Folklore – Folclore – Volkskulturgut - Lissi Bender*

“Ninguém pode ser um bom brasileiro, se não honrar sua herança cultural.” Bento Munhoz da Rocha (1905 – 1973), sociólogo, escritor, professor, governador do Paraná e Deputado Federal.

A origem do termo vem do inglês – Folk/ povo e Lore/saber – saber que procede do povo, das pessoas. No Brasil foi criada em 1947 a Comissão Brasileira do Folclore para sedimentar uma cultura brasileira. E o dia do folclore foi oficialmente aprovado em 17 de agosto de 1965. Desde então ficou instituído o dia 22 de agosto como o dia para celebrar o folclore em nosso país. Esta data havia sido escolhida em homenagem ao pesquisador inglês William John Thoms que, em 22 de agosto de 1866, havia feito uso do termo Folklore pela primeira vez em um artigo seu.

Como o Brasil é um país constituído a partir de indígenas e imigrantes, a nossa cultura popular é uma das mais ricas do mundo. Aqui se encontram e se cultivam os saberes das mais diferentes origens étnicas. Além das inúmeras tribos indígenas, suas línguas e seus saberes, o país também conta com os dos portugueses, dos povos africanos, dos alemães, dos italianos, dos japoneses e contribuições de diversas outras etnias. Todas colaboram com seu saber e, desse modo, compõem a rica diversidade cultural existente.

Ao folclore brasileiro pertencem todas as tradições culturais, saberes, sabores, crenças, costumes, hábitos, danças, cantos, lendas e histórias, procedentes das diferentes etnias, e fazem parte do patrimônio imaterial de uma região, ou mesmo de um lugar. Quando pensamos no Rio Grande do Sul, pensamos logo em churrasco, chimarrão, nas Lendas do Sul, como Negrinho do Pastoreio e a Salamanca do Jarau. Quando nos voltamos às regiões de colonização alemã e seu Volkskulturgut, pensamos em bandinha, danças e cantos. Mas, os saberes trazidos pelas famílias germânicas são muito mais amplos. Incluem artes e ofícios; saberes acerca de prolongamento da vida útil de alimentos; os dísticos em panos de parede; os Märchen; as lendas; os dialetos que, em conjunto com o alemão padrão e o contato com o português, constituem o Deutsch presente em diversas regiões. Para além de muitos outros saberes não esqueçamos o sentido sagrado das florestas, o cultivo das flores... e o Kuchen, a maravilhosa cuca Streusel e suas variantes do Blechkuchen. A propósito, o Streuselkuchen é originário da Silésia, de onde se difundiu, principalmente, pelo norte da Alemanha. Em meados de 1800 já fazia parte dos eventos comunitários e familiares. Existe até mesmo uma lenda a contar a origem do Streuselkuchen.

Que todos saibam valorizar e celebrar os bens originários de seus antepassados, que cada região, cada lugar saiba homenagear e cultivar condignamente os bens culturais daqueles que contribuíram historicamente para a constituição do lugar. O saber do passado é fundamento e fonte, para a existência de nossa vida no tempo e lugar presente. O legado de nosso ancestrais fortalece nossas raízes. Raízes fortalecidas na seiva do passado frutificam e fortificam o futuro.

Os bens culturais herdados merecem ser cultivados e festejados. Em nossa região de colonização alemã podemos fazer isto com Kaffee & Kuchen ou outra refeição, como o Hackbraten de Vera Cruz, o Eintopf de Vale do Sol, Gefülltes Huhn de Rio Pardinho. Também os centros culturais ou comunitários, as escolas, podem celebrar com diferentes atividades relacionadas à cultura identitária do lugar em que estas entidades estão inseridas. Desta forma, todos contribuem para que o legado do passado continue presente, para preservar a diversidade ea riqueza cultural local, regional e do Brasil.

* Lissi Bender é Doutora em Ciências Sociais, membro da Academia de Letras de Santa Cruz do Sul, Delegada da FECAB (Federação dos Centros de Cultura Alemã no Brasil), comentarista AHAI (A Hora Alemã Intercomunitária – Die Deutsche Stunde der Gemeinden)