Direto de Leipzig

28 de setembro de 2009

sa400054a1Gente, o  blog se mudou para a Saxônia. A partir de agora, as novidades da terra da cerveja serão enviadas aqui de Leipzig.

Vamos a algumas informações da cidade, tks to Wikipedia:

Leipzig (em português Lípsia) é uma cidade independente (kreisfreie Stadt) do estado da Saxónia na Alemanha, sede da região administrativa homónima.

Localiza-se no leste do país (mais ao centro-sul, fica há 2h de Berlim de carro e a 1h20 de trem).

Leipzig tem cerca de 510 mil habitantes, sendo a maior cidade do estado de Saxónia. É parte da região metropolitana Metropolregion Sachsendreieck.

Tem origem num antigo povoado eslavo de nome Lipsk.

No século XIX, Leipzig tornou-se um importante centro para a música europeia, onde compuseram vários músicos ilustres como Johann Sebastian Bach, Robert Schumann e Richard Wagner, que nasceu nesta cidade em 1813. A Orquestra Gewandhaus de Leipzig é uma das orquestras mais antigas do mundo, com raízes históricas até o século XV.

Durante a Segunda Guerra Mundial mais de 60 % da substância urbana foi destruída por bombardeiros aliados.

Em Outubro de 1989 deu-se na cidade uma grande manifestação, que foi de significativa importância para a queda do Governo comunista e subsequente reunificação da Alemanha.

Turminha pop que nasceu/mora aqui:

* Till Lindemann (1963-) - líder e vocalista da banda de rock Rammstein
* Bill Kaulitz (1989-) - vocalista da banda de pop rock Tokio Hotel
* Tom Kaulitz (1989-) - guitarrista da banda de pop rock Tokio Hotel

Tri, né?
Bom, Leipzig é infinitamene menor que Berlim. Tem apenas um centro, onde fica o Altstadt. O centro é incrivelmente charmoso. As lojas ficam em construções antigas restauradas. Me lembrou muito Munique. E pelas ruas, onde não passam carros, é possivel curtir todo tipo de música. Desde pequenas orquestras, pianistas, violinistas, etc. Todo mundo mostrando o que sabe fazer por algumas moedas.
Leipzig me lembra Munique, em função desse charme. Ai, que saudade de Munique. Infelizmente esse ano não vou ter como ir na Oktoberfest, que está rolando desde a metade de setembro.
Bom, a cidade é universitária, por isso tem muita gente jovem circulando pelas ruas, principalmente pelos arredores do Südvorstadt, onde a blogueira aqui está morando. O Südvorstadt é o Prenzlauer Berg de Leipzig.
Tudo acontece na Karl-Liebknech-Str, a “Karli”, como o pessoal daqui chama. Ali tem bares com mesinhas na rua, restaurantes e cinema.

Cheguei há pouco tempo e por isso ainda tenho muito a explorar. Vou contando e mostrando as coisas assim que eu for descobrindo.

Chaveiro e sapateiro - serviços de luxo

25 de agosto de 2009

Sim, já falei mil vezes que Berlim é demais, que é onde a vida acontece, que é tudo de bom e blábláblá. Mas tem coisas que o só o Brasil faz por você. Sabe aqueles pequenos detalhes que ninguém dá bola? Como conseguir fazer a cópia de uma chave depois das 16h em um sábado, mandar apertar uma calça ou trocar o zíper de uma bota? Pois é. Nesses requisitos (entre tantos outros), e nos serviços em geral, nossa terrinha dá um laço na turma daqui.

Por exemplo. Um dia, eu tive o grande azar de perder a chave de casa. Esse dia, era sábado. Enquanto minha colega de apartamento trabalhava, peguei a chave dela e fui atrás de um chaveiro. O daqui da esquina estava fechado, o da Roxa-Luxemburg Strasse também e o Mister Minit em Alexanderplatz igualmente. Perdi umas 3 horas caminhando pra fazer uma cópia de uma chave. Tive que rir para não chorar. Como uma coisa tão simples, tão, se posso dizer assim, até idiota de tão banal, pôde se tornar algo tão estressante?

E nem no Alexa, o maior shopping center de Berlim também deixou a desejar, me levando ao desespero. Mas aquele dia ainda dei sorte, fui até um outro shopping, menorzinho, em Schönhauser Alle, aqui perto de casa e achei um bendito chaveiro. Mas o preço foi salgado: 9 euros a chave. Eu estava tão nervosa que paguei, queria me livrar daquele pepino.

Mas a história continua. No molho de chaves que perdi estava a chave da caixa de correio. Entrei em contato com a dona do apartamento, que me informou não ter outra cópia. Falei com o zelador, que não me deu resposta. O jeito era ir num chaveiro durante a semana e ver o que dava pra fazer.

Fui novamente no chaveiro/sapateiro da Schwedter. Str, que me explicou que só pra vir até a minha casa (nem 40m da loja), seriam 50 euros. Para fazer a cópia da chave, mais 15. Ou seja, 65 euros para alguns passos até aqui e uma “chavinha” do correio. Mas, quem mandou perder a chave?

Postei na comunidade Brasileiros em Berlim do Orkut atrás de ajuda. Algumas pessoas, solidárias a minha dor, comentaram suas experiências amargas. Como a da menina que se trancou do lado de fora da casa e teve que despachar 89 euros. Multiplica isso por 3 e terá o valor aproximado em reais. Pois é. E olha que Berlim é uma das cidades mais baratas da Europa.

O desfecho da chave do correio foi longe. Fui fazer uma pesquisa de preço no chaveiro da Rosa-Luxemburg Strasse. Expliquei o que aconteceu. O chaveiro, pacientemente, disse para eu ir pra casa, abrir a portinha da caixa e olhar se havia lá dentro um adesivo colado com uma sequência de números. Se tivesse, eu teria simplesmente que anotar, trazer para ele, que ele faria uma cópia da chave pra mim. Simples, sem transtorno. Enquanto o Mané da Schwedter Str. nem me deu outra opção.

Fui pra casa com esperança. Olhei dentro da caixa e não tinha nada. Voltei lá com uma cara enorme de frustração. Tá bom, se ele me cobrar 30 euros eu já topo, pensei. Mas não. Ele simplesmente me aconselhou a forçar a portinha até ela abrir, que depois eu mesma poderia trocar toda a fechadura.

Vim pra casa, de novo, e com a ajuda de um amigo (porque mulher geralmente não tem força suficiente, como eu), conseguimos abrir a portinha. Não precisamos de nenhuma ferramenta para tirar a fechadura. Ela simplesmente encaixa. Levei de novo até o chaveiro honesto da Rosa-Luxemburg Strasse. Mostrei pra ele e ele me deu uma nova. Que custou 10, 10 EUROS. Simplesmente.

Fiquei surpresa com a honestidade do cara.

Chaveiro da Schwedterstr. = 65 euros

Chaveiro da Rosa-Luxemburg Str. = 10 euros

Por isso, não importa. Pesquisar preços SEMPRE.

Aí, agora que o inverno está acabado, resolvi mandar arrumar o zíper da minha bota, que estragou. Saí hoje para o sapateiro aqui perto, mas eles estão em férias coletivas. Aí contra a minha vontade fui no ladrão da Schwedterstr., já que ele trabalha com isso também. Ali já dizia: só trabalhamos com pagamento adiantado.

Mostrei a bota, expliquei a situação e a primeira coisa que ele disse foi: “Isso é caro”.

“Caro quanto”, perguntei.

“35 euros”

35 euros??? Quase R$ 100 pra trocar um zíper quando a bota custou 70 euros? Não, muito obrigada. Que raiva daquele cara. Mas enfim, o problema é meu.

Aí, indo encontrar minhas colegas, passei por um outro chaveiro/sapateiro no corredor do u-bahn em Alexanderplatz. Uma mulher simpática me atendeu. Expliquei a história dos 35 euros. Ela mediu o tamanho do zíper, fez uma conta na calculadora e me deu o preço: 18 euros.

Ainda caro por um zíper. Mas não precisei pagar adiantado e foi METADE do preço.

Por isso que aqui, quando uma coisa estraga, as pessoas simplesmente jogam fora e compram outra. Os serviços são caros demais. No Brasil, é diferente. Por o nosso dinheiro valer menos e ser mais suado de conquistar, acho que aprendemos a dar valor para o que temos. Além de cuidar do que é nosso, quando alguma coisa estraga, porque não mandar arrumar (por alguns trocadinhos), procurar uma solução menos hiperreal e consumista…

E mando um grande abraço a todos os chaveiros, sapateiros, costureiros e demais “consertadores de coisas” honestos aí do Brasil, que facilitam TANTO a nossa vida quando a gente realmente precisa.CB107142

Céu sobre Berlim - Win Wenders…

5 de julho de 2009

Como diria minha amiga Marcela Donini, tem coisas que só acontecem quando se está viajando. A passagem dela e do também jornalista Moreno Osório aqui por Berlim foi “ganz besonderes” em função de uma coincidência, um pouco de cara de pau e porque não, de sorte.

Depois de darmos uma volta na East Side Gallery, onde se encontra um pedaço do muro de Berlim, ente Warschauer Str. e Ostbahnhof, estávamos na estação para pegar o S-Bahn, quando um tipo de cabelo no ombro grisalho, camisa branca, jeans, All Star, uma mochila e um óculos de aro grosso passou por nós. Marcela interrompeu o assunto e perguntou: aquele não é o Win Wenders? Eu, distraída, nem reparei, mas virei pra trás para olhar. Mas logo pensei: “Não, o Win Wenders não iria andar sozinho assim de metrô”. Ao observá-lo, ele entrou numa lanchonete. Aí sim: “Não, o Win Wenders não iria comprar alguma coisa pra comer numa estação de metrô sozinho”.

Mas, em questão de segundos, meio que mudamos nosso caminho e fomos atrás dele. Marcela sugeriu que eu fosse falar com ele, já que os dois não falam alemão. Eu nem levei a sério a história porque, por mais que eu trabalhe com isso, às vezes tenho vergonha de abordar as pessoas. Mas como jurei que não era ele e que eu teria apenas que me desculpar após a pergunta, fui até o balcão do Currywurst onde ele estava e perguntei:

- Com licença, o senhor é o Win Wenders?

- Sim.

(ai meu Deus, essa não era a resposta que eu esperava).

Minha boca abriu. Segundos rápidos eternos. Estendi o braço e disse: “E eu sou a Julia”. Nesse meio de tempo, Marcela e Moreno surgiram atrás de mim. Expliquei que éramos do Brasil e que gostávamos muito dele. Marcela contou que tinha visto a palestra dele em Porto Alegre ano passado. Em meio a essa surpresa, ele comentou que estava indo para o concerto do Die Toten Hosen e perguntou se a gente queria ir, pois alguns amigos dele tinham dado pra trás. Mal entendi a explicação, mas respondi que sim. E assim, fomos em direção ao S-Bahn.

Esperamos um pouco o trem enquanto ele se lambuzou com o catchup do Currywurst. Mas ele falou que não estava lá muito gostoso.

Enquanto isso, conversamos um pouco com Arndt Wiegering, que contou ser seu assistente nos filmes. Uma simpatia ele.

No trem, ele sentou da janela, do meu lado, a frente de Marcela e Moreno. Para puxar assunto, perguntei:

- O senhor se importa se eu perguntar se você tem falado com o Bono?

- Sim.

- Oh, desculpe.

- Sim, eu tenho falado com o Bono.

- Ah, pois é, sabe como é, eu sou uma grande fã dele. Falei com ele uma vez quando ele esteve no Brasil. Ele mordeu minha mão e assinou na minha barriga.

- Uau, ele é meio atrevido… Você sabe que eles vão tocar aqui daqui a duas semanas.

- Sim, claro. Você vai.

- Sim.

Enquanto isso, ele mexia no seu i-Phone… De repente, meu telefone tocou…

Ele: “Ó, é o Bono”.

Mesmo tendo lido o nome Jaqueline no display do celular, em função dele ter dito aquilo com tanta convicção, eu cheguei a achar mesmo que era o Bono. Coração disparou. Risadas.

Chegamos na estação Wuhlhelde e fomos caminhando em direção ao show. Ficamos batendo um papo com o Arndt e explicamos pra ele como essa situação era inacreditável. Ele explicou que, em primeiro lugar, isso não acontece muito por aqui. Os alemães dificilmente o abordam. E quando alguém o faz (sem ultrapassar os limites do bom senso, é claro), ele gosta. É uma forma de ele estar em contato com as pessoas.

O Win Wenders voltou e trouxe as pulseirinhas. A Marcela teve problemas pra entrar por causa da câmera de jornalista dela. Mesmo assim, os dois nos esperaram.

Die Toten Hosen não é apenas uma banda alemã qualquer. Mas uma das mais tradicionais e queridas do país. O Win Wenders é amigo do vocalista Campino (Andreas Frege) que participa do seu último filme, Palermo Shooting. O show tinha recém começado e foi bom demais principalmente pela presença de palco do Campino. A banda interagiu muito com o pessoal. Em um momento, ele comentou sobre a Bred and Butter: Pois é, nós não fomos convidados para esse evento de moda, então vamos tocar mais tempo aqui!!!! A galera enlouqueceu.

Fomos para uma área reservada para VIPS com uma vista privilegiada para o palco. Dançamos, pulamos e gritamos sem mesmo conhecer nenhuma música da banda. E nosso anfitrião ficou do nosso lado. Chillin’. Curtindo junto. Foi demais. Pagamos duas cervejas pra ele.

No meio do show, eu e Marcela não parávamos de comentar coisas do tipo: “isso realmente tá acontecendo”. Sorriso bobo no rosto o tempo todo. Eu não queria que terminasse. Por um minuto pensei, bem que podia ter encontrado ele antes do show do U2. Mas tudo bem, né. Aí já é sonhar alto demais.

Depois de quase duas horas de show. O sonho acabou. Agradeci a ele e disse: Você tornou a minha vida mais bonita. Estou aqui por causa de Himmel Über Berlin. Sei que tu deves ouvir isso todos os dias, mas não podia deixar de falar.

E ele: - Não, hoje ainda não ouvi.

Ganhamos um abraço e um beijo e tiramos uma foto. Incrível. Demais. É por isso que eu amo cada vez mais essa cidade.

Moreno, Marcela, Win Wenders e Eu

Moreno, Marcela, Win Wenders e Eu

Voo AF447

1 de junho de 2009

A tragédia envolvendo o Airbus da Air France que desapareceu durante o voo entre Rio de Janeiro e Paris está estampando a capa das edições online dos dois jornais mais importantes da Alemanha: Süddeutsche Zeitung e Frankfurter Allgemeine Zeitung. Mais além da maioria de brasileiros e cerca de 40 a 60 franceses, mais de 20 cidadãos alemães estavam a bordo.

Süddeutche Zeitung: Autoridades não têm mais esperançaFoto: reprodução

Süddeutche Zeitung: Autoridades não têm mais esperançaFoto: reprodução

faz

A coca e a ceva

28 de maio de 2009

Na Alemanha, come-se bem e come-se muito. A comida não é muito cara em comparação com outros países europeus.

Os Doners Kebap (sanduíches turcos com muita salada e uma carne de ovelha de origem duvidosa) - mega populares e grandes o suficiente para encher a barriga - saem entre 2 e 3 euros. É possível encontrar aquelas caixinhas de comida chinesa (macarrão com vegetais) por 2 euros, assim como os básicos Bratwursts (salsicha grelhada com pãozinho e mostarda) por 1,20 euros.

Mas, para quem é mal acostumado como eu e não consegue fazer uma refeição sem beber algo junto, a história muda de figura. A bebida aqui (água, sucos e refrigerantes) é cara. Às vezes pode até sair mais cara que a comida. O que fazer? Como se acostumar a almoçar ou jantar no seco?

Uma Coca-Cola pequena (200 ml, menor do que a garrafa clássica ainda servida no Brasil), sai normalmente em um restaurante a partir de 2,50. Detalhe, ou ela vem numa garrafa miniatura ou ela é servida direto de uma garrafona de dois litros. Quando ocorre a segunda alternativa, a probabilidade de ela vir totalmente sem gás triplica.
Gelo é outro problema. Pra mim, qualquer bebida que não seja chá ou chocolate quente (só no inverno) e chimarrão,  TEM QUE SER mega gelada. Aqui na Alemanha, esqueça. Ela vem na temperatura ambiente ou no máximo geladinha. Mas nada de congelar o cérebro. E gelo? Ah, gelo não tem. Não é regra servir uma bebida com gelo, como normalmente funciona no Brasil.

E para não criar caso com os internautas menos pacientes, me adianto: óbvio que tem gelo na Alemanha, mas como eu não frequento restaurantes muito chiques, acabo tendo que me contentar sem.

Ah, outra coisa, muitas vezes a cerveja Weiss, de meio litro, servida no copão bonito, sai mais barato que um refrigerante pequeno. Se eu ainda quero beber durante as refeições sem ter que gastar muito, vou ter que trocar a coca por um suco de cevada.

Hehe, quanto drama! Que nada, gente, brincadeiras a parte, isso aqui é legal demais, como eu já disse, viva as diferenças!

Julia Dócolas, Berlimceva

20 anos da queda do muro

26 de março de 2009

Berlim está em festa. Esse ano comemora-se os 20 anos da queda do Muro de Berlim, símbolo da Guerra Fria. É por esses e outros motivos que eu gosto tanto de Berlim. Tudo que aconteceu de relevante na história contemporânea, rolou nesse chão. Berlim inspira história e aspira modernidade, inovação e novidade. Adoro.

Bom, mesmo que a festa mesmo seja só em novembro, a cidade já está cheia de pequenas atrações sobre a data, além dos museus e memoriais fixos. O museu Checkpoint Charlie é uma boa opção para saber mais da história do muro e daqueles que fizeram de tudo para ultrapassar a fronteira entre dois mundos, representada por um muro cinza.

Estava conversando com a minha professora e ela me contou exatamente o que aconteceu no dia em que o muro caiu. Não houve nenhum grande anúncio oficial, só uma coletiva com a cúpula da DDR. Eles anunciaram que o regime tinha acabado. Até que de repente um repórter perguntou: quando exatamente isso entra em vigor? Mas ninguém havia realmente pensado nisso. Daí ele respondeu: Sei lá, agora? Já deve estar valendo.

Aí as pessoas começaram a ir pra rua, o boato foi se espalhando e muitos pegaram seus martelos para destruir aquele muro que causou tanto sofrimento, separações e morte para o povo berlinense.

O resto vimos em fotos.

Bom, hoje estive no memorial do Muro de Berlim na Bernauer Strasse, entre Mitte e Prenzlauer Berg. O interessante do lugar é que eles manteram o muro original que separava a civilização de Ost Berlin do Muro, o original. Meio complicado de explicar por palavras, mas a foto vai ajudar. Enfim, em Ost Berlin não havia apenas um  muro, mas dois. Um, mais baixo, que bloqueava o povo a ter acesso ao muro original.

O memorial fica na rua e é gratuito. Porque o conhecimento e a história devem estar ao acesso de todos.

Imperdível.

Pelo muro menor, a visão do Muro de Berlim pela perspectiva dos berlinenses do leste

Pelo muro menor, a visão do Muro de Berlim pela perspectiva dos berlinenses do leste

O começo da barreira

O começo da barreira

O que sobrou, no memorial da Bernauer Strasse

O que sobrou, no memorial da Bernauer Strasse

Dresden

24 de março de 2009

A duas horas de Berlim pela BerlinienBus (ida e volta por 25 euros) é possível conhecer Dresden. Pequena e encantadora às margens do Elba.

A cidade é interessante não só pra quem gosta de viajar ao passado, mas também pra quem curte o que há de moderno em relação à moda, música e diversão. Ao lado da Altstadt, com suas igrejas, palácios, hotéis antigos e cafés aconchegantes há a parte rock da cidade, com diversos bares e boates, de lojas de discos e roupas alternativas e painéis de grafite.

Dresden é uma opção barata e divertida para quem está pelos arredores de Berlim. Na próxima vez quero ficar lá mais tempo!

Cerveja na margem do Elba: programa imperdível em Dresden

Cerveja na margem do Elba: programa imperdível em Dresden

O palácio nos arredores da Altstadt

O palácio nos arredores da Altstadt

Todos querem brilhar em Berlim

24 de março de 2009

Artistas de todos os gêneros, escritores, atores, atrizes e cineastas costumam vir a Berlim atrás de uma oportunidade de trabalho ou quem sabe de seus 15 minutos de fama.
Berlim é a cidade mais cool e mais cultural da Alemanha, se bobear, de toda a Europa. Tu pode estar numa conversa com mais ou menos cinco pessoas em qualquer lugar, no curso de alemão, num café, em uma festa. Na hora  de perguntar quem faz o que, ou por que Berlim, pode apostar que entre essas pessoas, uma vai responder:
- Ich bin ein Kunstler (ou Kunstlerin, no caso de ser mulher).
- Ah.
Tá explicado.
Ser artista pode significar qualquer coisa, até porque a abrangência to termo “artista” é bem ampla. Ator, dançarino, pintor, músico, chargista, ilustrador, poeta…

Bom, já que eu não sou cantora, nem dançarina… E o mais perto de ser escritora é graças a esse blog, eu e mais dois colegas, Jaqueline, do Brasil, e Arnold, da França, resolvemos nos arriscar num casting de uma produtora de filmes.

Eles anunciaram na Berliner Fenster (janela de Berlim) que é veiculada no metrô que estavam precisando de 3 MIL (??) pessoas e que o casting ia rolar na quarta, do meio-dia às 18h.

Como a gente tinha coisa pra fazer a tarde, resolvemos nos arriscar e ir de manhã. Quem sabe eles não nos recebem?? No fim a função não foi bem assim, mas valeu muito a pena ter ido cedo.

Chegamos lá devia ser perto das 10h. Ao se aproximar da produtora, vimos um aglomerado de gente na frente. Umas 15 pessoas, todos já mais velhos. Pra nossa supresa, eles já estavam na fila para garantir seu lugar no casting, que só ia começar mesmo ao meio-dia. Já que estávamos lá, paciência. Vamos esperar.
Apesar do solzinho, o frio tava de rachar, aí tooooodo povo saia da fila para buscar um café quentinho.

Eu e Jaqueline começamos a lembrar que todo brasileiro adora uma fila. Comentei do último show do RBD ano passado em Porto Alegre, em que, se não me engano, já tinha gente na fila uma semana antes da apresentação.

O tempo foi passando e a fila se multiplicou absurdamente. Além da turma da terceira idade (que provavelmente tinha mais tempo livre e pode chegar mais cedo), começaram a aparecer várias figuras de todos os estilos, cores, tamanhos e penteados. Interessantíssimo.

Foi chegar perto da hora pra muvuca começar. E quando alguém se fazia de louco pra furar a fila, o pessoal soltava o verbo. Lá pelas tantas a porta da produtora se abriu e umas gurias começaram a distribuir uns formulários. Ali tinhamos de escrever os dados básicos como altura, tamanho de roupa e sapato, cor de cabelo… Mas também algumas informações mais inusitadas: se tinha piercing, quantos, se sabia dançar, cantar e qual era nosso estilo: punk, statista, hippie, gótico, e outros. Escolhi outros.

Aí chegou a hora de entrar. Cada criatura entrava num pequeno estúdio e tirava de duas a três fotos. Uma das meninas da produção me explicou que eles estavam fazendo essa seleção para os filmes que vão rolar aqui no verão.

Eu, Jaqueline e Arnold estamos na torcida para sermos chamados.
E viva Berlim!

Arnold, Jaqueline e Julia: próximas estrelas de Berlim?

Arnold, Jaqueline e Julia: próximas estrelas de Berlim?

As quatro estações

9 de março de 2009

Depois de passar por um período de frio vigoroso (o mais frio dos últimos 22 anos), a capital alemã amanheceu com um sol incrivelmente inesperado. Para se ter uma idéia, faz mais de um mês que estou aqui e esse foi o primeiro dia em que vi o sol batendo na janela pela manhã.

No intervalo da aula, todos saíram, literalmente, em busca de um lugar ao sol. Mas apesar do céu aberto, o sol ainda não esquenta. Mais alguns dias e começa a primavera no hemisfério norte com a promessa de dias mais bonitos.

Como no Brasil, as “smalltaks” daqui também abordam o assunto “tempo”, ainda mais em meio a um dia totalmente ímpar como foi o de hoje. Poucos colegas se atrasaram pela manhã, todos estavam mais falantes e mais sorridentes. Imagina então quando começar o verão.

No verão, apesar do calor não ser excessivo como no Brasil, o horário de verão e o leve calozinho fazem com que as pessoas fiquem mais tempo na rua. Aí dá pra passear, para tomar um café em Mitte ou uma cerveja na Oranienstr. em Kreuzberg ou na Kastanienallee, em Prenzlauer Berg. Opções diferentes e imprevisíveis não faltam nessa cidade que atrai escritores, poetas, jornalistas, pintores, músicos e todas as demais categorias de artistas existentes por aí..

Mas, a alegria de hoje não durou muito. Lá pelas 3h da tarde (horário local), uma nuvem passageira azedou o humor de quem estava pelos arredores da NollendorfPlatz. Já às 20h, quem estava na rua sem guarda-chuva em Hermanstrasse, Neukölln, chegou em casa ensopado e resfriado por causa da chuva forte e do frio.

A vista embaçada de Berlin do alto da Fernsehturm

A vista embaçada de Berlin do alto da Fernsehturm

Impressões de Berlim

8 de março de 2009

Agora, toda semana, publicarei fotos inusitadas daqui de Berlim.

Berlim é a capital do século XX na minha opinião, pois essas ruas e esse povo são testemunhas de tudo o que aconteceu de importante na história contemporânea do nosso planeta.

E, caminhar em Berlim é viver em tempo real a melhor aula de história das nossas vidas.

Nessa foto, um ângulo diferente do imponente Brandenburger Tor, que, à noite, fica ainda mais bonito e grandioso.dsc00495