Provavelmente não estariam no STF se os juízes e promotores do Brasil, tivessem, em tempo hábil, feito o que lhes compete como guardiães e fiscais da lei:  estudar os nomes indicados pelo Presidente para o STF. A acomodação destes guardiães faz o Brasil pagar alto preço.